Paulista A3: De auxiliar a recordista, Rogério Delgado faz história no Flamengo

O treinador deu sequência ao trabalho de Edson Vieira e depois de seis jogos, segue com 100% de aproveitamento

O treinador deu sequência ao trabalho de Edson Vieira e depois de seis jogos, segue com 100% de aproveitamento.

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Guarulhos, SP, 29 (AFI) – Encerrar uma sequência incômoda de seis empates e emplacar seis vitórias consecutivas não é tarefa fácil. Porém, esse é o retrospecto que Rogério Delgado trilha à frente do Flamengo. Ex-centroavante rubro-negro e destaque no vice-campeonato da Copa Energil C de 2007, o paulistano assumiu o Corvo interinamente na 12ª rodada, diante da Itapirense, e, imediatamente, recolocou o Rubro-Negro na rota dos triunfos: 2 a 0, com gols de Tom e Daniel Bueno.

Na sequência, os resultados positivos diante de Nacional (1 a 0), Rio Preto (1 a 0), Grêmio Barueri (5 a 0), São José (3 a 1) e São Carlos (1 a 0) não fizeram a equipe de Guarulhos apenas assumir a liderança e garantir a classificação ao quadrangular final do Campeonato Paulista da Série A3. O clube sediado no Jardim Tranquilidade tornou-se o único invicto do estado de São Paulo.

Contudo, não é somente a sequência invicta – dez triunfos e sete empates – que consagra o Flamengo nacionalmente. O Corvo sofreu apenas nove gols em 17 jogos. O número só é inferior, levando em consideração os 60 clubes que compõem as três primeiras divisões de São Paulo, à marca registrada por Corinthians e São Bento (6). As duas equipes, no entanto, só entraram em campo 12 vezes na Série A1.

Responsável pelo momento histórico vivido pelo Flamengo – que também igualou a sua maior sequência invicta, estabelecida na Série B1-B de 1999 –, Rogério Delgado, ídolo do Nacional e artilheiro do Campeonato Catarinense de 1998, defendendo o surpreendente vice-campeão Tubarão, revelou o segredo para findar o jejum de vitórias e levar o Corvo à liderança: passar confiança aos atletas.

Rogério Delgado vem fazendo uma campanha surpreendente no comando do Corvo. (Foto: Marcos Vieira / AA Flamengo)

Rogério Delgado vem fazendo uma campanha surpreendente no comando do Corvo. (Foto: Marcos Vieira / AA Flamengo)

“Quando assumi o Flamengo, busquei, primeiramente, passar confiança e tranquilidade aos atletas. Sei exatamente a qualidade técnica que cada um possui. Portanto, durante a semana de treinamentos, pedi para que entrassem com leveza dentro de campo. Assim, titulares e reservas procuraram fazer o que sabem, deixando de lado a pressão exacerbada pelo resultado positivo. Eles entenderam a filosofia do meu trabalho e conseguiram conquistar a classificação com três rodadas de antecedência, fato que me deixa muito satisfeito e orgulhoso”, sintetizou o treinador, que manteve os pés no chão, afirmando que trata-se apenas da primeira meta traçada.

“É incrível igualar um recorde histórico do Flamengo, bem como atingir a honraria de único clube invicto do estado de São Paulo. Porém, vamos seguir pensando jogo a jogo, com humildade. O grupo está unido e buscando sempre algo a mais. Precisamos dar continuidade a esse bom momento, apresentando um trabalho organizado. O elenco precisa mostrar um alto rendimento todo o dia, a cada atividade. A boa fase não pode, jamais, tornar-se acomodação”, explicou.

Quando questionado sobre o duelo contra o Grêmio Osasco, quarta-feira – o último do Flamengo em Guarulhos durante a primeira fase –, Rogério Delgado previu dificuldades, mas expôs a meta traçada para a penúltima rodada: terminar a primeira fase na liderança geral da Série A3.

“Sabemos da qualidade técnica do Grêmio Osasco, mas vamos em busca do resultado positivo diante da nossa torcida. Podemos terminar a penúltima rodada com a liderança geral assegurada. Assim, seria possível descansar os atletas na última rodada, poupando os jogadores que vêm atuando sequencialmente de uma desgastante viagem para Catanduva. Além disso, teríamos benefícios na tabela do quadrangular final”, salientou.

Por fim, Rogério Delgado exaltou o grupo de atletas e agradeceu aos torcedores pelo apoio demonstrado ao Flamengo: “Não teríamos atingido as marcas históricas se os atletas não se dedicassem completamente, comprando a ideia da comissão técnica e lutando por cada bola dentro das quatro linhas. Além disso, o incentivo vindo das arquibancadas foi primordial. Espero que os fãs do Corvo sigam nos apoiando durante os 90 minutos, pois, daqui para frente, a dificuldade só aumentará”.