Pardal deixa a Ponte Preta e metralha incompetentes

pardal 0001 130Campinas, SP, 22 (AFI) – O projeto de ampla reestruturação no departamento amador da Ponte Preta, implantando no início do ano, sofreu um duro golpe nesta semana. O experiente Antônio Augusto, mais conhecido como Pardal, foi desligado do grupo de trabalho de maneira abrupta. O ex-coordenador geral das divisões de bases, na tentativa de explicar sua saída, denunciou uma série de irregularidades que estavam acontecendo dentro do clube.

A entrevista exclusiva foi realizada pelo repórter José Henrique Semedo, da Rádio Central de Campinas, nesta quarta-feira à tarde. Cristiano Nunes, superintendente de futebol da Ponte, não quis se manifestar sobre o assunto, nem o presidente Sérgio Carnielli.

O departamento amador da Ponte consome perto de R$ 100 mil por mês, contando com profissionais conhecidos e caros, como o ex-goleiro Sérgio, o ex-atacante Evair, que atua também como auxiliar de Nelsinho Batista.

”Não sou desagregador, nem racista”
Pardal fez questão de afirmar que não foi demitido, mesmo porque fazia parte da equipe de trabalho à convite do próprio presidente.

”Só não posso aceitar a explicação de que sou desagregador e racista”, defendeu-se Pardal, que teria ouvido até que King, José Roberto de Souza Barros, um dos diretores do clube, estaria formulando uma denúncia de racismo contra Pardal.

”Não tenho nada contra as pessoas de cor. Muito pelo contrário. Mas tenho muitas divergências de ponto de vista com o King e isso sempre eu comuniquei ao Cristiano Nunes, responsável geral pelo futebol do clube”, confirmou Pardal.

”Só bonzinhos, não funciona”
A queixa maior de Pardal é com relação a todo o grupo de trabalho formado por Cristiano Nunes. Segundo Pardal, existem muitas pessoas sem competência no setor.

pardal 0003 130”Não adiante a pessoa ser boazinha, se não tiver competência. Acho que as pessoas para ocupar um cargo assim precisam ser honestas e, acima de tudo, competentes”, reforçou.
Pardal se queixou bastante de que vários assuntos importantes foram elevados a Cristiano Nunes, sem que houvesse algum tipo de providência.

“Nunca quis divulgar nada para a imprensa para preservar o clube. Nem poderia ficar levando estas picuinhas para o presidente, que tem um monte de afazeres e muitas responsabilidades”, ponderou.

Mas se mostrou sentido da maneira como foi “dispensado”, lembrando que foi ele, em 1997, que deu a primeira chance a Cristiano Nunes no time principal da Ponte Preta. Na época, tinham passado aqui Lino Fachini Júnior e Pedro Pires de Toledo.

”Sou mais Ponte Preta do que qualquer coisa. Nasci Ponte Preta e vivo Ponte Preta”, completou.

Denúncias não apuradas
Entre algumas denúncias feitas por Pardal, está a inclusão de funcionários fantasmas no clube. Isso acontecia na equipe de Sumaré, que disputa a Segunda Divisão Paulista com apoio da Ponte Preta.

Pardal jura também ter visto funcionários “usar notas frias de gasolina’ para levar vantagem no clube. E garante também que evitou “ao máximo” divulgar o polêmico caso envolvendo Serginho Tanaka, que fazia parte do departamento amador e que acabou afastado após denúncias de que estaria recebendo propinas para “aceitar” o ingressos de jogadores nas divisões de base do clube.

”O caso era grave e não deveria ter estourado. Mas daí apareceram muitos como “pai da criança” e deu a maior confusão”, disse.

Serginho Tanaka e Ponte Preta travam um duelo jurídico, desde o seu desligamento. Ainda nesta temporada ele passou a integrar o Departamento amador do Barueri, onde teria, segundo Pardal, levado 10 jogadores da Ponte Preta.

“Alguns foram dispensados e outros aliciados”.

pardal 0004 130Em entrevista em off (fora do ar) na mesma Rádio Central de Campinas, Tanaka afirmou que não pretendia ir à publico, atendendo posição de seu advogado. Mas adiantou que realmente analisou alguns jogadores no Barueri e que somente aprovou um deles, de nome Guilherme.

Pardal lamenta o fato de que “60% dos jogadores de base estão vinculados a empresários”, o que é ruim para o clube no presente e no futuro.

”Nelsinho está sem retaguarda”
Empolgado pela chance de desabafar, Pardal também comentou rapidamente sobre os problemas do departamento profissional. Segundo ele, o técnico Nelsinho Batista não está sendo bem assessorado.

”As informações que chegam para o Nelsinho nem sempre são reais. Só levam as coisas boas para ele. Não adiante um relatório bonito, mas sem conteúdo. É cheio de florzinha, e sem conteúdo”, comparou.

Mas Pardal sabe que seu novo ciclo na Ponte está mesmo encerrado.

“As pessoas não me querem aqui. Mas saio e entro na Ponte Preta pela porta da frente, como sempre fiz”, finalizou.