PARANÁ: Sem dinheiro fica difícil fazer futebol

O Tricolor vem passando a maior crise financeira da sua história

Três meses depois, às vésperas da estreia do Paraná na Série B do Campeonato Brasileiro, a situação continua a mesma e o futuro é sombrio

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Curitiba, PR, 07 (AFI) – “O Paraná Clube chegou em uma situação que não tem como. Tem jogador que não recebe há sete meses. O que eu quero dizer é que os paranistas se unam. O Paraná vai acabar este ano. Não tem mais jeito”. Essa frase foi dita pelo então gerente de futebol Marcus Vinícius no início de fevereiro. Três meses depois, às vésperas da estreia do Paraná na Série B do Campeonato Brasileiro, a situação continua a mesma e o futuro é sombrio.

Assim como no ano passado, quando mesmo sem receberem salários garantiram a manutenção do clube na Série B, os jogadores estão honrando a camisa do Paraná até aqui. Sem deixar que a situação financeira influencie dentro de campo, o elenco levou o Tricolor até as quartas de final do Campeonato Paranaense, sendo eliminado pelo Operário, que se sagrou campeão no último final de semana. Campanha muito superior ao do rival Atlético-PR, que mantém as contas em dia e acabou tendo que disputar o Quadrangular da Morte.

Por conta da crise financeira, o Paraná perdeu o patrocínio da Caixa Econômica

Por conta da crise financeira, o Paraná perdeu o patrocínio da Caixa Econômica

A pergunta que fica, porém, é “até quando os jogadores vão aguentar essa situação?”. Com uma dívida superior a R$ 120 milhões e sem o patrocínio da Caixa Econômica Federal – o contrato não foi renovado porque o clube perdeu a Certidão Negativa de Débitos (CNDs) devido aos inúmeras pendências na Justiça -, a diretoria não tem dinheiro para anunciar reforços de peso. Por isso, o torcedor pode esperar um elenco formado basicamente por atletas desconhecidos, mas que prometem muita raça dentro de campo.

A crise financeira foi a principal responsável pela renúncia do presidente Rubens Bohlen no fim de março deste ano. Bastante pressionado pelos torcedores, ele alegou ter sido ameaçado e entregou o cargo que ocupada há três anos e meio. Quem assumiu a “barca”, pelo menos até setembro, quando acontece novas eleições, foi o Luiz Carlos Casagrande, até então primeiro vice-presidente. “Casinha” como é conhecido, já desempenhou inúmeras funções dentro do clube, e é visto, por muitos, como a última esperança do Tricolor.

Como não tem dinheiro, a diretoria do Paraná resolveu apostar em uma comissão técnica competente para surpreender nesta Série B. Acostumado a fazer boas companhas em times modestos, Nêdo Xavier foi contratado na semana passada para o lugar de Luciano Gusso. Além dele, o clube acertou com sete reforços – os zagueiros Rodrigo (ex-XV de Piracicaba) e Zé Roberto (ex-Luverdense), o lateral-esquerdo Elbis (ex-Atlético-GO), o s volantes Éder (ex-São Bento) e Washington (ex-Penapolense), o meia Rafael Costa (ex-Penapolense) e o atacante Henrique (ex-XV de Piracicaba).

O CRAQUE: LÚCIO FLÁVIO
Assim como vem acontecendo desde 2012, Lucio Flávio é a principal esperança do torcedor paranista nesta Série B. Ídolo e com quase 300 jogos pelo clube, o meia já tem 36 anos, mas mesmo assim é muito superior aos seus companheiros. Por isso, além de ser o camisa 10, também fica responsável por carregar a faixa de capitão no braço. Dono de uma bola parada quase mortal, Lucio Flávio quer mostrar que ainda pode fazer a diferença.

Acostumado a trabalhar em clubes com o orçamento reduzido, Nedo Xavier aceitou o desafio de comandar o Tricolor nesta Série B
Acostumado a trabalhar em clubes com o orçamento reduzido, Nedo Xavier aceitou o desafio de comandar o Tricolor nesta Série B

OLHO NELE: NEDO XAVIER
Ele não entra em campo, mas pode ser um dos diferenciais do Paraná nesta Série B. Não teve medo de assumir a “barca” e agora tem a missão de não deixa-la afundar. O ponto positivo é que Nêdo Xavier já se acostumou a trabalhar em clubes com orçamentos reduzidos e nem por isso deixa de fazer bonito. No ano passado, quase levou o modesto Boa Esporte à elite do Brasileirão, terminando em sexto lugar na Série B, com três pontos a menos que o Avaí, primeiro do G4.

PALPITÃO FI: SE NÃO CAIR, SERÁ LUCRO
Não tem jeito. Quando um time não está bem fora de campo, as coisas dentro das quatro linhas também não rendem. No ano passado, o Paraná conviveu com atrasos salariais e ameaças de greve dos jogadores, mas conseguiu uma posição digna no campeonato. Dessa vez, porém, a tendência é que clube caia para a Série C, afinal, não se faz futebol sem dinheiro.

FICHA TÉCNICA

Nome: Paraná Clube

Estádio: Durival Britto (capacidade total: 20.083 pessoas)

Colocação em 2014: 14º colocado

Time base: Marcos; Luiz Felipe, Rodrigo, Zé Roberto e Yan; Jean, Éder, Washington, Rafael Costa e Lucio Flavio; Henrique.
Técnico: Nedo Xavier.