Parabéns? Em meio a crise, Guarani completa 103 anos de história
Bugre não fez boa campanha na Série A2 do Paulista e busca reabilitação na Série C do Brasileiro
Campinas, SP, 02 (AFI) – Único time do interior campeão brasileiro e celeiro de grandes craques, o Guarani completa nesta terça-feira, 103 anos de fundação sem motivos para comemorar. Em meio a um colapso financeiro, o Bugre não presenteou sua torcida com o acesso à elite do futebol paulista, e busca a reabilitação no Campeonato Brasileiro da Série C.

O atual momento vivido pelo clube nem de longe lembra os áureos tempos vividos, sobretudo entre as décadas de 70 e 80. Hoje, o que se vê no Estádio Brinco de Ouro, a taba bugrina, é uma terra devastada por seguidas gestões trágicas dos ex-presidentes José Luís Lourencetti, Leonel Martins de Oliveira e Marcelo Mingone.
O resultado destas administrações irresponsáveis é uma dívida que já supera a casa dos R$ 200 milhões. Além do rombo financeiro, a atual diretoria comandada por Álvaro Negrão ainda tem de lidar com a falta de credibilidade do clube na praça e a baixa auto-estima dos torcedores, fruto dos seguidos rebaixamentos e da falta de qualidade da equipe dentro dos gramados.
Sem saída para resolver os inúmeros problemas administrativos e financeiros do Bugre, a atual diretoria enxerga como única saída a negociação de um quarto do entorno do complexo Brinco de Ouro. No local, seriam construídos um shopping e condomínios, que poderiam ajudar o clube a sanar suas dívidas milionários e pensar em um futuro melhor.
Enquanto este projeto não sai do papel, fica à torcida o sofrimento pelo time não ter conquistado o acesso ao Paulistão do ano seguinte, e a angústia por um futuro incerto. Se o Bugre conseguirá sair do lamaçal que se afundou nos últimos 15 anos? Isso só o próprio desenrolar da história poderá nos dizer.
História
Inspirado na ópera homônima de Carlos Gomes, o Guarani foi fundado por estudantes que se reuniram justamente na Praça Carlos Gomes – daí a origem do nome. Compareceram doze jovens: Vicente Matallo, Antonio de Lucca, Pompeo de Vito, seu irmão Romeo Antonio de Vito, Angelo Panattoni, José Trani, Luiz Bertoni, José Giardini, Miguel Grecco, Julio Palmieri, Hernani Felippo Matallo e Alfredo Seiffert Jaboby Junior.

O Bugre alcançou a elite estadual em 1949, sendo o segundo time a subir após ser instituído o acesso (o primeiro foi o XV de Piracicaba). Nas décadas de 70 e 80 alcançou seu auge, enfrentando de igual para igual as grandes forças do futebol brasileiro. Em 1978, encantou o Brasil ao conquistar o título do Campeonato Brasileiro, desbancando times como Internacional, Palmeiras e Vasco. Comando por Zenon, Careca e Cia, o clube é o único até hoje do interior a conquistar o título nacional.
A década seguinte também foi de conquistas. Em 86, foi vice-campeão brasileiro perdendo o título para o São Paulo. No ano seguinte repetiu o feito ficando com o vice-campeonato nacional, perdendo a final para o Sport, na contestada Copa União. Em 1988, mais uma vez bateu na trave e foi vice-campeão estadual ao perder a decisão para o Corinthians.
Início da decadência
No início dos anos 90 ainda fez boas campanhas, como a terceira colocação no Brasileiro de 94 e a sexta em 96. No final da década entrou o declínio e começou o calvário. Em 2001, foi rebaixado para a Série A2 do Campeonato Paulista. Salvo pela mudança no calendário nacional, disputou o Torneio Rio-São Paulo de 2002, sendo que também foi rebaixado.
Bonde do Leonel afundou o BugreO martírio continuou nos anos seguintes, com os rebaixamentos no Campeonato Brasileiro (2004), Série B (2006) e Paulista (2006 e 2009). Em meio à essas quedas, subiu para a elite paulista em 2007, caindo dois anos depois, e para a Série B em 2008.
Em 2009, houve dois semestres distintos. No primeiro, frustração e sofrimento com a queda no Campeonato Paulista; no segundo, surpreendeu o Brasil com uma campanha impressionante na Série B e alcançou o acesso para a elite nacional como vice-campeão da competição.
Em 2010, porém, amargou outra queda e voltou para a Série B, além de decepcionar e não conseguir o acesso ao Paulistão, fato que só ocorreu um ano depois. O segundo semestre de 2011, contudo, voltou a ser de muito sofrimento para a torcida bugrina, que viu o clube dever cinco meses de salários a jogadores e funcionários, além brigar a maior parte da Série B contra o rebaixamento.
Ditadura…
Contudo, não foi isso que aconteceu em 2012. Em uma atitude digna de um grande ditador, Marcelo Mingone tomou posse na base da “força”. O início de sua administração até deu impressão de que, enfim, o calvário bugrino estaria perto do fim.
Mingone atacou de ditadorSalários em dia, boas atuações e, por fim, a chegada à decisão do Paulistão. Os horizontes do Guarani pareciam estar mudando. Ledo engano. No segundo semestre, a sujeira da administração nefasta de Mingone vieram à tona, sobretudo as negociações obscuras de jogadores. Concomitantemente, veio o rebaixamento na Série B.
Diante de um cenário devastador, Mingone também foi forçado a renunciar. E ele nem se deu o trabalho de explicar o paradeiro do dinheiro das vendas de jogadores como Bruno Mendes, Gabriel Boschilia, Léo Citadini, Adelino… além, é claro, do adiantamento das cotas do Paulistão 2013.
A herança maldita era o ingrediente que faltava para que a nova diretoria assumisse uma “bucha de canhão”. Situação praticamente impossível de se contornar a curto prazo. Pior para o torcedor, que tem de conviver com mais um ano na Série A2 do Campeonato Paulista.
Guarani tenta salvar o ano com Copa do Brasil e Série C
2014 terá um final feliz?
O ano não começou bem para o Guarani. Na disputa da Série A2 do Campeonato Paulista, a equipe fez uma péssima campanha e, mesmo faltando duas rodadas para o término da competição, o time não tem mais chances de conseguir o acesso à elite do futebol no ano seguinte.
Porém, dois campeonatos ainda estão em jogo, e junto com eles a possibilidade de salvar um ano que começou trágico. Nesta quarta-feira, o Bugre inicia sua caminhada na Copa do Brasil contra o Santa Rita-AL, às 15h15. No final de abril, o Guarani começa a longa jornada pela Série C do Campeonato Brasileiro.





































































































































