Palmeirense ilustre dá a sua opinião sobre eleições no clube
São Paulo, SP, 21 (AFI) – As eleições para a presidência do Palmeiras estão pegando fogo. Em meio às crises que o clube vive dentro e fora de campo, os torcedores ilustres que participam do ambiente político já começaram a expressar suas opiniões. O economista e professor Luiz Gonzaga Belluzzo foi o primeiro a tomar tal iniciativa.
O ex-candidato a presidência redigiu uma carta, expondo toda a sua opinião e postura sobre essas eleições. No documento, Belluzzo mostra total apoio a continuidade de Affonso Della Mônica, que assumiu o cargo que era de Mustafá Contursi em janeiro de 2005. Confira na íntegra a carta de Luiz Gonzaga Belluzzo.
Votar em Della Mônica é recuperar nossa grandeza
Em nome da imensa comunidade palmeirense, de 15 milhões de brasileiros que vibram com o verde e branco, o Conselho Deliberativo do Palmeiras vai escolher o próximo presidente. A eleição do dia 22 de janeiro será um a das mais disputadas dos últimos anos. A controvérsia, a discordância e a divergência democráticas são fundamentais para o revigoramento do espírito de pioneirismo e ousadia que marcou a história do clube, desde a sua fundação em 1914.
O Palestra Itália foi um núcleo de formação da italianidade dos venetos, napolitanos, baresis, calabreses, toscanos, que deixaram os paeses logo depois do Risorgimento, a gloriosa jornada de unificação da Itália na segunda metade do século XIX. Ao longo do século XX, acolhemos sob a nossa paixão Alvi-verde as esperanças dos imigrantes de outras partes do mundo e de todas as partes do Brasil. O Palmeiras se tornou o mais brasileiro dos clubes de origem estrangeira.
A despeito da conhecida reserva de algumas figuras da elite nativa com os italianinhos, o povo do Brasil nos acolheu com generosidade. A gente brasileira recebeu com grandeza de alma a energia, o empenho e o impulso à inovação dos que chegavam à terra . Por isso, nossa origem está incrustada na memorável trajetória de progresso de São Paulo. Podemos nos orgulhar de ter protagonizado a passagem da economia primário-exportadora para uma complexa sociedade urbana industrial. Na saga da transfiguração, contribuímos, sim, como empreendedores e desbravadores de oportunidades econômicas. Também nas artes, nas profissões liberais, na política, na ciência e na cultura prestamos nosso tributo de amor ao Brasil.
O passado do Palmeiras lança um desafio ao seu futuro. Não basta reverenciar suas glórias e conquistas. É preciso reinventar o passado e isto significa revigorar a alma pioneira do clube. Assim fizemos em 1933 com o profissionalismo. Repetimos a façanha em 1992, construindo a parceria com a Parmalat, empreitada universalmente reconhecida como um caso de sucesso.
Sob a liderança de Affonso Della Mônica, um punhado de palmeirenses está empenhado na reabilitação do nosso futuro passado, expressão utilizada pelo notável historiador Reinhard Kosellek para exprimir o fenômeno da reciprocidade entre a dimensão temporal do passado e a projeção temporal futuro. São sólidas, portanto, nossas razões para rejeitar o passado recente, experiência trágica que mergulhou o clube na estagnação, na mesmice e no conformismo.





































































































































