Palmeiras vive à sombra do pior pesadelo

No único jogo que realmente interessa na última rodada, Verdão precisa superar as pernas pesadas e a mandinga dos baianos

Nada mais interessa no Campeonato Brasileiro. Definido o campeão e os times que jogarão a Libertadores da América, resta agora saber se o sofrido e sofrível Palmeiras

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Nada mais interessa no Campeonato Brasileiro. Definido o campeão e os times que jogarão a Libertadores da América, resta agora saber se o sofrido e sofrível Palmeiras consegue se manter na primeira divisão. Basta ao Verdão, diante de sua preocupada torcida, vencer o bom Atlético do Paraná para garantir a permanência e empurrar os dois times baianos para a série B. Mas não é tarefa fácil.

O fato de jogar diante de seus torcedores, o que usualmente seria uma vantagem, neste caso, em tal altura do campeonato, pode se transformar numa pressão extra para os jogadores. Tanto é verdade que reinou dúvida se o jogo decisivo seria mesmo na nova arena do Palestra ou transferido para o Pacaembú. Há o receio de que, em caso de uma derrota e da queda para a Série B, os revoltados torcedores destruam a nova casa do Palmeiras.

Dorival Júnior está apreensivo cm a campanha do Verdão e disse que mesmo que a equipe caia, quer permanecer - Divulgação

Dorival Júnior está apreensivo cm a campanha do Verdão e disse que mesmo que a equipe caia, quer permanecer

É muito provável que a torcida, mesmo sob forte tensão, apoie o time no início da partida decisiva. Agora, se vai continuar apoiando, isso depende do desempenho e da entrega dos jogadores dentro de campo. Mesmo em situação normal, vencer o Atlético do Paraná seria parada duríssima, porque, na verdade, o time paranaense mostrou ser melhor armado e mais consistente durante toda a competição. Em condições de risco, a tarefa é ainda mais árdua.

Deve-se observar também que o adversário jogará leve, longe de qualquer responsabilidade e pressão, enquanto o Palmeiras precisa evitar um estrondoso vexame no ano de seu centenário. Não tenham dúvidas de que as pernas estarão com peso extra e os nervos à flor da pele.

Mais que moldar taticamente o time para essa partida tão importante, o treinado Dorival Júnior deverá concentrar uma parte especial do trabalho desta semana no sentido de preparar seus comandos para atuar com inteligência e serenidade. Sem o que, nenhum esforço técnico será suficiente para levar o time ao único resultado que lhe interessa.

É claro que o Palmeiras pode ainda contar com derrotas de Bahia e Vitória na mesma rodada, uma vez que, caso isso venha a acontecer, mesmo sem vencer o Verdão vai permanecer na elite. Mas, sinceramente, entendo a probabilidade dessa combinação de resultados acontecer quase impossível. Portanto, se quiser continuar na Série “A” os jogadores do Palmeiras terão que conquistar a vitória em campo, mesmo com suas pernas pesando muito mais que o habitual.

O elenco do Palmeiras é limitado e todos concordam com isso. Mas, batendo na mesma tecla, a diretoria do clube fez por onde levar o time a tal situação. Depois de Gareca pedir a contratação de vários argentinos, o balaio de gatos foi entregue a Dorival no meio do caminho. Não há técnico que faça milagre e consiga tirar leite de pedras tão ressequidas.

Não há como culpar Dorival que, se não é o suprassumo dos treinadores tupiniquins, também não é tão incapaz. Está na média bem ruim dos nossos técnicos.

A diretoria se borrou de medo antes da hora. É bom lembrar que Gareca ainda contava com a confiança da torcida quando seu projeto foi abortado por causa dos maus resultados em campo. Uma pena. Porque Gareca é muito bom treinador, e, caso conseguisse implantar o padrão de jogo que gostaria, certamente o Palmeiras teria outra sorte na competição.

Malas pretas à parte, o Palmeiras precisará de toda força, energia e futebol para escapar do vexame neste final de semana. Rezar agora é de pouca valia. Porque em questão de mandinga, os clubes baianos estão anos luz à frente…