Padarias viram 'point' de paulistanos em jogo matutino do Brasil

Muita gente também se espremeu entre os balcões e mesas para assistir a uma partida repleta de tensão

Muita gente também se espremeu entre os balcões e mesas para assistir a uma partida repleta de tensão

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Campinas, SP, 22 – Muita gente que pôde assistir à partida desta sexta-feira em casa lotou as padarias de São Paulo para ver a vitória do Brasil sobre a Costa Rica na Copa do Mundo. E até as 7 hora da manhã, compraram pães, frios e doces para o café reforçado – e enfrentaram filas gigantes, compartilhadas com quem teve a mesma ideia. Muita gente também se espremeu entre os balcões e mesas para assistir a uma partida repleta de tensão e que terminou aos gritos e aplausos.

Em uma padaria da Rua Estados Unidos, nos Jardins, zona sul, a fila das encomendas assustou. Um dos gerentes do lugar, que funciona 24 horas, afirmou que 3 mil pessoas passaram por ali – a média diária é de 5 mil.

“Vendemos dois quilômetros de sanduíches”, disse. “Vou levar uns sanduíches para as meninas. A loja só abre as 10h, mas a gente combinou de chegar antes e assistir ao jogo aqui, para ninguém ter de sair de casa na hora da partida e não poder assistir”, disse, toda paramentada de verde e amarelo, a comerciante Telma Porto, de 42 anos, dona de uma loja de roupas perto da padaria.

Foto do Centro de Campinas no momento do jogo.

Foto do Centro de Campinas no momento do jogo.

TODOS OS OLHOS NA SELEÇÃO

Atender a todas as encomendas fez as padarias da cidade terem de reforçar o quadro de pessoal da manhã. Desde as 4 horas, padeiros e confeiteiros se acotovelaram nas padarias. Na hora da partida, tudo parou para eles também verem a seleção.

As principais arquibancadas, entretanto, foram entre os clientes. Neymar não ouviu, mas foi cobrado também nos balcões da capital. Quando o holandês Bjorn Kuipers, árbitro do jogo, gesticulou que o camisa 10 falava demais, os frequentadores de uma abarrotada padaria da rua Haddock Lobo, na Bela Vista, centro, foram ao delírio. Naquela hora, metade do segundo tempo, não havia suco ou sanduíche sendo servido nas mesas que aliviava a tensão.

REAÇÕES COM ATUAÇÃO DE NEYMAR

Um grupo, todos funcionários de um escritório na Avenida Paulista, que foram liberados para o jogo, crucificou e depois beatificou o jogador. “Ele só cai, só se joga, só quer atenção. É mimado demais”, disse a supervisora de qualidade Ingrid Tomás Pessoa, de 31 anos. A padaria também será o local do jogo da próxima quarta-feira. Quando, nos acréscimos e depois de toda a aflição, marcou o segundo, ela e os colegas entoaram um canto dizendo “Neymar”.

A euforia do resultado final, e do segundo gol já após os acréscimos indicados pelo juiz, acabou tendo de se transformar em paciência. Todo mundo tinha hora para voltar aos escritórios. E a fila para pagar estava enorme.