'Os fortes ficarão mais fortes', projeta ex-técnico do Arsenal

O francês Arsène Wenger é o chefe de desenvolvimento do futebol na Fifa

O francês Arsène Wenger é o chefe de desenvolvimento do futebol na Fifa

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Campinas, SP, 09 (AFI) – Atual chefe de desenvolvimento do futebol na Fifa, o francês Arsène Wenger concedeu uma longa entrevista ao site The Athletic. Nela, ele externou pessimismo com o mundo da bola após a pandemia de covid-19, a qual já vem sendo superada em diversos países após longa paralisação de campeonatos.

Arsène Wenger, 70, foi atleta profissional na década de 1970 e 1980, mas ganhou maior notoriedade mesmo como treinador do Arsenal após dirigir Nancy e Monaco. Ficou nos londrinos entre 1996 e 2018, período no qual conquistou três edições do ‘Inglesão’, sete da Copa da Inglaterra e sete Supercopas da Inglaterra.

Arsène Wenger

Arsène Wenger

CONFIRA EM DETALHES O QUE DISSE O EX-TREINADOR

DIFERENÇAS ECONÔMICAS DEPOIS DA PANDEMIA
Os fortes ficarão mais fortes, os fracos ficarão mais fracos. A diferença pode ser aumentada. Se você olhar para as previsões econômicas, parece que toda a produtividade irá cair de 8 a 10% pela Europa. O Banco Central da Europa já prevê que no próximo ano, estaremos no positivo novamente.

Eu acho que não mudará muito economicamente para os grandes clubes. O que é terrível é que as divisões mais baixas irão sofrer muito. O problema real do jogo não é o nível mais alto. O problema real do jogo está nas divisões mais baixas.

Há muito trabalho à frente. Eu vejo isso agora na Fifa. A diferença entre a Europa e o resto do mundo se tornou cada vez maior, e há muita coisa necessária no desenvolvimento do futebol para conseguir competições regulares para as categorias de base, conseguir competições regulares para o futebol feminino.

Duas coisas são vitais: criar fundos de urgência dentro das ligas para ajudar os clubes que precisem disso para sobreviver e também financiar o desenvolvimento de futebol das categorias de base.

FUTEBOL INGLÊS RETORNANDO SEM TORCIDA?
O que torna especial na Inglaterra é o modo como as pessoas reagem ao jogo. É a melhor liga do mundo pelo modo que as pessoas respondem ao que está acontecendo em campo. É por isso que será o campeonato mais afetado por não ter torcida.

Você percebe que o futebol sem os torcedores não é real. Você tem dois elementos nos jogos de futebol: os jogadores e os torcedores que vão para os estádios e as pessoas que assistem pela televisão. Você divide a primeira seção se os torcedores precisam ficar em casa. Apenas uma parte do espetáculo é dos jogadores. Você percebe o quanto você sente falta da outra parte.

Para o jogo em si, uma das primeiras coisas que eu percebi é que os times menores sem os torcedores têm uma diferença ainda maior para os times mais do alto. Na Alemanha, por exemplo, você pode ver que os jogos em casa contra os maiores adversários que há um elemento faltando – aquela tensão, aquela fé, aquela motivação estão vindo de fora do campo.

Você vê que a motivação interna do clube não é grande o suficiente contra os grandes clubes. Os times maiores têm mais qualidade, então uma forma de reduzir a diferença entre os times é, claro, ter o apoio dos seus torcedores e colocar aquela intensidade no jogo. Não vamos esquecer da influência na arbitragem e no time adversário também.

FAIR PLAY FINANCEIRA NA EUROPA
Eu lutei muito pelo Fair Play Financeiro. O que eu lamento é que quando eu lutava, os times tinham permissão para fazer o que queriam e esses times estão no poder agora, em posições fortes na liga. Eles são hoje em dia, é claro, apoiadores do Fair Play Financeiro porque convém a eles. Mas eles não querem que ninguém novo chegue e seja uma ameaça.

Talvez devêssemos abrir a porta e sermos muito cautelosos eticamente. Ao criar mais flexibilidade nos resultados, talvez nós tenhamos que abrir a porta ou garantir que todo mundo tenha os mesmos recursos. É tudo muito previsível agora. Por exemplo, na França, antes do campeonato começar, todo mundo pergunta ‘Quem será o segundo?’.

Sim, eu estou convencido que a Uefa está consciente disso. Embora eu não esteja completamente convencido de que um teto salarial funciona. As pessoas falam de teto salarial nos Estados Unidos, mas você tem no mesmo time um jogador que ganha US$ 5 milhões e outro que ganha US$ 50 mil. Isso também não funciona.

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