Carpini impõe o seu estilo e Fábio Moreno apenas olha

Inter de Limeira surpreende a Ponte em Campinas diante de Fábio Moreno que só viu 'a banda passar'

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

A história desta derrota da Ponte Preta para a Inter de Limeira por 1 a 0, na noite desta segunda-feira, é contada de formas diferentes por aí, mas o principal enfoque deve ser dado a um treinador que do limão consegue fazer uma limonada razoável, contrastando com outro que apenas o tempo dirá se vai aprender a deixar o suco saboroso.

Do limitadíssimo time da Inter de Limeira, vê-se claramente um modelo de jogo.

No estilo que o seu treinador Thiago Carpini não abre mão, o time da Inter de Limeira sai jogando. E neste contexto há seguida participação do goleiro Jefferson Paulista no toque de bola.

E como apenas o lateral-direito Matheus Alexandre tem ousadia para se desvencilhar de adversários na saída de bola, prudentemente Carpini providencia que o seu meia Rondinelly recue para organizar essa saída de bola.

A partir daí tenta-se construções de jogadas basicamente no lado direito, com participação do atacante Felipe Saraiva, aproximação do centroavante Roger e avanços de Matheus Alexandre.

GOL DE ROGER

A rigor, foi numa destas jogadas que a Inter chegou ao gol aos dez minutos do primeiro tempo, quando Matheus Alexandre cruzou, o zagueiro pontepretano Ruan Renato ficou marcando a própria sombra, e disso se aproveitou Roger para, num chute rasteiro, no canto direito, fora do alcance de Ygor Vinhas, marcar para a Inter.

Ora, é até admissível que o treinador da Ponte Preta, Fábio Moreno, desconhecesse características de equipes dirigidas por Carpini, mas o intolerável foi não aproveitar o intervalo para exigir forte marcação na saída de bola do adversário, de forma que ela fosse 'quebrada' e o seu time pudesse recomeçar as jogadas.

APODI

Se Moreno sequer consegue corrigir essas obviedades, como esperar dele padrão de jogo para o seu time? Como projetar jogadas ensaiadas ou aprimoramento técnico de atletas?

De que adiantam seguidas viradas de jogo para avanços do lateral-direito Apodi, se não existe jogada combinada pelo setor quando ele recebe a bola?

Aí, quase que invariavelmente Apodi cruza a bola de forma aleatória, e o adversário rechaça ou recomeça a jogada.

Erros de conceituação de jogo na Ponte Preta passam pela escalação da equipe.

PAULO SÉRGIO

Se está claro que o atacante Paulo Sérgio não merece camisa de titular da equipe, por que a insistência?

Por que a volta à equipe do atacante de beirada Pedrinho, na ausência de Niltinho, lesionado?

Enquanto isso, Carpini, mais atento ao futebol do adversário, tratou de duplicar a marcação sobre o atacante pontepretano Moisés, pela percepção que numa jogada individual ele pudesse definir.

Por essas e outras, quem diria que a diferença de conceituação tática de Carpini para Moreno fosse flagrante?

Isso não invalida a tese de que o elenco pontepretano é limitado, foi mal montado, mas é difícil para o pontepretano medianamente entendedor de futebol engolir essa teimosia de seu presidente Sebastião Arcanjo na manutenção de Moreno no comando técnico.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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