Logo tudo volta ao normal uma ova!

Logo tudo volta ao normal uma ova!

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Esse troço de live está na moda, e a Ponte Preta embarcou nessa para apresentação oficial do meia Camilo, vindo do Mirassol, nesta quinta-feira, para integrar o elenco.

Pelo clima festivo, nem parece que a Ponte está ameaçadíssima de rebaixamento na sequência do Paulistão, e questiona-se se é hora de contratações, considerando-se a incerteza geral do futebol e atividades econômicas no país, devido à pandemia do coronavírus?

Há recursos para pagamentos de salários de jogadores sem receita de televisão, de bilheteria, inadimplência do programa sócio-torcedor e enfraquecimento de projetos de marketing?

Há quem argumente que contratações e especulações servem pra desviar o foco do torcedor.

Seja como for, cartolas da Ponte rezam a cartilha 'vendida' em slogan de televisão de que 'tudo passa'.

A história mostra resquícios pós-guerra e pós-pandemia.

Será que tudo voltará à normalidade como podem prever diretores da Ponte Preta, para encaminhamento dos negócios?

ECONOMIA PADECE

Com decretos de governadores estabelecendo quarentena, atividades comerciais que não sejam de primeira necessidade e entretenimentos estão fechados.

Sem consumo na ponta final dos produtos, a indústria desacelera e a economia padece.

Com empresas descapitalizadas, o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, estima em dois milhões o número de desempregados nos últimos dois meses. E estão inclusos na contagem jornalistas e radialistas.

Ora, como tudo vai voltar ao normal?

VACINA

Michael Ryan, diretor-executivo da OMS (Organização Mundial da Saúde), projeta longo caminho até o fim da pandemia. Por isso sequer cogita descoberta de vacina até o final do ano.

Diante do cenário, a professora Lilia Schwarcz, da Universidade de São Paulo, adverte que aquele mundo de antes não existe mais.

Logo, alerta que hábitos de consumo serão modificados, com as pessoas preocupadas em economizar.

Eis a questão: com dinheiro contado, estaria o futebol entre as prioridades das pessoas? E aquelas são renda?

Quem projeta que aquele torcedor fanático não se modificou em nada, o prudente seria esperar o andar da carruagem para manter a convicção.

LEANDRO KARNAL

Leandro Karnal
Leandro Karnal

Renomado historiador brasileiro Leandro Karnal, sabatinado no canal CNN sobre relações pessoais pós-crise, ilustrou o cenário em comparativo que remete as pessoas à reflexão.

“Há três meses, se alguém dissesse que viu tanta gente entrando num prédio com máscara, os mascarados seriam detidos por tentativa de assalto. Hoje, quem está sem máscara é visto como infrator”.

Exemplos estão aí aos montes sobre mudanças de comportamento.

Educação à distância foi sedimentada. Empresas constatam até ganho de produtividade em atividades homi office. Defensores de desestatização de bancos públicos de certo refletem sobre a importância da Caixa Econômica Federal, para saques dos R$ 600 aos desamparados.

Quem não dava um vintém ao SUS (Sistema Único de Saúde), agora é informado que países de primeiro mundo, como Estados Unidos, não contam com sistema de saúde universal bancado pelo governo federal.

MORTES BANALIZADAS

Como tudo volta ao normal se mortes são banalizadas como estatística?

Até o rito do luto é observado sem exposição dos corpos, pois os caixões são lacrados.

Não bastasse tudo isso, o abalo psicológico é predominante na população. Aqueles isolados sofrem de tédio, depressão e medo do contágio.

Quem, pelo dever de ofício se aglomera em transporte coletivo, clama ao divino para que o resguarde da iminência da doença.

Assim, com previsão de quadro indefinido, soa até como deboche a frase 'logo tudo volta ao normal'.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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