Opinião Silvio Gumiero: Quando o esquema não se encaixa

Veja essa escalação: Wilson, Nelson, Samuel, Araújo e Santos; Teodoro e Roberto Pinto; Alan, Dicá, Manfrini e Adilson. É a Ponte Preta do final dos anos 60, dos técnicos Cilinho, hoje coordenador da base do Corinthians e do saudoso Zé Duarte. Eu tive a oportunidade de jogar com Wilson, hoje auxiliar técnico do Geninho, Adilson, ponta esquerda nato que se sagrou campeão carioca pelo Fluminense e Dicá, o grande Mestre Dicá.

nelsinho 0041 1O Nelson dessa escalação é o Nelsinho Batista, hoje técnico de futebol que foi demitido pelo Corinthians. A temporada de 2007 foi péssima para o Nelsinho. Na Ponte Preta disputou o Paulistão com o objetivo de fazer uma boa campanha. Não conseguiu, perdendo para o Noroeste a classificação para a final do título do interior.

Depois tentou levar a Ponte Preta para a Série A, e como não conseguia ficar entre os 4 primeiros durante quase 30 rodadas, foi demitido. Imediatamente acertou com o Corinthians, trabalhando para tentar tirá-lo da zona de rebaixamento. Depois de 11 jogos, com 5 derrotas, 4 empates e 2 vitórias, entrou para a história corintiana como técnico rebaixado.

Fazendo a minha função de comentarista, vou analisar a parte tática do Nelsinho em 2007, como sugere o título dessa coluna. Nelsinho, na sua carreira de técnico sempre foi adepto ao 4-4-2 e suas variações, como ele mesmo declarou várias vezes. Assim ele tentou implantar esse esquema na Ponte Preta no Paulistão.

Após uma vitória contra o Rio Branco em Americana, onde jogou no 4-4-2, disse que a seu time estava pronto para a temporada e jogaria dessa maneira. Mas como ele tinha contratado os dois alas do Bragantino, Júlio César e André, e queria que eles fossem titulares, começou a jogar no 3-5-2, com zagueiros que também não fizeram uma boa temporada.

No Corinthians ele não teve alternativa. Precisava primeiro não tomar gols para depois tentar fazê-los. Jogou sempre no 3-5-2, acredito que contra a sua vontade. Eu sei da capacidade do Nelsinho Batista, um técnico competente e vencedor. Tomei conhecimento do seu trabalho no Goiás, em uma aula que ele ministrou na Unicamp, no curso de técnico de futebol, do qual eu fui aluno. Agora Nelsinho precisa esquecer a temporada de 2007 juntamente com o 3-5-2. Como diz o italiano” In bocca al lupo grande mister in 2008”, isto é “Boa sorte em 2008 grande técnico”.