Opinião FBA: Terça quente, decisões e torcedores
Campinas, SP, 03 (AFI) – Aos poucos, com a iminente chegada da Primavera, as temperaturas vão subindo em todo o Brasil. Se moramos em uma país continental, com várias regiões do mapa apresentando climas e povos diferentes, é na primavera que começam a parecer as semelhanças do lugar onde vivemos. Além de ser a estação que propicia o espetáculo da natureza, com flores de todos os tipos desabrochando pelos mais ricos solos, é quando a temperatura começa a subir sem parar, como o prenuncio de um verão mais uma vez escaldante. Concomitante a isso tudo, os gramados e estádios desta nação começam também a ganhar cores e climas diferentes. Em todas as divisões dos campeonatos nacionais, um misto de insegurança, aflição, desespero, confiança, fazem a temperatura esquentar em todos os seus âmbitos. E, de maneira nenhuma, isto poderia ser diferente no excelente Campeonato Brasileiro da Série B.
Depois de uma 22ª rodada sem grandes surpresas, quando tivemos apenas uma equipe ganhando sua partida fora de casa, o Ipatinga contra a Portuguesa (e ainda assim, com os portões do Canindé fechados), a Super Terça está mais do que apimentada. Para iniciar nossa explanação, podemos citar o confronto entre Ipatinga e Vitória. Se um foi o único a conquistar os três pontos atuando fora de casa na rodada anterior, o outro, pela primeira vez, empatou na competição. Após onze vitórias e dez derrotas, o time baiano finalmente saiu de campo com o marcador igualado ao adversário. E, embora tenha empatado em casa, comemorou muito o resultado. Isto porque estava atrás no placar e empatou nos acréscimos, contra o Ceará. Ipatinga e Vitória, que proporcionaram os resultados mais, digamos inesperados, da última rodada, farão um duelo pra lá de imperdível.Como de costume, vamos indicar o chamado jogo da rodada. Pela obviedade do momento na competição, realmente a partida não poderia ser outra, senão Marília x Criciúma. Embora as duas equipes tenham mostrado uma irregularidade preocupante em seus mais recentes compromissos, este é o típico jogo que pode levantar de vez um clube. Ou fazer o outro a cair em desgraça. Os dois donos das melhores campanhas da Série B (se considerarmos as partidas ganhas pelo Marília em que foram descontados os pontos por uso de um jogador irregular) são ocupantes do G4 há muitas rodadas e vivem momentos parecidos, com apenas uma vitória nos últimos seis jogos. Neste curto período, eles somam três derrotas e dois empates. O Tigre viu sua liderança, até então absoluta, ser ameaçada e quase perdida para o Coritiba. Já o MAC, que parecia ter se consolidado de vez no G4, se mantém neste grupo graças ao maior número de vitórias que tem sobre outras três equipes que estão com seus mesmos 34 pontos na tabela de classificação. Como o jogo é na casa do time paulista, a responsabilidade maior para a obtenção do resultado positivo é mesmo do Marília. Vai sair faísca!
Em São Caetano do Sul, teremos um confronto que há poucos anos poderia ser visto na Série A do campeonato nacional. São Caetano e Coritba, embora desde o início tenham sido apontados como pesos pesados da Série B, vivem situações completamente opostas. O time da capital paranaense, mesmo que tenha vivido alguns problemas a respeito da permanência do bom treinador René Simões, parece que entrou no G4 para não sair mais. Além disso, já está ameaçando a liderança do Criciúma, que por muito tempo esteve meio que inalcançável. Já o Azulão vem sendo umas das grandes decepções da Série B. Com um elenco qualificado, não conseguiu ainda tranqüilidade para engrenar na competição. As constantes mudanças na comissão técnica são sintomas de dificilmente o clube do ABC Paulista conseguirá se organizar a tempo de brigar pelo acesso à Série A. O melhor a fazer seria terminar este campeonato com dignidade e sem riscos, já que está perto da zona do rebaixamento, vislumbrando um 2008 melhor. O contraditório nesta história toda, é que o ano de 2007 começou melhor do que se imaginava para o São Caetano, com um time que encantou São Paulo no primeiro semestre. Talvez o sucesso tenha chegado cedo demais ou na hora errada.Apesar da derrota para o Paulista na última rodada, o Brasiliense se manteve na terceira colocação, com 36 pontos. E para não ficar contando com uma combinação positiva de resultados, o time da Capital Federal terá de passar pelo Santo André, que venceu três dos seus últimos quatro jogos. O Jacaré, coitado, sem saber o que fazer com a escassez de água na região central do Brasil, terá agora que arrumar uma maneira de se refrescar da alta temperatura que promete fazer nos próximos tempos.
Longe do G4 e fazendo campanha aquém de suas tradições, Santa Cruz e Fortaleza farão um dos clássicos mais populares do Nordeste. Na zona do rebaixamento, o Santa precisará, como nunca, da força de sua torcida que lotará o Arruda, como sempre. Pelo lado cearense, a esperança é que o técnico Zetti consiga melhor um padrão de jogo para a equipe. Caso contrário, a tendência é de mais uma mudança no comando do time.Maior rival do Fortaleza, o Ceará tentará se aproximar um pouco mais do G4, após o ponto obtido na Bahia. Para tal, terá pela frente a Portuguesa. O clube paulista, por sua vez, vai em busca dos preciosos pontos perdidos em casa na última rodada, que o deixou fora do G4, após mais uma vez ter ficado tão perto do êxito. Partida sem favorito e com tendência de jogo franco e emocionante.
Se a Portuguesa frustrou seus torcedores (que não puderam comparecer ao Canindé) com a derrota em casa, talvez a maior tristeza em um estádio de futebol na última rodada tenha sido no Rei Pelé, em Maceió. O CRB vencia por 2×1 o Santa Cruz até os acréscimos do segundo tempo. O resultado poria o clube de Alagoas no tão sonhado G4, que estava fazendo sua torcida festejar e curtir com o melhor sabor do mundo os dois gols do ídolo Júnior Amorim. Pois quando as magias do futebol dão suas caras é que podemos perceber o quanto este esporte pode ser o caminho para a felicidade ou a tragédia. E esta tênue distância para os dois extremos é que fazem o torcedor voltar ao estádio na próxima rodada.Teremos, portanto, mais uma terça-feira feira daquelas inesquecíveis para os admiradores do futebol brasileiro. Com um controle remoto nas mãos, qualquer um pode fazer uma viagem no que tange às mais diferentes emoções e situações que uma partida proporciona. É de certo, todavia, que este telespectador há de ficar deveras indeciso e confuso, como aquela criança que chega ao departamento de brinquedos de uma loja e não sabe com qual quer brincar e ficar. Existe a certeza também que o torcedor com o ingresso comprado viverá uma intensa noite de terça-feira junto à sua torcida. O que não conseguimos prever ainda (ainda bem!), é se o sujeito vai sair triste ou contente do estádio. Mesmo sem saber, esta incessante e impossível resposta é a mola propulsora de sua volta ao campo de jogo na próxima rodada. Ah, o futebol…
Críticas e sugestões para o e-mail [email protected]





































































































































