Opinião Fauzi Kanso: Nei Semedo, o Rei da Confusão
Há exatos quarenta anos conheço e sou amigo de Nei Semedo. Talvez o leitor também o conheça, ou ouviu alguém falar dele. O Nei é uma figurinha carimbada. Torcedor mais que fanático da Ponte Preta. Onde chega, mesmo não conhecendo ninguém, em poucos minutos faz amizade ou arruma encrenca.
O Nei, com uma velha kombi, vende frios: linguiça, salames, queijos, charques e, principalmente, cudiguim, famosíssimo pela qualidade inalterada há mais de 30 anos. Quem gosta díz que é uma delícia. Foi nesta kombi e vendendo tais ingredientes é que o Nei formou sua maravilhosa família de cinco filhos fantásticos.
Família maravilhosa
Hoje, claro, todos adultos, alguns casados que já presentearam o Nei e a dona Vilma com lindos netos. Um dos filhos é brilhante repórter esportivo da Rádio Central, José Henrique Semedo, que tem o comando de Alberto Cesar.
O Nei nunca deixou passar uma oportunidade para infernizar pessoas. Com ele, na kombi, viajava uma figura que levava dez ovos cozidos para se alimentar durante o dia. Num determinado dia, cansado de ver o amigo descascando e comendo ovo, o Nei, na surdina, trocou quatro ovos cozidos por quatro crús. Não preciso dizer o que aconteceu quando a pessoa teve um dos ovos esmagado nãos mãos, não é ?
Foice e orelha cefada
Outra virtude do Nei: arrumava encrencas e não fugia delas. Num jogo no campo do Cortume Cantúsio, envolvendo Campinas e Vila Teixeira, o Nei, acredite se quiser, arrancou a orelha de um desafeto. O Marinho era o técnico do Campinas e o Tolão, o massagista. O irmão do Nei, presidente. O juiz, Maurício Brandão. Só sei dizer que estas pessoas se envolveram em grande briga e o Nei, no meio do tumulto, acabou por levar uma “bolachada”.
Pronto. Ainda com o rosto ardendo de raiva, foi até a kombi e voltou trazendo uma foice. Procurou pelo desafeto e desferiu-lhe terrível golpe com a foice. Por sorte, num instinto de defesa, a pessoa fez um meneio com a cabeça. Foi a salvação. Ao invés de ter a cabeça rachada em duas partes, o agredido teve sorte de ter só a orelha decepada.
Viagens ao Rancho
Como foi proibido pelos filhos de ir aos jogos da Ponte para não arrumar confusões, o Nei começou a acompanhar os amigos Nanau, Pixoxó, Valtinho, Oliver, o barbeirinho, em viagens de um único dia. Saiam de manhã e invariavelmente iam para Atibaia ou Joanópolis visitar ranchos de amigos. O Nanau como bom cozinheiro, era sempre muito bem recebido. Os demais entravam na carona e, por fim, tudo acabava em festa por que cada um tinha um dom.
O Pixoxó, cuidava da salada. O Valtinho, expert em arrumar mesa. Barbeirinho abria e servia as bebidas. O Nei ?, arrumava confusão.
Numa dessas viagens, num rancho muito fino e de gente que recebia muito bem, o Nei, para ser agradável, ajudou a servir a mesa do almoço. Nesse dia, os donos do rancho estavam recebendo a visita de duas belas jovens ilustres e estudantes da USP em São Paulo. Gentil, o Nei pediu licença para fazer os pratos no fogão à lenha das duas jovéns.
Pimenta nelas!
Sabem o que aconteceu: ele socou pimenta pior que soda na comida e serviu. As moças quase morreram com o ardume, precisando ser socorridas pela afitriã.
Constrangido, porém, muito delicado, o proprietário do rancho pediu que todos se retirassem e que fizessem a gentileza de nunca mais voltarem por lá. O Pixoxó, raspando a garganta, levantando a cabeça e iniciando um discurso prá lá de alcoólico, onde certamente pediria desculpas, foi interrompido pelo dono da chácara num tom curto e grosso: sem maiores conversas, SAIAM!!!!
No caminho de volta a revolta contra o Nei foi muito grande, não por muito tempo, por que, logo depois, todos estavam gargalhando de lembrarem das caras que as moças fizeram quando puseram a comida na boca. O quinteto da desordem ainda encontrou tempo para uma parada num outro rancho. Lá, o proprietário vendo o estado de cada um e o Nei com a camisa da Ponte, já foi logo dizendo: “Sou bugrino e não posso aceitar aqui ninguém com a camisa do nosso adversário”.
Prevendo que o Nei não aceitaria a provocação, o mais ponderado que era o Nanau, cuidou de abortar a visita surpresa e indesejada. O final aconteceu no Bar do Bebé, na avenida Andrade Neves. Ah! se naquela epoca existisse o bafômetro…
AGRADECIMENTOS
Hoje gostaria de mandar abraços para alguns de nossos leitores ilustres: Gustavo Ceccato, gerente de área na 3M do Brasil; Leonel Martins de Oliveira, pecuarista em Goiás e presidente do Guarani F.C.;
José Antônio Batista, que reside em Columbus – EUA, onde gerencia uma empresa com mais de 20 mil funcionários em todo o mundo;
Eduardo Antunes, residente na Inglaterra, bugrino e filho de Vitorino Antunes; Professores Sebastião Gonçalves e Valdenir Rosseto, de Urupês SP;
Professor Francisco Deamo, Votuporanga; Dr. José Célio, famoso comentarista esportivo de Campinas; Sr. João Bosco de Oliveira, cirurgião cardíaco do Hospital Beneficênça Portuguêsa, São Paulo; João Gonçalves, São José do Rio Preto e Matinas Suzuki, diretor do Jornal Bom Dia.





































































































































