Opinião Fauzi Kanso: Cadê os bons goleiros?
Já escrevi aqui no Futebol Interior sobre goleiros. Fiz uma coluna só para o Raimundinho, que atuava pela Votuporanguense. Repito, foi o melhor da posição que conheci em toda a minha trajetória de jogador (também goleiro), narrador esportivo e, escrevendo sobre o esporte bretão. Hoje, qualquer elemento joga no gol. Sabe por quê? Basta rebater a bola para qualquer lado e pronto.
Antes, e aqui não tem nenhum uma linha de saudosismo, o atleta para ser goleiro treinava exaustivamente. Eram horas de aprimoramento de reflexo e de agachamento com uma das pernas cruzada para não tomar no meio delas. Havia treinamento para saber sair do gol e interceptar o cruzamento. Outro treinamento importante: aprender a defender com os pés.
Os treinamentos
Sim, fazia parte do reflexo. Quando alguém cabeceia no chão, não a tempo de ir à bola, então, o pé tem que entrar em ação, e rápido. Ai o locutor menos avisado grita: “defendeu de susto…” O melhor goleiro que vi defendendo com os pés foi Dimas, no Guarani.
Eu não vou aqui fazer comparações com os goleiros atuais com os um pouco mais antigos. Não temos na atualidade nenhum goleiro para ser chamado de ótimo. Ah! tem sim, e dois: Rogério Ceni, pelos anos a fio sendo sempre o melhor jogador do São Paulo, não só defendendo como também marcando gols. O outro é o Marcos, do Palmeiras.
Aliás, no Campeonato Paulista passado, houve uma tremenda injustiça com o Marcos. Ele carregou o Verdão nas costas. Foi, ao lado do irrequieto Valdivia, o melhor jogador do Palmeiras e do Campeonato. E quem foi eleito o melhor goleiro? Aranha, da Ponte Preta, responsável direto pelo gol tomado, no Moisés Lucarelli, na primeira partida da final. Por quê? Porque ficou olhando o cruzamento, não saiu para interceptar e há menos de um metro das suas mãos viu o palmeirense fazer o gol.
Melhor seria revelação
Não estou querendo dizer que o Aranha seja um tremendo frangueiro. Longe disso. Ele deveria ter ficado com o prêmio “Revelação”, nunca como o melhor do campeonato.
Mas, voltando aos antigos, lembro-me do argentino José Poy, goleiro do São Paulo. Ele tinha tanta noção de posicionamento que não sujava o uniforme. Sim, onde o atacante chutava, o Poy estava lá para ENCAIXAR a bola. Eu disse encaixar e não rebater.
O Gilmar dos Santos Neves, primeiro no Corinthians, depois no Santos e principalmente na Seleção Brasileira, dava show. Saia da imobilidade no meio do gol e alcançava a bola no angulo, em vôo com muito estilo. Cai segurando a bola com muita firmeza.
Para vestir a camisa número um o goleiro tinha que ser impecável no comando dos zagueiros, coisa que não se vê nos dias atuais. Nesse quesito o melhor foi Leão, no Palmeiras, nos clubes em que jogou e também na Seleção Canarinho. Além de orientar a zaga, o Leão, que raramente dava rebote, soltava a bola com muita velocidade para os atacantes. Quantos gols fez o Palmeiras em contra-ataques armados pelo Leão…
Tomar gols no meio das pernas… Rebater bola nos pés do adversário… Não saber sair do gol… Não saber encaixar… Não saber comandar a defesa… Não saber arrumar uma barreira… Isto é coisa de hoje. Ontem, não. Para começar, era muito difícil o goleiro pedir barreira. Assim agindo, ele estava dando a cara pra bater, aumentando a responsabilidade do batedor que, só fazia gol, se chutasse muito forte, tipo Pepe, Rivelino e mais alguns outros.
Sem responsabilidade
Hoje, com a invenção da barreira, o goleiro não tem mais responsabilidade. Por quê? Porque todos sabem que se o batedor encobrir a barreira, o goleiro toma o gol e fica por isso mesmo.
Ah! falando em bater faltas, em todos os coletivos, antes e depois, os atacantes e até os zagueiros, treinavam cobranças de faltas. O Mineli, quando treinou o Guarani, exigia de cada atleta, no mínimo, vinte cobranças em cada treino antes do banho.
Pênalti também era treinado. Sabem por que o Rogério Ceni é o melhor batedor de faltas do Brasil? Porque ele treina diariamente. Não porque o técnico pede, não, ele treina por que quer ser sempre o melhor, e tem conseguido.
Nos dias atuais, e eu já vi isso, tem jogadores que entram em campo bocejando, ainda com sono. Outros ficam à beira do gramado falando ao celular. A última coisa que vão fazer, e com muita obrigação e má vontade, é treinar. Ah! se algum diretor chamar a atenção… Pronto, o grande profissional que ganha muito bem, sentindo-se ofendido, arruma uma contusão e, o final todos já sabem: chinelinho…
Se sou diretor de futebol de qualquer clube brasileiro, a minha primeira advertência: jogador não pode ter motocicleta. Posso arriscar o maior patrimônio do clube em cima de uma moto no trânsito caótico que temos? Outra proibição: ser expulso. Tem jogador que é expulso para ficar fricotando depois. Se for expulso vai ter que treinar todos os dias e ainda pagar multa. Celular? Sim, pode ter, mas não entrar com ele no campo. É fácil, não é?





































































































































