Opinião Edmar Ferreira: Aconteceu o que todos esperavam
O Independente seguiu os rumos da rival Inter e foi rebaixado
O Independente seguiu o exemplo da rival Internacional e também está rebaixado, arranhando ainda mais a imagem do desacreditado e bagunçado futebol limeirense. A vitória surpreendente do União de Mogi, em Guarulhos, diante do Flamengo por 3 a 2, tirou todas as possibilidades de a equipe limeirense lutar por sua permanência na Série A-3 de 2009 na última rodada. Desta forma, o time de Cândido Farias cumprirá tabela contra o Palmeiras B, domingo na Rua Javari. Taubaté e Santacruzense também caíram.
Sonho
A grande esperança do futebol limeirense em 2009 era o derby da Série A-3, mas o torcedor terá que aguardar uma nova oportunidade para ver os times juntos na mesma divisão. Enquanto o Leão jogará a A-3, o Galo enfrentará a assustadora Segundona, uma espécie de “futebol varzeano”, com todo respeito aos atuais integrantes. Eu nunca vi dois times de uma mesma cidade caírem no mesmo ano. Acho que essa vai para o Guinnes.
Lembrança
A última vez que o Independente disputou a última divisão do futebol paulista foi em 1999, onde conquistou o título de forma merecida e com uma campanha impecável. Naquela ocasião, foram 34 jogos, com 23 vitórias, 10 empates e apenas 1 derrota (para o Palestra por 3 a 2, em São Bernardo), com 71 gols marcados e 24 sofridos, saldo positivo de 47 gols. Dos 102 pontos em disputa, o time comandado por Edson Só faturou 79.
Difícil
A dificuldade em se jogar a Segundona é tão grande, que em 1998 o Independente disputou 26 jogos, com 12 vitórias, 6 empates e 8 derrotas, 51 gols pró e 36 contra, saldo positivo de 15 gols. Mesmo com esse retrospecto, a equipe galista não chegou as finais. O Independente voltará para a Segundona depois de exatos 8 anos participando da Série A-3.
Acostumado
Nesse período, o Galo foi apenas um time coadjuvante, que jamais brigou pelo acesso. O torcedor se acostumou com campanhas regulares e não tinha mais forças para cobrar bons resultados da diretoria. O galista se satisfazia apenas com o fato de o time permanecer na divisão, mas este ano não teve jeito e o rebaixamento está concretizado, para a tristeza de muitos.
Números
O Independente jogou 182 jogos em 8 anos de A-3, com 57 vitórias, 59 empates e 66 derrotas, tendo marcado 250 gols e sofrido 273, saldo negativo de 23 gols. Foram 91 jogos no Pradão, com 42 vitórias, 25 empates e 24 derrotas e mais 91 jogos fora de Limeira, com 15 vitórias, 34 empates e 42 derrotas.
Mais números
Dos 250 gols do Galo, Marcos Alemão, Celinho e Vítor Hugo são os maiores artilheiros com 11 gols cada um. O meia Gilmarzinho, hoje no Mixto Tabajara, foi o que mais atuou pelo Galo na divisão com 53 partidas, 4 a mais do que Rafael Braga, que não conseguiu superar o recorde. O técnico Edson Só é o recordista em jogos com 30, tendo obtido 11 vitórias, 9 empates e 10 derrotas, com 46 gols marcados e 39 sofrido, saldo de 7 gols. Foram utilizados 22 treinadores nos 8 anos de A-3, quatro somente nesta fatídica temporada.
A queda
Os galistas sabem que a Copa dos Renegados serviu apenas de ilusão para o torcedor, que naquela ocasião, não gritava “é campeão” desde a Série B1-A de 1999. A competição foi saborosa e bastante apreciada pelas duas vitórias no derby contra a Internacional por 2 a 0. E daí? O objetivo dos participantes era formar uma base para as disputas da A-3, mas ao contrário dos adversários, a equipe limeirense não manteve a mesma equipe, perdendo jogadores importantes como Mauro, Edinho, Floriano, Jefinho, Gilmar Baiano, Alê, Vítor Hugo, entre outros, tudo por conta de um “reajuste salarial”.
Presidente
O presidente José Marcelo de Assis, que vivia batendo no peito que brigaria não só pelo acesso, mas como pelo título da divisão, cometeu talvez um erro crucial ao dispensar Claudemir Peixoto para apostar nos “dólares” de Michael Robin, um dos aventureiros do futebol brasileiro. Ninguém conseguiu entender a substituição, uma vez que Peixoto merecia permanecer no cargo, pois além do título da Energil C, ele tinha livrado a equipe galista do rebaixamento na A-3 de 2007, tendo ficado sete partidas invicto. Era difícil engolir a explicação de que Peixoto “tinha apenas sorte”.
Poderia
Acontece que Assis poderia ter consertado o que fez no início do campeonato. Convidado a retornar ao Limeirão, onde tinha feito um trabalho regular na A-2 do ano passado, Robin não deu satisfações e deixou o Pradão logo após o empate contra o São Bernardo por 1 a 1, na rodada de estréia. Miro Capelozza fez um trabalho “tampão” e mesmo assim não decepcionou, colocando o Galo na liderança da competição após os 3 a 0 sobre o Osvaldo Cruz, fora de casa.
Esperança
A diretoria esperava anunciar parceiros que viriam do futebol paranaense, mas isso não foi concretizado. A solução foi a contratação de Nei Silva, que estava iniciando um trabalho no Velo Clube, time da Segunda Divisão. Foram duas derrotas seguidas contra Oeste Paulista, em casa, e Nacional, na Capital. A única vitória foi contra o União de Mogi por 2 a 0, além é claro, de um desastroso empate sem gols contra o limitado Força, em Guarulhos.
Mais tropeços
Outro erro grave da diretoria foi dispensar Nei Silva às vésperas do confronto contra o União Barbarense, tudo por conta de um desentendimento durante um jogo-treino contra o Bragantino, em Bragança Paulista, que não valeu nada. Roberto Martins e Marcelo Gomes assumiram interinamente e não evitaram a derrota por 3 a 1. Os próprios jogadores não concordaram com a atitude dos mandatários e entraram perdidos em campo.
Não atendia
A torcida pedia pela volta de Claudemir Peixoto, implorava por reforços, mas o novo técnico era Cândido Farias, que chegou com pinta de resolver todos os problemas do time, pois trazia consigo um currículo invejável. Nos dois primeiros jogos fora de casa, duas derrotas para Votoraty (1 x 0) e Linense (4 x 2). Em seguida dois empates por 1 a 1 contra Itapirense, no Pradão e Santacruzense, em Santa Cruz do Rio Pardo, considerados cruciais para o descenso. A derrota em casa para a Penapolense por 2 a 1 fez a diretoria se mexer. O primeiro nome da lista era Edson Só, mas o “baixinho” pediu alto e optou pelo XV de Piracicaba.
Osso duro
Por ser elogiado pelos jogadores e ter o diretor Roberval como defensor e “fiel escudeiro”, Farias permaneceu no comando, mas não mostrava resultados. O time não rendia em campo. A vitória convincente contra a Francana por 2 a 0, no chamado “jogo perfeito”, chegou a animar os galistas, pois entrávamos na reta final de competição. Faltavam 5 rodadas e a matemática galista era simples: vencer os dois jogos em casa contra XV de Piracicaba e Taubaté, o último contra o Palmeiras B e tentar um único empate contra Flamengo ou São Carlos.
Tudo errado
Nada deu certo e dos quatro jogos – sem contar o último que será contra o Verdinho no próximo domingo – o Independente ganhou apenas um, no fatal empate contra o Taubaté por 2 a 2. O time de Cândido Farias perdeu merecidamente para o XV de Piracicaba (3 x 0), Flamengo (2 x 0) e São Carlos (2 x 0), pois não apresentou nada que pudesse mudar a sua sorte.
Desculpa
Mantiveram Farias na esperança de “um jogo de compadre” na Javari por sua influência de cinco anos de Verdinho e agora será mesmo, apenas para o cumprimento de tabela. A preocupação com o rebaixamento da Internacional foi maior do que a própria permanência do Independente na A-3.
Futuro
Dificilmente o Independente participará de alguma competição neste segundo semestre. Com o rebaixamento, ele perde sua vaga na Copa Federação Paulista de Futebol. Existe a chance de jogar novamente a Copa dos Renegados de novo (se ela acontecer), mas quem gastaria mais dinheiro em uma competição que não leva a lugar nenhum?
Quer ficar
O presidente José Marcelo de Assis comentou que pode permanecer no cargo no ano que vem, formando um time mais competitivo e devolvendo o Galo para o lugar de onde não deveria ter saído. Mas comenta-se nos bastidores, que o empresário Roberto Martins também estaria de olho no time. Nesse caso, o Galo não teria que ficar dependendo de um único patrocinador, pois o mesmo arcaria com todas as despesas. De concreto até agora, apenas a degola.
Internacional
A diretoria da Internacional está se mexendo nos bastidores para formar um time competitivo em 2009, mas esse assunto eu vou comentar na próxima coluna, com mais tempo e com mais embasamento, pois o rebaixamento do Independente conseguiu me tirar do sério neste fim de semana.
A final entre Palmeiras e Ponte Preta está mais sem graça do que ir ao baile e dançar com a própria irmã.
Amigos do Esporte até a próxima





































































































































