Opinião Edgard Soares: Recordar é viver. Ou ser feliz duas..

Foto 01 oriRecebi amável e-mail de Marcelo Goldfarb, empresário de futebol. Quem tiver interesse em conhecer para quem ele trabalha ou administra a carreira, acessar o www.thinkball.com.br

Como todos sabem, pois deixei isso claro em inúmeras colunas e editoriais deste FUTEBOL INTERIOR, os empresários só ganharam importância no futebol em função da promulgação da Lei Pelé, esta medida madrasta para os clubes que os levaram, todos, à beira da falência.

O que motivou o e-mail de Marcelo não foi o fato de ele ser empresário de futebol, pois neste campo não temos pontos de convergência. Mas, sim, Marcelo ser neto de um querido amigo, Bernardo Goldfarb (foto: na primeira fileira, o quarto da direita para esquerda), falecido há praticamente duas décadas.

Como prometi contar alguma coisa sobre a vida de Bernardo e seu neto me cobrou a respeito, estou cumprindo a promessa.

Vamos lá:

Bernardo já era um homem realizado nos negócios quando se aproximou do Corinthians. Ele era dono das Lojas Marisa e um grande aplicador da Bolsa de Valores. Consta que chegou a certa altura a movimentar, sozinho, cerca de 5% do pregão.

Não tinha, portanto, qualquer interesse pessoal no clube.

Mas tinha um sonho: tornar-se presidente do Corinthians. E trabalhou para tal.

Os seus concorrentes políticos sempre fizeram uma carga muito grande contra ele. No fundo, a sua personalidade e a sua visão empresarial privilegiada, que deveriam ser fatores positivos, acabavam assustando a muitos no Corinthians e, porque não dizer, despertando ciúme nos demais.

Em duas oportunidades, Bernardo chegou perto de alcançar o seu objetivo. Eu estava a seu lado, em ambas.

Numa delas, ele tinha como certo o apoio de Wadih Helu numa eleição do Conselho Deliberativo que escolheria o sucessor de Waldemar Pires, em 1984.

Naquela época o apoio de Wadih era importante, quase fundamental. Wadih deu esperanças de que apoiaria Bernardo. Bernardo retribuiu, ajudando-o financeiramente na eleição para deputado estadual.

Matreiro, Wadih recebeu a polpuda ajuda de Bernardo, mas depois de eleito, mudou de atitude. Como entre uma eleição e outra decorriam poucos meses, Bernardo não teve oportunidade de se artircular no clube sem o apoio do ex-presidente. Wadih apoiou Roberto Pasqua que venceu as eleições contra Adilson Monteiro Alves.

Em outra oportunidade, eu ainda bem jovem, mas já conselheiro do Corinthians, conversando com o presidente Vicente Matheus, disse-lhe que conhecia um corinthiano que estava disposto a ajudar o clube. Matheus não deu importância e acrescentou que eu era muito moço e acreditava em Papai Noel.

Recorde-se que a palavra de Matheus naquela época era praticamente lei no Corinthians. Aquele aspecto bonachão e simplório de Matheus era só para uso externo, para a imprensa principalmente. Internamente, todos os presidentes, inclusive Matheus, eram autoritários: davam ordens e não discutiam mais o assunto.

Qualquer um teria se calado e ouvido o grande “sábio” que julgavam que Matheus fosse em matéria de Corinthians. Se ele dizia que não existia ninguém para ajudar o clube, não existia. Pronto. Ponto final.

Havia umas seis pessoas ouvindo esta conversa ocorrida na sala da presidência, que então se localizava embaixo das arquibancadas do Ginásio de Esportes e era uma espécie de toca, sem janelas. Lembro-me de estarem presentes Mário Campos, Presidente do Conselho Deliberativo e Wilton Magalhães, Vice-Presidente do CD. Meu amigo Flávio La Selva, primeiro presidente da Gaviões da Fiel e conselheiro, também estava lá.

Surpreendendo o presidente e a todos os demais, eu disse:

“Não seja por isso, presidente. Vamos colocar este assunto em pratos limpos. Dá licença… ( e tirei o telefone da mesa do presidente do gancho. Não havia celular, of course). Vou ligar agora mesmo para este meu amigo, ele vem aqui e confirma pessoalmente o que estou dizendo”.

Matheus se surpreendeu com minha postura, com meu atrevimento, ficou sem reação e eu liguei para Bernardo Goldfarb.

“Alô, seo Bernardo? Tá lembrado daquela conversa de o senhor ajudar o Corinthians? Estou aqui com o presidente Matheus e ele ficou muito feliz com a informação. Dá pro senhor vir aqui agora e confirmar a oferta? É…, isso mesmo, precisa ser agora. Então, tá legal, esperamos.”

Matheus ficou atônico.

“Você ficou louco?”

“Não seo Vicente”, eu disse. “Isto é só pro senhor não duvidar das pessoas. Agora o seo Bernardo vem aí e o senhor decide, se quer ou não a ajuda”.

Em menos de meia hora, Bernardo Goldbard chegou ao Parque São Jorge. Ele veio acompanhado de Sérgio Terpins, que depois viria a se tornar Vice-Presidente Social do clube e era dono da Vigotex, uma fábrica de vestidos. Marisa e Vigotex eram vizinhas. Ambas ficavam na Rua James Holland, na Barra Funda.

Bernardo e Matheus se entenderam, pelo menos naquele primeiro momento. Depois de duas horas de conversa, ficou decidido. O Corinthians contrataria dois jogadores importantes: Neca, habilidoso meia do Grêmio, de Porto Alegre, e Givanildo, este que hoje é técnico e atuava de médio volante no Santa Cruz do Recife. Eram bons reforços.

Quem pagou pelo passe dos dois? Bernardo Goldfarb. Detalhe: pagou e doou os passes ao Corinthians, sem nada pedir em troca.

Quando Matheus, tempos mais tarde, contrariando os Estatutos do clube decidiu manter-se no poder e candidatar-se à reeleição, uma ala importante da diretoria pediu demissão.

Bernardo acompanhou estes companheiros e só viria a se tornar Vice-Presidente de Patrimônio na gestão de outro presidente, Roberto Pasqua. Foi profícuo: construiu o Balneário, um Mini Ginásio, colocava-se sempre à disposição do clube para dar o seu aval em emprestimos bancários, ia assiduamente ao Parque São Jorge e estava, pela primeira vez, fazendo uma carreira política na agremiação.

Em todos estes momentos, eu estava a seu lado. Foi minha a idéia de ele se tornar Vice de Patrimônio. Tinham-lhe oferecedio a Vice de Futebol. Ponderei que todos sabiam como ele tinha ajudado o futebol (o passe de Zé Maria, o lateral campeão do mundo, também foi comprado com o dinheiro de Bernardo), mas que no Corinthians isso não bastava. Era preciso frequentar a sede social, criar amizades para se chegar à presidência.

Além disso, o futebol era uma montanha-russa. Ele poderia como Vice deste Departamento estar bem na quarta-feira e desgastado no domingo seguinte. Bastava duas derrotas seguidas e já o quereriam tirar do cargo. Já a Vice de Patrimônio lhe permitiria fazer um trabalho a médio prazo, mais consistente.

Sinto orgulho por ter convencido um homem poderoso e extremamente auto-suficiente como era Bernardo a mudar de idéia.

Senti, mais uma vez, que além da amizade, do fato de gostar de mim, ele me respeitava. Era bem mais moço que ele mas, para surpresa de muitos, ele me ouvia. E esta não era a primeira vez.

Deu tudo certo na sequência. Bernardo estava feliz nesta sua passagem pelo Corinthians.

Empresarialmente, então nem se fale. Tinha adquirido as Lojas Brasileiras, uma aspiração antiga e, de quebra, tinha ganho o premio de O Homem de Vendas do Ano, pela ADVB.

Ousado, sendo judeu, ele escolheu os salões do Monte Líbano para fazer a festa da entrega do prêmio. Foi um gesto importante. Vivíamos, para variar, momentos de tensão no Oriente Médio. Escolhendo o Monte Líbano, Bernardo estava demonstrando que a convivência entre árabes e judeus era possível e o gesto foi aplaudido por ambas as colônias.

Senti-me honrado quando ele me pediu para escrever o seu discurso de agradecimento na festa da ADVB.

Lembro-me como se fosse hoje. Bernardo despachava na sede das Lojas Brasileiras, na Rua Conselheiro Crispiniano. Meu escritório ficava em frente, na mesma rua.

Ao meio dia e meia, recebi um telefonema de Eraldo Infante, diretor comercial das Brasileiras. Ele pedia que eu encontrasse o “seo” Bernardo a uma da tarde. Fomos almoçar no Scoth, um restaurante tradicional de que ele gostava especialmente, no quarto andar de um prédio-galeria da Rua 24 de Maio.

Bernardo me deu a notícia do prêmio, deu-me a incumbência de redigir o seu pronunciamento e me passou o brief de como gostaria que fosse sua fala na festa de gala da ADVB. Pela delicadeza da situação, pelo stress político que ocorria nas margens do Rio Jordão, nada poderia sair errado. As palavras tinham que ser cuidadosas, se eu quisesse abordar o fato de um judeu estar discursando num clube árabe justamente num momento de enfrentamento entre eles.

Quando dois dias depois lhe entreguei o texto, ele sorriu e o aprovou: “Era isso o que eu queria: falar dos outros, não de mim. Será uma bela noite”.

E foi. Ao encerrar sua apresentação, Bernardo foi extremamente aplaudido. O presidente do Monte Líbano subiu ao palco. Os dois se abraçaram.

Bernardo também tinha um lado mecenas. Ele se converteu no maior colecionador das obras de Aldemir Martins, que por sinal era corinthianíssimo. No natal, presenteava os mais chegados com gravuras numeradas do pintor. Também era amigo de artistas. Os mais chegados eram Hebe Camargo, Araci de Almeida, Lolita Rodrigues, Nair Belo e seu marido Irineu Francisco.

Quando o famoso apresentador de TV Flávio Cavalcanti mudou-se do Rio para São Paulo, Bernardo lhe deu muita força. Pediu-me – e eu o atendi – contratando Cavalcanti para campanhas imobiliárias que tinham se tornado a especialidade de minha Agência de Propaganda.

Cavalcanti trabalhou para a Lopes, Hindi, Boghossian, Itaplan, Edel, em campanhas criadas pela Edgard Soares & Associados. Até que a Rede Bandeirantes descobriu que ele estava morando na cidade, o contratou e ele voltou a fazer sucesso na TV com o seu programa “Boa noite, Brasil”, de 2a. a 6a. feira.

O maravilhoso Hélio Ribeiro, o maior homem de rádio que este país já teve, resolveu ir morar em New York. A vida estava difícil por lá, Hélio tinha nada menos que seis filhos, todos pequenos. Ele telefonou para Bernardo e lhe contou a situação.

No outro dia, Bernardo me chamou na Marisa e pediu que eu criasse e comprasse o patrocínio de um boletim internacional que deveria ser feito diretamente de New York. E apresentado por Hélio Ribeiro.

Escolhi a rádio Excelsior, hoje CBN. Propus a contratação de Hélio Ribeiro e disse ao Juca Martins, contato da emissora, que nós bancaríamos o seu salário, além de patrocinar o boletim.

O departamento comercial, que era comandado por Neder Adib, adorou. O departamento de jornalismo, idem. Hélio ficou feliz e, como sempre, fez um excelente trabalho.

Numa só tacada Bernardo agradou o departamento jornalístico da emissora, o departamento comercial da mesma e Hélio Ribeiro, que era um gênio, e não poderia ficar fora do ar. Bernardo era assim.

Certa vez Clodovil Hernandes me disse que a primeira vez que foi a Paris, isso ocorreu graças a Bernardo, que lhe deu as passagens.

“Além disso, me deu um envelope e pediu que eu o abrisse somente quando estivesse sobrevoando o Atlântico. Morri de curiosidade, relatou-me na ocasião o estilista. Mas atendi o pedido. Quando, enfim, abri o envelope havia lá 5 mil dólares”.

Clodovil, que como todo mundo sabe, não era de elogiar ninguém, disse-me textualmente ao contar este episódio:

“Bernardo Goldfarb era simplesmente magnânimo”.

Foi assim também com Milton Neves. Bernardo gostou dele, fez nossa apresentação e Milton Neves passou a gravar todos os comerciais de minha Agência. A primeira vez que fez um comercial para TV foi para um lançamento imobiliário da Roque & Seabra, nosso Cliente.

Osmar Santos, Milton Peruzzi, Geraldo Blota, o grande Blota Junior, Dalmo Pessoa. Bernardo reunia esta turma em seu escritório e em almoços que começavam a uma da tarde e iam até a noite.

Quando Franco Montoro assumiu o Governo do Estado, a Marisa estava em fase de franco crescimento. Mas a situação política na capital se complicou. Houve um tumulto incrível na cidade de São Paulo, uma greve geral logo no segundo dia de mandato de Montoro.

Centenas de sindicalistas cercaram o Palácio dos Bandeirantes, uma das grades que circundam o edifício foi derubada. A guarda palaciana chamou reforços. Houve repressão.

A violência também tomou conta das ruas. O comércio em geral foi atacado e cerrou as portas. Houve saques. Quatro lojas Marisa, principalmente no centro da cidade e no Largo 13 de maio, foram depredadas.

Bernardo me chamou a sua casa, no Morumbi e disse-me que queria publicar uma Nota Oficial da empresa sobre os acontecimentos. Ele acha incompreensível o que estava ocorrendo.

Enquanto Bernardo falava ao telefone, ali mesmo, na mesa do escritório de sua residência, crei ao invés de uma Nota Oficial, um anúncio de página inteira de jornal.

O título dizia:

“Hoje, 4 de nossas lojas foram depredadas. Amanhã, abriremos 11 novas lojas”.

Bernardo vibrou. Eu me referia no texto ao plano de expansão da Marisa para aquele ano. Respondíamos, assim, aos ataques com a oferta de novos empregos à população.

O anúncio foi publicado na Folha e em O Estado.

Ganhou todos os premios naquele ano. Melhor anúncio de Varejo. Melhor anúncio de Oportunidade. Melhor anúncio do Ano.

A peça foi também reproduzida espontanemannte, o que é inédito, pelo The New York Times, com uma bela matéria a respeito.

Mas o melhor prêmio foi o aperto de mão de Bernardo e uma frase que poucos ouviram dele:

“Obrigado. Hoje, foi você quem me ajudou”.

Bernardo adorava Porto Alegre, onde a Marisa tinha e ainda tem o melhor ponto comercial da cidade, na Rua da Praia.

Quando comprou as Lojas Brasileiras e, antes de transferir a sede da mesma para São Paulo, ele ia semanalmente ao Rio de Janeiro, trabalhava lá de 2a. a sexta e se hospedava no Copacaba Palace, onde tinha uma suíte permanente.

Nesta fase de implantação de seus métodos na Brasileiras, ele me deu outra prova de atenção.

Convidou-me diversas vezes para acompanhá-lo ao Rio e participar de reuniões com os diretores da nova empresa que adquirira.

Muitos dos assuntos discutidos não tinham nada a ver com comunicação, mas ele me punha sentado ao seu lado. No fundo, percebi que Bernardo gostava que as pessoas pelas quais tinha apreço verdadeiro (e eram poucas) o vissem em ação, dando ordens, definindo estratégias. O seu palco, era o trabalho.

Lembro-me perfeitamente de um esporro que ele deu num dos diretores das Brasileiras que o interompeu enquanto ele falava.

Bernardo se virou para o diretor e disse:

“Quando você vai ao teatro assistir um show do Chico Anísio (que estava no auge então), você o interrompe?”

Atônito, o diretor, respondeu:

“Não, seo Bernardo”.

“Pois então não me interrompa mais quando eu estou falando de negócios”.

Os negócios eram a arte maior de Bernardo.

Contei esta história a meus filhos, que trabalham comigo, e muitas vezes repeti o diálogo, plagiando descaradamente Bernardo quando queria convencê-los de alguma idéia.

Funcionou sempre. Meus filhos invariavelmente sorriam e eu podia terminar minhas frases. Eles comentavam:

“Esse Bernardo fez história, hein pai?”

“E como!”, eu respondia.

Também não me esqueço de quando ele foi conhecer minha sede própria no Paraíso. O prédio de quatro andares era um dos meus orgulhos. Nós aí já tínhamos feito uma opção na Agência: iríamos nos dedicar à comunicação do mercado imobiliário, que tinha passado a ser o forte de nosso faturamento.

Mas, num momento de sucesso da Agência, não podia me esquecer do meu primeiro e querido Cliente e fiz questão de que ele conhecesse em absoluta avant- première nossas novas instalações.

Bernardo vaticinou: “Você agora está pronto. Seja o melhor neste nicho de publicidade que você escolheu”.

A história tinha sido assim:

Quando comecei a atender a conta de propaganda da Marisa, ela possuía apenas 23 lojas. E era uma loja que passava imagem de oferecer preço baixo, mas não de qualidade no que vendia.

Quando Bernardo faleceu, a rede tinha 123 lojas!

Fiz a campanha de inauguração de todas as cem novas lojas. Estive presente em todas elas, do interior do Rio Grande do Sul ao norte e nordeste. Foram dez ótimos anos.

De uma rede extremamente popular, popularesca mesmo, a Marisa, com o nosso trabalho, ganhou charme e o mesmo status de uma C&A, Pernambucanas ou Renner, o que não acontecia antes.

Para tanto, contratamos simplesmente as maiores estrelas brasileiras para dar o seu aval às roupas vendidas na Marisa: Hebe Camargo, Glória Pires, Maitê Proença, Malu Mader, Christiane Torloni, Bruna Lombardi, Luma de Oliveira, Isabel Ribeiro, Kate Hansen, Lúcia Veríssimo, Deise Nunes (a única miss Brasil negra), Tônia Carrero, Luisa Brunet. Todas no auge da carreira.

Também só fizemos campanhas utilizando fotógrafos do nível de Luís Trípoli e Jr. Duran. Walter Carvalho, meu querido amigo e o maior Diretor de Fotografia de longa do país, trabalhou em inúmeros comerciais para TV com estas artistas.

Nunca se viu, antes ou depois, as roupas da Marisa vestirem tão bem como nas nossas campanhas. Não foi sem razão que convencemos até mesmo Clodovil Hernandes, então o maior nome da moda no Brasil, a aprovar a moda Marisa, na única campanha publicitária que ele fez para roupas que não eram suas.

Em termos de imagem, foi uma mudança histórica no varejo brasileiro.

Não usávamos homens nas campanhas da Marisa por uma questão elementar:

Só quem não entende de mulher pensa que elas se vestem para os homens. Mulher se veste para as outras mulheres perceberem como ela é poderosa.

Com este time aí de cima, a identificação da mulher comum era total: “Se eu me vestir na Marisa, vou ficar como elas”.

Por outro lado, Bernardo crescia no seu clube do coração, superava resistências e seria fatalmente presidente do Corinthians nos próximos anos. Mas a morte inesperada interrompeu este sonho. Provavelmente o único objetivo a que ele se propôs atingir em vida e não teve tempo de alcançar.

Logo após a sua morte, um de seus filhos resolveu mudar de Agência de Propaganda. O que ele não sabia é que há muito eu já não era a Agência de Propaganda de Bernardo.

Eu era seu amigo.