Opinião Edgard Soares: A saída é apostar no Interior

Campinas, SP, 17 (AFI) – “Não dá mais para andar de carro na capital, o trânsito está horrível”.

A frase foi, sem dúvida, a mais ouvida nas últimas duas semanas. Congestionamentos de 150, 160, 170 quilômetros acumulados foram corriqueiros nestes dias. Um recorde mundial.

Vendedores, contatos de publicidade, médicos, advogados, bancários, funcionários de empresas com horários a cumprir e pontos a assinar passaram, fácil, mais de um terço de seu tempo útil de trabalho em engarrafamentos. Reuniões perdidas, negócios praticamente fechados que foram adiados, atraso no início de operações cirúrgicas, cancelamento de consultas. Um verdadeiro horror.

Como resolver este gravíssimo problema se a indústria automobilística revela que no últimos doze meses, considerando-se a data-base de fevereiro de 2007 em relação a fevereiro de 2008, as vendas de automóveis zero km tiveram um acréscimo de mais de 31% no período!!!!

Se não há possibilidade de abrir novas ruas e avenidas a curto prazo, se o metrô – que poderia ser a solução mais prática e eficaz – padece de falta crônica de verba, trazendo por consequência morosidade nas obras de novas linhas, o que fazer?

Sentar no beiral da calçada, colocar a cabeça entre as mãos e assistir passivo ao crescimento da já imensa fila de carros parados a sua frente?

É realmente de desacorçoar, como se diz em Taubaté.

Mas existe uma medida a ser tomada, que necessita de coragem e visão que poderia, pelo menos, minimizar o problema.

A transferência imediata (dentro dos prazos emergenciais e legais cabíveis, evidentemente) da capital do estado para o interior.

A decisão tem que ser já, antes que o caos se estabeleça de vez!

Com a mudança da capital para uma das regiões do interior de São Paulo, a metrópole se veria, pelo menos, esvaziada de uma demanda enorme de burocracia que está concentrada na capital e piora ainda mais o trânsito de São Paulo.

Com a capital, iriam para o interior as dezenas de Secretarias, Autarquias, Empresas de Economia Mista e Departamentos que formam a imensa máquina da administração do Governo Estadual.

Inúmeras empresas de prestação de serviço que gravitam em torno desta mesma enorme máquina estatal também deixariam São Paulo e, consequentemente, proporcionariam mais desafogo para nossas preenchedíssimas artérias urbanas.

Somente abir mão do trâmite de papéis e pessoal que esta imensa estrutura movimenta, já significa ficar livre das viaturas que diariamente se movimentam de um polo a outro e entre as várias sedes e sub-sedes dos escritórios do Governo Estadual.

Além disso, ninguém desconhece o enorme afluxo semanal de prefeitos e secretários municipais do interior para São Paulo com a finalidade de despachar com os orgãos (e os diretores destes orgãos) que lhe são pertinentes.

Há também as missões oficiais estrangeiras, as empresas de outros estados e de outros países aqui instaladas ou em vias de o ser que necessitam fazer visitas ao Palácio do Governo e às Secretarias, além de consultas para obtenção de dados junto à alguma repartição, para conhecer respostas às suas demandas e que procuraram, permanentemente, alguma peça da administração estadual.

Enfim, não é preciso ser doutor em Administração Pública para perceber que a retirada da capital de São Paulo daria à cidade a possibilidade de respirar com um pouco mais de alívio. E, consequentemente, de ter o seu trânsito menos asfixiado.

Pode não ser – e certamente não é – a cura de todos os males de nosso trânsito inqualificável.

Mas certamente é uma ação, uma medida, algo que pode e deve ser feito.

E ainda não falamos dos benefícios que a providência traria, economicamente, para o estado como um todo. Se o local escolhido fosse, por exemplo, uma região mais pobre, melhor ainda. Apressaríamos, sem dúvida, o seu desenvolvimento.

Se optássemos por mais de uma região, distribuindo os vários orgãos administrativos por mais de uma cidade, também não seria ruim.

Se ainda e derradeiramente nossa escolha fosse por uma cidade já formada e desenvolvida, com capacidade de abrigar a sede do Governo, que bom também.

Enfim, alternativas regionais e políticas é que não faltam.

Apostar no interior e no seu potencial dá certo.

Uma prova cabal é o sucesso do Futebol Interior. Com este nome e com este conteúdo, ele é o SITE mais acessado do país no seu segmento, que é um dos mais concorridos da Internet. Futebol Interior é lider, é primeiro lugar. Milhares (ou milhões) de page views à frente do segundo colocado.