Opinião Diego Viñas: Torcida não faz falta
São Paulo, SP, 15 (AFI) – É muito estranho entrar no Cícero Pompeu de Toledo, o estádio do Morumbi, com a equipe do São Paulo em campo e não ver uma viva alma na arquibancada. É a estréia de um tri-campeão mundial com portões fechados. Tudo apagado nos corredores. “Parece um cemitério”, como disse um orientador, aqueles de colete laranja que barram as pessoas nos portões, sabe? Notei que hoje seria difícil para sair uma matéria bacana.
Há uma semana, foi mais fácil. Fazia o mesmo percurso para acompanhar a grande final do Campeonato Paulista entre Santos e São Caetano. Quase 60 mil torcedores. Casa cheia. Festa bonita. Linda! Hoje, triste ilusão. Antes de você se perguntar como eu consegui entrar, vou mudar rapidamente de assunto.
No estádio, sou cabine. Não foi fácil conseguir a credencial de imprensa ainda como estudante, mas nada como muito esforço e um bom papo. Hoje é meu primeiro jogo do Brasileiro. Até agora, entretanto, usei e abusei na capital paulista pelo regional. Só que, sabe como é, pensei que no campeonato nacional a emoção seria diferente. A empolgação fosse maior. Afinal, vão ser sete meses de disputa com os melhores do país. Entendeu? Só que parecia que a torcida ausente, levara minhas idéias de pauta para uma simples nota. Queria estrear bem. Estava complicado, sem inspiração.
De volta ao confronto. Foi a primeira vez que vi um time da casa entrar em campo e não ouvir o barulho dos torcedores ovacionando cada jogador. O grito. A bateria de samba. Os fogos e luzes com fumaça. Isso toda a imprensa vai falar. Talvez não seria mesmo essa festa toda por ser uma estréia de campeonato. E muito importante, a fase dos donos da casa não ajuda. Já sei! Peço licença para fazer outro comentário.
Na mesma semana, o São Paulo dizia Adeus! da Copa Libertadores da América pelo Grêmio de Porto Alegre. E quem acompanha futebol sabe que uma eliminação na competição sul-americana representa para o Tricolor paulista o fim do mundo. Uma semana e meia antes disso, o adeus ao Paulista, ou seja, desmotivação total. Nada, porém, justifica a monotonia do jogo de hoje. E que droga, acabei de ouvir isso numa emissora de televisão. Já era!
Depois da saída de bola, barulho. Isso mesmo! Do chute na bola. Do incentivo do capitão. Da bronca do treinador. Era nítido. Nem precisava de leitura labial. E o apito? Credo, era ensurdecedor. Cada apitada era uma tortura. Doeu no ouvido também na hora do gol. Você já sabe que não foi da torcida. Foi dos locutores das rádios. Sem comemoração nas arquibancadas, sem fogos, os radialistas não disputavam barulho com ninguém. A sinfonia de Gooooooooollss foi terrível. Pior ainda porque foi um Golaaaaaaaaaaaaaaaço! Isso não é tema de notícia, só mais um contratempo para desconcentrar mais!
E assim se repetiu noutra única vez. No final do jogo, 2 a 0 São Paulo. Festa no Morumbi? Que nada! Só se for a minha! Queria ir embora logo! Era véspera de dia das mães e ainda tinha que comprar um presente para minha velha. E ao mesmo tempo em que pensava na surpresa, pensava na manchete. Que manchete? São Paulo vence sem torcida? Depois das eliminações, uma luz no fim do túnel? Que manjado! Precisava fazer algo novo, não é assim que aprendemos na faculdade?
Fiquei por muitos minutos pensando sobre o que poderia escrever. Parti da pergunta inicial. O que não teve hoje? Torcida, comemoração. Que mais? É mesmo! Violência. Isso poucos pararam para pensar. Pelo menos eu acho e até agora não vi ninguém falar. Bingo!
Ganhei meu dia! Consegui perceber que a ausência de torcida é garantia de paz nos estádios. No fundo, notei que estádio vazio me deu outra idéia, mais difícil, algo de encontro ao que me perece ‘de bandeja’ quando a massa comparece. Que hilário! “Torcida não faz falta”, esse é o título do meu texto. “Por mim, não teria mais torcida em campo”, ouvi o repórter da Jovem Pan, Vanderlei Nogueira, comentar. Será que ele falava de algo semelhante minha idéia? Enfim, mas usei sua ‘sonora’.
Para mim, não é que torcida não faz falta no estádio. Claro que gosto de ver a festa, os gritos e não ficar surdo com apito e gritos de gol! Na verdade, consegui o que queria, uma pauta diferente. E aí sim. A ausência da ‘geral’ foi primordial. Por isso, dessa vez, não fez falta. Nenhuma!





































































































































