Opinião Diego Viñas: Comemoração aos gritos e tiros!

São Paulo, SP, 30 (AFI) – Quando ganhamos Copa do Mundo, tiramos as bandeiras dos guarda-roupas, pegamos o cabo de vassoura e alteamos ela na janela de casa, ou vamos sacudi-la de carro, buzinando pelas ruas do bairro ao som do hino, ou, na maioria das vezes, um samba-enredo típico. Festa brasileira!

De forma bem diferente comemoraram os iraquianos. No lugar de altear bandeiras – embora lá estivessem muitas delas – a alegria era levantar os rifles e atirar balas como som de fogos de artifício. Bem diferente disso, na verdade.

O resultado não foi um show de luzes e cores no céu. As munições atiradas, felizes, calaram gritos empolgados para sempre. Pessoas que por um instante tiveram um fundo de esperança em esboçar um sorriso. Pura ilusão. Noutro segundo, o, antes torcedor, deitava-se sob um novo tapete vermelho que se desenrolava em solo seco e opaco. Pena!

O futebol jamais deve ser responsabilizado dessa vez. Aqui outros fanatismos fizeram essa negativa diferença. Eles comemoravam a vitória de uma guerra, mas era só futebol. Torciam por uma tropa, não para uma equipe. E o técnico, será que se sente um general à frente dos soldados… ou melhor, jogadores?

Imagine como é a vida de uma pessoa responsável por comandar a seleção de futebol de um país conhecido pela guerra! Essa foi a situação do técnico Jorvan Vieira, há 29 anos trabalhando no Oriente Médio, campeão da Copa da Ásia pelo Iraque. Isso mesmo! O país que há poucos anos estava sendo invadido pelos Estados Unidos. Que proporcionava cenas de horror pela televisão.

Claro que ele já deve ter se acostumado com o cheiro de pólvora no ar. Só que os iraquianos não estão acostumados a torcer pelo futebol. Afinal, foi um titulo inédito. Um país de auto-estima quase zero, que perdeu tudo, que vive sob ditadura religiosa, que vive em clima de campo minado, que olha para o céu com medo de míssil ocidental. Não é legal se acostumar com isso tudo. Por isso ele saiu!