Opinião Dalmo Pessoa: A lavanderia Neymar e o estupro da ética

Pois bem, Neymar não ganhou do Barcelona e a Colômbia o tirou da Copa. Neymar foi embora, o Barcelona ficou maior, o Santos virou um pobretão.

Mas tudo tem um preço. No país do mensalão, do petrolão e de tantos ladrões, Neymar caiu na sarjeta da execração pública.

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São Paulo, SP, 20 (AFI) – No supermercado da bola é fácil vender boas ideias e, às vezes, ilusões. Lembro-me da campanha lançada por alguns que não têm neurônios e sim cifrões na cabeça, contaminados pelo dinheiro, que é o esterco do diabo,

“Vamos prorrogar o contrato de Neymar. Vamos ganhar o título mundial, Neymar será maior do que Messi e o Brasil vencerá a Copa aqui. Vamos fazer um tsunami de dinheiro com a venda do nosso craque”.

Neymar: 4 jogos suspenso e fora da Copa América

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Pois bem, Neymar não ganhou do Barcelona e a Colômbia o tirou da Copa. Neymar foi embora, o Barcelona ficou maior, o Santos virou um pobretão. A banda de música midiática, – ah as marias madalenas da vida – se arrependeu de ter apoiado a jogada daqueles gênios das finanças, que tomaram conta do bezerro de ouro e ajudaram a reforçar os cofres de muitos aventureiros que rezam todas as noites por Pelé, o pai de uma lei que ajudou a enterrar um pouco mais o nosso futebol.

Mas tudo tem um preço. E o preço que Neymar vai pagar é maior do que todo o dinheiro que ganhou até agora.

No país do mensalão, do petrolão e de tantos ladrões, Neymar caiu na sarjeta da execração pública. A lavanderia Neymar foi escancarada. Processado por estelionato, corrupção e lavagem de dinheiro. Seu pai não escapa. É bom não esquecer que uma herdeira da família real da Espanha foi defenestrada por corrupção.

Pior de tudo é que Neymar, induzido pelo seu staff, estuprou a ética. Explico: um mês antes da decisão mundial contra o Barcelona no Japão, Neymar recebeu 10 milhões de euros por conta de sua venda para o Barça.

Eticamente, ele deveria ter anunciado que não jogaria aquela partida. Seria uma postura ética. Mas pode alguém argumentar:

“Ah, mas ele, se fizesse isso, revelaria sua venda que vinha sendo escondida há algum tempo…”

Na Espanha, Neymar brilhou ao lado de Messi e Luiz Suárez

Na Espanha, Neymar brilhou ao lado de Messi e Luiz Suárez

Nos velhos tempos do bar do Ponto Chic, no Largo do Paysandu, os proxenetas do submundo da bola vendiam e compravam jogos e jogadores, além de subornar árbitros.

Neymar não se vendeu no jogo contra o Barça, mas marcou um gol contra a ética. No fim do jogo disse que aprendeu uma lição. Que lição? De bola, não. Nem de ética. Agora é espiar seus pecados. O pecado da lavanderia e o estupro da ética.

Luís Álvaro de Oliveira, partícipe dessa bandalheira, junto com Odílio Rodrigues, que se cuidem. O presidente Sandro Rosell pagou uma parte dessa lavanderia de dinheiro ao ser processado e punido. O atual presidente, José Maria Bartolomeu não escapa. Vem cana por aí. Na Espanha, a Justiça não brinca e não tem nenhém–nhém.