Opinião Clodoaldo Dechichi: Não dá mais para conviver com tantas lesões
O artigo fala sobre o movimento dos 75 jogadores para mudança do calendário anual do futebol brasileiro
Um fato inédito acontece no futebol brasileiro: 75 importantes jogadores profissionais de 19 a 20 clubes das séries “A” e “B” do Brasileiro formam um movimento para tentar mudar o calendário nacional e sensibilizar as entidades do futebol no sentido de conscientizá-los que do jeito que está, não pode ficar. A quantidade excessiva de jogos praticados pelos clubes numa temporada, e ainda, a quantidade elevadíssima das incidências de lesões no futebol está sendo assustador no cenário nacional.
Tudo isto acontece após o anúncio do calendário nacional anunciado pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Para se ter uma idéia da gravidade do problema, a temporada de 2014 terá início em 12 de janeiro, o que torna praticamente nulo o período da pré-temporada (apenas cinco dias), que é a preparação básica para os jogadores suportarem as cargas de jogos e treinos no ano. E ainda, não é previsto oficialmente períodos de “inter-temporadas” para recuperação e ajustes do condicionamento atléticos dos jogadores entre os campeonatos.
O movimento dos jogadores inclui as seguintes solicitações: adequação do calendário ao modelo europeu (iniciando-se no meio do ano); equalização dos jogos; intervalo racional entre os jogos que permita uma melhor recuperação dos atletas, o que certamente minimizaria as incidências de lesões e proporcionaria maior qualidade dos jogos.
O projeto alerta para que os clubes não joguem mais que 6 vezes por mês, diferente dos oito ou nove partidas praticadas em média atualmente.
O projeto também direciona atenção para um melhor planejamento do calendário aos clubes que participam de 2 competições concomitantemente.
O calendário anual prevê também o período de férias dos jogadores, iniciadas imediatamente após o final do Brasileiro (8 de dezembro). Muitos clubes querem distribuir as férias dos jogadores em dois períodos: no recesso dos campeonatos para a Copa 2014 (junho/julho) e em dezembro.
As reivindicações também propõem uma garantia financeira aos jogadores, talvez em forma de seguro, para que os jogadores de todos os clubes consigam receber seus salários sem atrasos ou sem falta destes na temporada.
SINDICATO DEFENDE MOVIMENTO DOS JOGADORES
A Federação Nacional dos Atletas Profissionais, conforme noticiários jornalísticos, responsável pelo “diálogo” com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), criada em 1.990, se direciona favorável ao movimento dos jogadores, o que mostra a “força de voz” dos jogadores numa proposta para um melhor calendário anual.
A FISIOLOGIA DIRECIONA PARA PRÉ E INTER-TEMPORADAS
Do ponto de vista da fisiologia, é importante e fundamental que o período de pré-temporada seja estendido e não enxugado. Estamos indo na contramão do bom senso, visto que no futebol europeu este período normalmente é próximo de 30 dias, tempo excelente e ideal para cumprimento das etapas de preparação psicofísica dos jogadores. Se no futebol brasileiro é impossível se determinar 30 dias, pelo menos 15 a 20 dias de preparação já proporcionaria um bom resultado de performance nas competições.
Além disto, seria importante estabelecer dois períodos de “inter-temporadas” no ano: um no final dos regionais e início do Brasileiro (em todas as séries), e o outro, ao se atingir o mediano de competição do Brasileiro, no mês de agosto aproximadamente, o que proporcionaria possibilidades de ajustes de recuperação e desenvolvimento atlético dos jogadores para suportar as demandas do 2º semestre do ano.
Como 2014 é ano de Copa do Mundo no Brasil, um período de “inter-temporada” pode ser praticado pelos clubes, excepcionalmente, não oficialmente, em junho/julho. Tudo isto para proporcionar aos atletas melhores condições atléticas para performance nos jogos.
REGIONAIS DEVEM PERMANECER
Muito se tem falado nos últimos anos sobre a extinção dos campeonatos regionais para adequação da temporada, notadamente no aumento do período de competição do Brasileiro, em suas séries.
Vale observar que a extinção dos regionais poderá decretar a falência dos clubes menores que disputam apenas este campeonato no ano. E mais, a revelação dos jogadores para clubes maiores estará comprometida.
Quanto ao Brasileiro, já são praticamente sete meses de disputa atualmente. Um aumento do seu período competitivo pode levar desmotivação aos jogadores e desinteressante aos torcedores. Talvez a reformulação da forma de disputa, com fracionamento e mais decisões tornaria a competição mais atraente e empolgante. “Proposta a se discutir”.
PROFISSIONAIS DO FUTEBOL DEVEM OPINAR
Diante deste inédito manifesto de movimento dos 75 jogadores, o ambiente tornou-se importante para debates, opiniões e participações dos profissionais do futebol. Preparadores físicos, fisiologistas, médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, bioquímicos, psicólogos, dirigentes de clubes e entidades, jornalistas esportivos devem aproveitar o momento e debater o tema. Afinal, está em “jogo” a equalização e a racionalização do calendário do futebol nacional, bem como a saúde psicofísica dos jogadores e a melhoria da qualidade dos jogos, o que pode trazer de volta os torcedores aos estádios de futebol.





































































































































