Opinião Carlos Biagini: Para alguns tem pato que é ganso

São Bernardo do Campo, SP, 28 (AFI) – Quem assistiu ao jogo da Seleção Brasileira contra a Suécia, na última quarta-feira, festejou de alguma forma. Havia uma série de motivos: festa pelos 50 anos da conquista da primeira Copa do Mundo pela seleção canarinho (que na verdade atuou com o uniforme azul na final), a primeira convocação do zagueiro Henrique, para a alegria dos palmeirenses que há tempos, desde as contusões de Marcos, não tinham um jogador do clube na seleção e a estréia de Pato com a camisa do Brasil.

Quem festejou pelo primeiro motivo foram os privilegiados que estiveram em campo e os que viram aquele timaço de 58, especialmente. Foi, realmente, emocionante ver alguns reunidos para assistir ao jogo. Quanta sabedoria, não só de vida, mas de futebol reunida naquele grupinho.

A torcida do Palmeiras, enfim, sentiu orgulho de seu time com um convocado. Fazia tempo! Seria interessante ver uma dupla de zaga olímpica com Breno e Henrique, mas talvez seja muito difícil pelas “teorias” de Dunga. Quem sabe!

Pato. Patô. Como queiram. Que jogador!

Alguns acham que esse Pato está mais pra ganso. Outros dizem que ainda é cedo apostar as fichas no ‘novo fenômeno’ brasileiro.

Eu fico no seleto time que acha que ele está pronto. Tem experiência para atuar com a pesada camisa da seleção. E isso é o que mais impressiona num garoto de 18 anos. Até mais, pelo seu ‘fator estréia’. Deixou o dele na primeira partida oficial pelo Brasil, como o fizeram Pelé e Rivaldo. Fez isso também pelo Inter e pelo Milan.

Sorte ou competência? Os dois. Mesmo porque esses dois fatores fizeram parte do gênio Pelé e sempre estarão presentes na atuação dos futuros craques acima da média, em campo.

Pato mostra que tem cabeça boa. Parece impávido diante de tanta cobrança e alheio ao mundo do business. Pelo menos, por enquanto. Tomara que não sucumba às tentações das noitadas e mulheradas.

Esses quesitos parecem não preocupar. Parece seguir os passos de Kaká. Pato tem uma namorada que nunca foi alvo de baixarias ou ficou famosa por descontroles. É um bom sinal. Ter uma companheira com esse perfil o ajudará a passar longe das noitadas, pelo menos na teoria.

E o primeiro gol? Para ele reservo um espaço especial. Considero que o primeiro tento do Pato com a camisa da seleção, deva constar em um altar especial. Lá onde pousam reluzentes aqueles gols que sempre aparecem nas listas dos melhores de todos os tempos.

É impressionante aquele gol. Pato teve a sorte de o goleiro chutar em cima dele. Sim, teve. E depois sobrou competência. Amigo, ele bate pro gol de esquerda sem ângulo e sem olhar para a meta. Parece que seus pés abençoados sabiam que não haveriam de impedir tal deslumbre. Chute sem olhar é para poucos. Daquela posição, então, meu Deus!

Aliás, por falar no Senhor, obrigado por mais um craque. Ele nos dá esperança de que mesmo com o êxodo absurdo de nossos craques cada vez mais cedo, os melhores sempre serão brasileiros. Só serão naturalizados pelos deuses do futebol.