Opinião Alberto César: Pra quê três estádios em Campinas?

Pra que tanto, pra tão pouco!

Estádio moderno Campinas não tem. O Brinco de Ouro e o Majestoso estão a quilômetros de distância da modernidade. Reformá-los seria inviável. Conservação eles não tiveram. Com muito boa vontade, alguns poucos diretores pensaram, ao longo de tantos anos, neste item e fizeram àquilo que foi possível. Hoje, são estádios sem conforto, sem banheiros decentes, sem estacionamentos adequados, deteriorados em muitas partes, sem acomodação aceitável para a imprensa, enfim, reprovados para qualquer competição que exija um mínimo de respeito aos torcedores.
Tanto isso é verdade que as duas equipes de Campinas reuniram seus respectivos conselheiros e associados para receber deles o consentimento numa eventual negociação envolvendo os estádios. Claro que qualquer negócio terá como objetivo ajudar o clube a se agigantar.
A construção de novas arenas dentro dos novos conceitos de modernidade está em primeiro plano. Acho muito bom. Afinal, tudo se renova e se recicla. Não podemos nos prender a sentimentalismo porque o tempo passa e quem não acompanhar vai ficar muito atrasado. Os que derramaram gotas e gotas de suor para a construção do Moisés Lucarelli e o Brinco precisam ser reverenciados e idolatrados, porém não podem ser transformados na razão da preservação desses patrimônios que vão ruir cada vez mais com o tempo.

Campinas necessita de uma arrancada no segmento “futebol”. Estacionamos e demos cargos e funções importantes às pessoas despreparadas e incompetentes. Hoje a torcida do Bugre sofre as conseqüências de péssimas administrações e a <acaca vive um momento bom, mas a situação está longe de ser tranqüila e sempre existe a preocupação com a temporada seguinte.

Enquanto Ponte e Guarani querem estádios para mandar seus jogos e pegar dinheiro para acertar contas altíssimas e formar times a prefeitura de Campinas quer uma mega arena para seduzir a CBF a FIFA a escolherem a cidade como uma das sedes da Copa de 2014. Vamos imaginar que tudo dê certo.

Vamos imaginar que o Guarani construa seu estádio, a Ponte o dela e a prefeitura levante um grande monumento esportivo. Um dia depois da copa, Campinas teria três estádios modernos e lindos. O Guarani, se não se recuperar futebolisticamente, teria uma bela arena para quem sabe disputar jogos da série C do Brasileiro. A Ponte se não subir para a séria A, teria uma linda arena também para disputar a séria B e a prefeitura um suntuoso estádio para as disputas do futebol amador da cidade. Séria hilariante, se não fosse feito com o dinheiro do povo e alimentado com o sonho do torcedor. Pra que tanto, pra tão pouco!

Não sou contra o estádio da prefeitura. Vejo com bons olhos e acho até que ele deveria sair independente do desejo de sediar a Copa. Assim, a cidade teria um grande estádio, moderno, com instalações apropriadas para receber vários eventos e serviria como a casa de Ponte e Guarani. Os clubes, por outro lado, venderiam seus campos e construiriam centros modernos de treinamento com alojamentos e pagariam, dependendo de acordo, taxa de utilização do estádio municipal. Não acho que seja uma medida difícil de realizar. È preciso vontade política, e como estamos em ano de eleição…

Um abraço e boa sorte!