Oliveira evita rebaixamentos e ganha destaque no futebol paulista
O treinador ressalta que, em situações como essas, o trabalho mental é tão importante quanto o tático
O técnico desponta como um nome a ser observado, seguindo a tradição de comandantes que se notabilizaram por salvar equipes do estado em momentos críticos.
São Paulo, SP , 31 (AFI) – O técnico José Oliveira vem se consolidando como um dos principais especialistas em salvar equipes do rebaixamento no futebol paulista. Em menos de dois meses, o treinador conseguiu livrar Monte Azul, na Série A2, e Francana, na Série A3, da queda, reforçando sua reputação como um nome confiável para missões consideradas difíceis.
Esse perfil remete a treinadores que marcaram época no futebol do interior paulista. Nas décadas de 1970 e 1980, Alfredinho Sampaio ficou conhecido por assumir equipes em situações delicadas e evitar o rebaixamento.
Posteriormente, Luiz Carlos Ferreira e Wagner Benazzi também ganharam notoriedade por trabalhos semelhantes, seja em campanhas de recuperação ou na consolidação de projetos esportivos.
Com a ausência desses nomes históricos, Oliveira construiu sua própria trajetória com características semelhantes.
FALA, PROFESSOR
“Cara, eu tive muitos momentos bons na minha carreira. Por exemplo, no próprio Monte Azul, na minha primeira passagem, quando ninguém acreditava no trabalho, nem no time jovem. Era uma competição que, na época, tinha 20 clubes e caíam seis. Eu montei um time para não cair e quase conseguimos a classificação. Enfim, tive outros momentos bons.”
“No próprio São José também, onde tivemos uma sequência de 14 jogos sem derrota. Não sei te dizer se foi o maior número da história, mas com certeza foi uma das maiores sequências do São José Esporte Clube, que é um time muito tradicional. Então foram vários momentos positivos.”
“Também teve o acesso que conquistei no futebol sul-mato-grossense. Enfim, várias situações importantes. É difícil dizer qual foi a maior, porque o mais recente sempre acaba ficando mais marcado. Acho que esses dois últimos trabalhos foram muito próximos um do outro.”
“O Monte Azul tinha um time novo, que não tinha tantos jogadores experientes, mas era um time que jogava futebol, que é algo que eu gosto muito: fazer o time jogar bem. Eu valorizo muito o futebol bem jogado, e o Monte Azul já tinha essa característica antes da minha chegada.”
“A Francana também é um bom time, um elenco jovem, mas que vinha de oito ou nove jogos sem vitória. Então foram dois trabalhos parecidos, mas em divisões diferentes.”
“Acho que o principal é aquilo que sempre falo: é fazer o jogador readquirir confiança, colocar em prática aquilo que você acredita dentro das características do elenco que você tem e, principalmente, fazer o time jogar. Chegamos nas duas situações precisando de resultado, conseguimos levantar a confiança dos atletas, valorizar os jogadores e, em ambos os casos, conquistamos o objetivo, que era a permanência.”
TEMPORADA 2026
Na temporada de 2026, Oliveira iniciou seu trabalho no Araçatuba, pela Série A4 do Campeonato Paulista. Em quatro partidas, conseguiu deixar a equipe fora da zona de rebaixamento. No entanto, divergências contratuais com a diretoria motivaram sua saída. Posteriormente, o clube acabou sendo rebaixado, situação que, nos bastidores, é vista como possivelmente evitável caso o treinador tivesse permanecido no cargo.
Na sequência, o treinador assumiu o Monte Azul nas duas últimas rodadas da Série A2, quando o clube era apontado como virtual rebaixado. Com ajustes táticos e um trabalho forte no aspecto emocional do elenco, conseguiu os resultados necessários para garantir a permanência da equipe, que disputará novamente a competição em 2027.
O desafio seguinte foi na Francana, que também lutava contra a queda na Série A3. Logo em sua estreia, Oliveira comandou a surpreendente vitória por 3 a 0 sobre o Rio Claro, resultado considerado determinante para a recuperação do time na reta final. Ao fim da competição, a Francana confirmou a permanência, enquanto União Suzano e Desportivo Brasil acabaram rebaixados.
O treinador ressalta que, em situações como essas, o trabalho mental é tão importante quanto o tático.
“Quando você chega a uma situação como essa, o objetivo é restabelecer a confiança do jogador por meio de muito trabalho psicológico e correções táticas”, destacou.
CARREIRA
Ex-goleiro profissional, José Oliveira tem 57 anos e iniciou sua trajetória fora das quatro linhas em 2002, como preparador de goleiros do São José. Posteriormente, também trabalhou como auxiliar técnico em clubes como Ceará, Corinthians Alagoano, União de Araras, CSA e São Bernardo.
Em 2015, voltou ao São José já como treinador principal, dando sequência à carreira no comando de equipes como Olímpia, Monte Azul e Taquaritinga.
Ao longo dos anos, acumulou passagens por diversos clubes, como EC São Bernardo, Paulista, Itapirense, Colorado Caieiras, SERC, Lemense, Sertãozinho, Águia Negra, Rio Preto, Corumbaense, Santo André e América-GO.
Entre 2024 e 2026, dirigiu equipes como Santo André, Corumbaense e Águia Negra, além de comandar o Rio Preto em nove partidas e retornar posteriormente ao Águia Negra, onde esteve à frente do time em mais 23 jogos. No América-GO, disputou 11 partidas na Divisão de Acesso de 2025, conquistando seis vitórias.
ACESSO EM 2024
O técnico José Oliveira conquistou o vice-campeonato e o acesso no Campeonato Sul-Mato-Grossense de 2024 com o Águia Negra, terminando a competição com 15 pontos e garantindo a subida da equipe em uma campanha marcada pela superação mesmo diante de adversários com maior investimento.
A equipe de Rio Brilhante terminou a competição atrás apenas do Naviraiense, que somou 18 pontos, enquanto 7 de Setembro (11 pontos), Comercial (7) e Operário AC (3) completaram a classificação. Mesmo com um orçamento inferior à maioria dos concorrentes, o trabalho de Oliveira foi decisivo para colocar o clube entre os destaques da competição.





































































































































