O sonho é azul, e o pesadelo é verde

Dois grandes clubes com grandes histórias. As igualdades acabam aqui, já as diferenças, neste momento, são inúmeras

Enquanto o Cruzeiro comemora uma das melhores fases de sua história, levanta a taça do Campeonato Brasileiro – depois de comemorar o título estadual – e ainda tem plenas chances de

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Enquanto o Cruzeiro comemora uma das melhores fases de sua história, levanta a taça do Campeonato Brasileiro – depois de comemorar o título estadual – e ainda tem plenas chances de conquistar a Copa do Brasil, no outro lado da tabela de classificação o grandioso Palmeiras se vê completamente ameaçado novamente pelo rebaixamento, de onde ressurgiu ainda neste mesmo ano.

Não precisa ser expert para entender como isso acontece. O primeiro indício está no estilo de administração dos clubes. O Cruzeiro há muito vem investindo na transparência e conquista, aos poucos, a confiança de bons parceiros comerciais, além da fidelidade de sua apaixonada torcida. Enquanto isso, o Palmeiras vem capengando em indecisões há muitos anos, chegando ao ponto de necessitar que o próprio presidente ponha dinheiro do bolso e deixando sua torcida num alto grau de desconfiança. Esses aspectos se refletem em campo.

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Enquanto o Cruzeiro manteve a excelente base que conquistou o Brasileiro em 2013 e ainda trouxe reforços importantes em posições cirúrgicas, no Parque Antártica montou-se um novo elenco, recheado de argentinos que o treinador anterior pediu. Ou seja, tudo meio no improviso, ao sabor dos acontecimentos.

Quando Gilson Kleina foi dispensado, após conduzir o time de volta à primeira divisão, já se anunciava um triste ano para a torcida palestrina. A diretoria entendia que Kleina não era treinador com experiência necessária para comandar o time na série “A”. O treinador teve que procurar emprego e agora também está em posição delicada no Bahia. A chegada de Carlos Gareca soou como uma brisa fresca, cheia de boas possibilidades. Mas a dificuldade em assimilar o estilo do novo técnico, a chegada de vários novos nomes e as pressões da própria diretoria por resultados minaram o que poderia ser uma solução inteligente para os próximos campeonatos. Bem ou mal, Gareca estava com os jogadores que conhecia e poderia, com um pouco de paciência, colher bons frutos e livrar o Palmeiras do rebaixamento.

A escolha de Dorival Júnior não foi o problema. Porque Dorival está no nível dos demais técnicos do futebol brasileiro, que, diga-se, não é dos melhores neste momento. O grande desencanto e covardia foi alijar Gareca da possibilidade de mostrar sua competência. Dorival pegou um elenco formado por outro profissional e, ao que parece, ainda não entendeu como seu time pode funcionar de maneira mais efetiva dentro de campo. Não é culpa dele. O elenco é realmente fraco e a espinha dorsal com Pratz, Lúcio, Wesley, Valdívia e Henrique é frágil. Lúcio e Valdívia sofrem com problemas de contusão. Wesley nunca foi mais o mesmo depois de sua contusão grave também. Henrique é bom jogador – um dos artilheiros do campeonato – assim como Pratz… Mas não podem dar conta sozinhos de fazer que o time seja pelo menos competitivo. Gareca teria mais chance de tirar leite de pedra- das pedras que ele mesmo trouxe.

Mas o Cruzeiro, que não tem nada a ver com o drama alviverde, merecidamente comemora o título e agora vai com força total para arrancar um resultado difícil – porém possível – contra o também bem armado Atlético Mineiro. Entusiasmado e empurrado pela torcida, o furacão azul tem todas as condições de levar também a Copa do Brasil e conquistar a sonhada tríplice coroa.