O maioral do momento

Ao contrário dos europeus, os técnicos brasileiros ficam pouco tempo nos clubes. É uma cultura brasileira que sem resultado não tem emprego. Independentemente do planejamento, do elenco e do trabalho propriamente dito. Os técnicos brasileiros, como é o futebol como um todo, têm seus momentos.

Vanderlei Luxemburgo é o técnico do momento no Brasil. Um momento que já tem quase duas décadas. Luxemburgo vive um momento desse tamanho porque sabe muito de futebol. É também um especialista em superar crises. Veja o exemplo do final do Paulistão.

Na quarta-feira, durante o dia, Rodrigo Tiuí o denunciou afirmando que havia deixado o Santos porque não aceitou a troca de empresário, proposta por Luxemburgo. À noite, Luxemburgo desembarcou em Cumbica depois do empate com o Caracas na Venezuela, tendo que se explicar sobre essa denúncia.

Na sexta-feira ele reuniu o elenco e usou a desunião do grupo alegada pelos opositores do presidente santista Marcelo Teixeira para motivar os atletas. No domingo, antes do jogo decisivo contra o São Caetano, ainda na concentração, mostrou um vídeo com toda a campanha do Santos no Paulistão, com as vitórias, a recuperação de Pedrinho e tendo como música de fundo uma canção de Chitãozinho e Xororó, que fala de lutas e conquistas.

Esse vídeo emocionou muito os atletas, tanto que Pedrinho e Antônio Carlos choraram. Depois, quando entraram no vestiário do Morumbi, se depararam com uma faixa com o texto: São Caetano/Campeão Paulista 2007. O resultado desse trabalho psicológico de três dias foi mostrado nas quatro linhas do gramado, com o Santos ganhando por 2 a 0 do São Caetano, com um futebol envolvente e muita garra. A estrela do Luxemburgo brilhou mais uma vez. Uma estrela de muito trabalho e competência. Hoje, Luxemburgo é o maioral. Talvez dos maiorais.