O dia em que Conceição, a torcedora símbolo da Ponte, teve que fingir ser corintiana

Fato ocorreu na primeira partida da final daquele Paulistão, relembre aqui no Futebol Interior

Fato ocorreu na primeira partida da final daquele Paulistão, relembre aqui no Futebol Interior

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*Especial Ariovaldo Izac

Revanche entre Ponte Preta e Corinthians de 1977? Ora, já houve revanche em final de Campeonato Paulista em 1979.

Todavia, continuam batendo na tecla do jogo de 40 anos atrás quando o jejum de títulos dos corintianos, de 22 anos, foi colocado à prova com todas as correntes possíveis e imagináveis.

Vão falar do gol de cara do atacante Palhinha do Corinthians no primeiro jogo, que garantiu vitória por 1 a 0.

Repetirão que o ponteiro-direito Waguinho colocou o Corinthians mais perto do título no segundo jogo ao abrir o placar, mas o meia Dicá e atacante Rui Rei viraram para a Ponte: 2 a 1. O jogo que marcou recorde de público no Estádio do Morumbi, com 146 mil pessoas.

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DULCÍDIO

O terceiro e decisivo jogo ganha destaque nas redes televisivas. Mostram o atacante Rui Rei esbravejando contra o árbitro Dulcídio Vanderlei Boschilia e a expulsão com menos de 20 minutos. Depois, quase no final da partida, a explosão do corintiano com aquele bate-rebate na área pontepretana, e o gol do título, de Basílio.

CONCEIÇÃO

Pronto. Todos esses fatos já foram exaustivamente mostrados.

O que ninguém mostrou foi o comportamento da torcedora pontepretana Maria Conceição Rodrigues no Estádio do Morumbi, durante o primeiro jogo da final de 77.

Sem que nos conhecêssemos na ocasião, casualmente assistimos à partida juntos, nas numeradas do estádio, ao lado de torcedores corintianos por motivos óbvios, pois ali só havia corintiano.

Conceição ainda não ostentava a definição de torcedora símbolo da Ponte Preta, mas já era capaz de morrer pelo clube.

Dona Conceição, torcedora símbolo da Ponte Preta

Dona Conceição, torcedora símbolo da Ponte Preta

Então, como reagir a cada ataque perigoso de seu time? Como esbravejar contra a arbitragem bem ao seu estilo?

Por força do destino, foi o dia em que Conceição teve que assumir uma falsidade sem precedente.

A cada defesa do goleiro Carlos uma fingida lamentação de oportunidade de gol desperdiçada, com corintiano entrando na conversa e tentando explicar como o atacante de seu time deveria ter batido na bola.

Quando a bola rondava a área da defensiva do Timão, disfarçadamente ouvir-se o grito de Conceição na base de ‘tira daí’, fingindo referir-se a zagueiros do Timão, quando, por dentro, se pudesse empurraria a bola para o gol na com sopro.

FALANTE

Há torcedores que se calam quando se misturam à galera adversária, mas não peçam a falante Conceição colocar zíper na boca quando está em estádio de futebol.

Na saída do estádio, após a derrota da Ponte, a confissão dela foi de o quão torturante foi aquele fingimento, recurso necessário para evitar suposto massacre.

Anos depois, quando Conceição ganhou notoriedade entre os paulistas como torcedora símbolo da Ponte, pôde esgoelar favoravelmente ao seu time sem que fosse incomodada.

Eis aí, portanto, uma história de 1977 que ninguém ainda contou.