O Brinco vai acabar? Entenda o que pode acontecer com a SAF do Guarani
A proposta apresentada pelo empresário Roberto Graziano prevê R$ 300 milhões para a construção de uma nova arena
A atual área poderá receber um empreendimento imobiliário com cerca de 1.200 apartamentos
Campinas, SP, 18 (AFI) – A possível transformação do Guarani em SAF pode representar também uma das maiores mudanças físicas da história do clube: a despedida do Brinco de Ouro da Princesa, casa bugrina desde 1953.
Mas a história é mais complexa do que simplesmente trocar um estádio por outro.
A proposta apresentada pelo empresário Roberto Graziano prevê R$ 300 milhões para a construção de uma nova arena, que poderá ser erguida em uma região próxima à Rodovia dos Bandeirantes. Ao mesmo tempo, existe um projeto para exploração imobiliária da atual área do Brinco, com a construção de aproximadamente 1.200 apartamentos.
Isso não significa, porém, que o Guarani deixará imediatamente o estádio caso a SAF seja aprovada. Pelo contrário. A direção já afirmou que o clube não pretende sair do Brinco antes que uma nova casa esteja pronta. A discussão também não nasceu com a SAF. Ela começou há mais de uma década.
Uma história que começou em 2015
O Brinco de Ouro foi arrematado pelo Grupo Magnum, de Roberto Graziano, em leilão judicial realizado em 2015, quando o Guarani atravessava uma grave crise financeira.
A operação envolvia aproximadamente R$ 105 milhões e estabelecia uma série de compromissos além do pagamento pela área.
Entre eles estavam a construção de uma nova arena para o Guarani, um novo Centro de Treinamento e uma estrutura para o clube social.
A ideia era permitir a exploração imobiliária do terreno onde atualmente está o Brinco depois que o clube recebesse as novas instalações.
Mais de dez anos depois, porém, a nova arena não saiu do papel. É justamente esse passado que tornou a negociação da SAF mais complexa.
Conselheiros do Guarani questionaram a possibilidade de obrigações assumidas anteriormente pelo empresário aparecerem contabilizadas dentro do pacote de investimentos da nova empresa.
A posição discutida internamente é de que uma coisa precisa ser separada da outra: compromissos da compra do Brinco já existiam antes da SAF e, portanto, não deveriam simplesmente ser apresentados como novos investimentos decorrentes da transformação do futebol em empresa.
O que prevê a nova proposta?
A operação atualmente discutida é estimada em até R$ 1,075 bilhão.
A divisão apresentada prevê R$ 400 milhões para a operação da SAF e do clube social, R$ 300 milhões para um novo estádio, R$ 25 milhões para um Centro de Treinamento e até R$ 350 milhões relacionados ao passivo da recuperação judicial.
Pelo modelo, o Guarani permaneceria com 10% das ações da SAF e o grupo investidor teria os outros 90%.
Para o estádio, Graziano trabalha com a possibilidade de uma nova construção em uma área próxima à Rodovia dos Bandeirantes.
A localização definitiva ainda depende das etapas necessárias para tirar o projeto do papel, mas a intenção apresentada aos conselheiros é reunir a nova arena e o CT na mesma região.
O empresário chegou a estimar que o estádio poderia ser concluído entre dois e três anos depois da obtenção das aprovações necessárias.
E o que aconteceria com o Brinco?
É aqui que está a maior transformação.
A perspectiva apresentada é utilizar a área atual para um grande empreendimento imobiliário, com aproximadamente 1.200 apartamentos. O projeto seria desenvolvido ao longo de vários anos.
Na prática, se todas as etapas avançarem nos moldes discutidos, o futebol do Guarani deixaria no futuro o terreno onde está instalado desde a década de 1950 para atuar em uma nova arena.
Isso significaria o fim do Brinco de Ouro como estádio.
Não seria, entretanto, consequência automática da simples aprovação da SAF. O destino da área está ligado ao negócio imobiliário firmado anteriormente e às obrigações decorrentes da aquisição judicial do estádio.
É justamente por isso que o tema aparece como um dos pontos mais sensíveis das conversas atuais.
Guarani promete não deixar estádio antes da nova arena
Há ainda uma garantia considerada fundamental pela direção bugrina. Em janeiro, ao explicar a negociação, o presidente Rômulo Amaro afirmou que o Guarani não pretende abandonar sua atual casa antes de receber a nova arena.
A obrigação de construção, segundo o dirigente, permanece independentemente da aprovação da SAF por estar vinculada à negociação anterior envolvendo o Brinco.
A posição busca evitar um cenário em que o clube deixe sua casa histórica sem possuir um estádio definitivo para mandar suas partidas.
Portanto, uma eventual despedida do Brinco dependeria de uma sequência de etapas: aprovação dos projetos, definição do local, construção da nova arena e cumprimento das obrigações previstas entre as partes.
SAF ainda não está aprovada
Também existe outro ponto importante: a transformação ainda depende da decisão dos associados. A votação definitiva da proposta, inicialmente prevista para o começo de setembro, foi adiada. O novo calendário prevê reuniões nos dias 21 e 23 e votação no dia 25 de setembro.
O adiamento ocorreu para que cláusulas fossem ajustadas à recuperação judicial e à legislação da SAF. Até lá, detalhes contratuais podem sofrer alterações.
Por isso, ainda não existe uma data para a última partida do Guarani no Brinco nem para o início efetivo da construção da nova arena.
O que existe é um projeto que, caso avance por todas as etapas, pode finalmente executar uma mudança discutida há mais de uma década.
Inaugurado em 31 de maio de 1953, o Brinco de Ouro acompanhou os momentos mais importantes da história bugrina e se transformou em um dos estádios mais tradicionais do interior do País.
Mais de 70 anos depois, sua área está novamente no centro de uma decisão que pode redesenhar o futuro do Guarani.





































































































































