O atacante Grafite que vai lotar o Arruda já foi ajudante de pedreiro e era chamado de Dina

Futebol Interior, com exclusividade, conta os primeiros passos de Grafite, que aos 36 anos volta ao Santa Cruz como "homem de marketing"

Um atacante, de origem humilde, nascido no interior de São Paulo, ex-ajudante de pedreiro e apelidado de Dina vai levar perto de 50 mil torcedores ao Estádio do Arruda, neste tarde

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Recife, PE, 8 (AFI) – Na semana passada, a estreia de Ronaldinho Gaúcho pelo Fluminense levou pouco mais de 31 mil pessoas no Maracanã. Quem diria, um meia que já foi um dia “o melhor do mundo”, atuando em grandes clubes como o Barcelona, da Espanha. Mas um atacante, de origem humilde, nascido no interior de São Paulo, ex-ajudante de pedreiro e apelidado de Dina vai levar perto de 50 mil torcedores ao Estádio do Arruda, neste sábado, no confronto mais esperado da 17.ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série B. Sabe quem é ele? Grafite, que volta ao Tricolor Pernambucano 13 anos após uma passagem muito agitada. .

Gerson Sodré dirigiu Dina (Grafite) no Campo Limpo

Gerson Sodré dirigiu Dina (Grafite) no Campo Limpo

Nem no seu currículo consta seus primeiros passos como profissional. Ele era grandão e forte, como se devia ser um iniciante na profissão de pedreiro. Era a alternativa para ajudar a família humilde. Gostava de jogar bola e logo se destacou fazendo muitos gols, relutando para assinar um contrato profissional com o Campo Limpo. Isso aconteceu em 1998, quando ele defendeu o clube de sua cidade natal na antiga Série B2, o que equivale hoje a Segundona Paulista, que reúne 30 clubes de todo o interior de São Paulo.

O mais curioso é que na época o seu companheiro de ataque era Roberto, que depois passou por vários clubes do Brasil, inclusive, pelo Santa Cruz, de Recife.

“Os dois faziam a maior fumaça naquelas campos ruim que nós jogávamos. O Grafite com as pernas longas corria como louco e o Roberto era o homem-gol, porque enfia mesmo a bola para as redes”, lembra Gerson Sodré, ex-meia da Portuguesa de Desportos, que começava a carreira de técnica naquela época. Atualmente Sodré é um dos auxiliares técnico de Estevam Soares na própria Portuguesa.

Galli, presidente de honra da Matonense: 1.º cartola a apostar em Grafite
Galli, presidente de honra da Matonense: 1.º cartola a apostar em Grafite

DAÍ PARA A MATONENSE

Em 1999 Estevam Soares foi “convocado” pelo então presidente ddo time de Matão, até hoje “presidente de honra”, Antônio Aparecido Galli para montar o time para disputar o Paulistão. A grana estava curta e a determinação era buscar jovens promessas do Interior. Foi aí que Grafite apareceu em Matão os primeiros treinos.

Estevam Soares transformou Dina em Grafite

Estevam Soares transformou Dina em Grafite

“Quando eu vi aquele negão grande, de pernas longas e que corria como uma garça eu nem acreditei. Ele se chamava Dina, mas percebi que não ia pegar desta forma. Como era preto e fino alguém começou a chamá-lo e grafite (fino e preto) e sabe como é…o apelido pegou e o levou ao sucesso”, conta Estevam Soares.

Lá ele brilhou, passou por Ferroviária e uma dezenas de clubes, inclusive pela Seleção Brasileira, onde participou de quatro jogos e marcou um gol. Atuou no exterior, como na Alemanha, e no mundo árabe. Aos 36 anos ele volta ao Santa Cruz.

Edinaldo Batista Libânio nasceu em Campo Limpo Paulista, uma cidade que fica perto de Jundiaí, distante 50 quilômetros de São Paulo – capital.

ACOMPANHE ABAIXO A HISTÓRIA QUE TODOS SABEM SOBRE GRAFITE

Iniciou sua carreira no Matonense, onde se destacou, em seguida foi para a Ferroviária, de São Paulo em 1999. Em 2001 teve passagens por Santa Cruz Futebol Clube, onde acabou ganhando maior fama no cenário nacional, tanto por seus gols, quando pelos gols perdidos. Em 2002 foi parar no Grêmio, onde chegou a ser titular.

Em 2003, não continuou no Grêmio, foi contratado pelo Anyang Cheetahs, da Coreia do Sul. Voltou para o Brasil no segundo semestre de 2003, para jogar no Goiás, onde se destacou marcando muitos gols pelo clube no Campeonato Brasileiro daquele ano.

Em 2003, Grafite foi contratado pelo São Paulo, onde logo foi titular, jogando no ataque ao lado de Luis Fabiano. Após a saída do mesmo para a Europa, Grafite se tornou o artilheiro do São Paulo na temporada, com vinte e seis gols.

Após as grandes partidas de Grafite pelo São Paulo, Carlos Alberto Parreira convocou o atacante para a Seleção Brasileira para um amistoso contra a Guatemala, que marcou a despedida de Romário da Seleção. Marcou ainda um gol nesse jogo.

Em 2006, totalmente curado da lesão, Grafite fez ainda mais algumas partidas pelo São Paulo, mas acabou sendo contratado pelo Le Mans, da França.

Grafite foi o maior goleador estrangeiro na Alemanha e campeão pelo Wolsfburg

Grafite foi o maior goleador estrangeiro na Alemanha e campeão pelo Wolsfburg

Após uma temporada defendendo o Le Mans, Grafite foi contratado pelo Wolfsburg, da Alemanha. Logo em sua primeira temporada pelo clube alemão, Grafite foi um dos destaques, ajudando a equipe a conquistar uma inédita vaga na Copa da UEFA de 2009.

Em 2009, Grafite conquistou com o Wolfsburg, o inédito título do Campeonato Alemão, tendo ainda, terminado como artilheiro da competição com vinte e oito gols (igualando o recorde de Aílton, de estrangeiro com mais gols em uma única edição) e, juntamente com Džeko (vice-artilheiro do campeonato, com dois gols a menos), bateu o recorde de cinquenta e três gols marcados por Gerd Müller e Uli Hoeneß (atuando pelo Bayern München, na temporada 197273), marcando cinquenta e quatro.

Mesmo não tendo uma brilhante temporada como a última, recebeu uma oportunidade no início de 2010 na Seleção Brasileira, no amistoso contra a Irlanda, após lesão de Luís Fabiano. Tendo disputando apenas vinte e sete minutos, dando uma assistência para o segundo gol, foi, surpreendentemente, convocado para disputar a Copa do Mundo de 2010.

Em 2015, acertou com o Al-Sadd por 6 meses e após o fim do contrato, outros clubes mostraram interesse em seu passe.

No meio do ano de 2015 o Santa Cruz faz uma proposta ao atacante e depois de algumas negociações, ele assina com o clube em 30 de junho. Ele pede para usar o número 23 o qual usa como marca própria.

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