Nova Coluna de Edgard Soares: GOL! DE FARB.
GOL! DE FARB.
Por Edgard Soares
Quem acompanhou a recente novela sobre a saída ou não do goleiro Felipe, o que quer dizer, toda a torcida corinthiana, não pode sequer sonhar com uma história pessoal que se esconde por trás deste enredo tão recente.
Uma das personagens da trama, que afinal teve um final feliz, não é conhecida por ninguém. Inclusive por você, que acompanha os noticiários. Embora tenha se transformado numa figura-chave neste fica ou não fica de Felipe no Parque São Jorge.
Trata-se de um de seus procuradores, o jovem Marcelo Goldfarb.
Ele é uma espécie de Kaká dos empresários de jogadores de futebol. Nunca jogou bola, nunca foi pobre, muito pelo contrário, e jamais ou treinou ou foi assistente de preparador físico ou irmão ou primo de um atleta famoso.
Marcelo Goldfarb nasceu rico.
Eu o conheci garoto, cabelos loiríssimos, correndo atrás de uma bola no jardim da sua casa, quando ele e os pais ainda moravam no bairro do Pacaembu. Ou nos amplos corredores da empresa de sua família, quando ele ia visitar o pai e o avô.
Marcelo era um guri forte, de passos pesados e me surpreendi com o perfil esbelto, que tem hoje em dia. Possui bastante os traços da mãe que é loira, olhos azuis, uma mulher bonita.
Uma coisa Marcelo foi, desde criança: corinthiano. Corinthianíssimo.
Isso ele certamente herdou de seu avô, o empresário Bernardo Goldfarb. Seu pai, Márcio, nunca foi muito ligado ao assunto.
Mas, seu avô, um grande empreendedor, este sim, tinha tempo para seus negócios, que eram múltiplos, e também para o Corinthians.
Bernardo foi o criador das Lojas Marisa e também comprou numa operação ousada o controle acionário das Lojas Brasileiras na Bolsa de Valores, naquela que se configurou como a primeira aquisição deste gênero no país. Chegou a ser, individualmente, o maior acionista da Varig, no tempo em que a companhia era uma das mais respeitadas, em todo o mundo. Mecenas paulistano, tinha uma boa pinacoteca e era o maior colecionador do pintor Aldemir Martins, corinthianíssimo também.
Milionário, no final dos anos 70, sua fortuna pessoal era estimada em cerca de 60 mihões de dólares. Como ele veio a falecer mais de dez anos depois, certamente tinha, por baixo, dobrado este valor quando se foi.
Mas o principal era que Bernardo tinha paixão pelo Corinthians. E um sonho: ser o seu presidente.
Foi conselheiro, diretor e chegou a Vice-Presidente de Patrimônio, na gestão Valdemar Pires.
Fui, com muito orgulho, seu Diretor de Patrimônio (inauguramos parte do Balneário e construímos um dos Ginásios de Esportes do clube). Porém, fui mais: seu amigo e confidente. Muito mais de seus anseios, sonhos, frustrações e conquistas como ser humano do que como empresário. Para “business”, ele tinha sempre uma fila esperando a vez para ouvi-lo. Já amigo de fé, irmão, camarada, segundo o que ele deixava que eu percebesse…
Um dia, em seu sítio em Eldorado Paulista, quando eu já era um publicitário de algum sucesso (tinha acabado de chegar de New York, onde fui receber o Clio Awards, o maior prêmio de nossa área, que havia ganho), tomando cerveja na varanda de sua casa de campo, ele me disse: “fui incentivador para você montar sua Agência e seu primeiro Cliente, não se esqueça disso. Trabalhamos juntos há nove anos e tenho muito orgulho de seu êxito. Sinto-me parte dele”.
Agradeci e, com certeza, devo ter me emocionado.
Um dia antes da inauguração da sede-própria de minha empresa que, aliás, está completando 28 anos de existência, eu passei cedo na bela casa de esquina de Bernardo, em frente ao Palácio dos Bandeirantes e da Fundação Oscar Americano e o levei para conhecer, em primeira mão, meu prédio.
Lembro-me como se fosse hoje. Era ainda bem cedo, apenas o guarda e uma recepcionista tinham chegado. Bernardo olhou os quatro andares que eu havia construído com interesse verdadeiro, comentou, deu palpites e finalmente chegamos à minha sala no último andar. Ele estreou minha poltrona de espaldar alto, novinha em folha, comprada por mim na então famosa e chique Riccó, que tinha enorme loja na 9 de julho, próxima à Faria Lima.
Esticando as pernas, ele olhou em volta, identificou um quadro de Aldemir Martins que ele havia me dado alguns anos antes, sorriu matreiramente e me falou sem cerimônia, com sua inconfundível voz anasalada:
“Espero que você tenha aqui 10% do sucesso que eu tive nos negócios…”
Acredito que pelos votos terem sido absolutamente sinceros, eles deram certo. De vez em quando ainda me lembro deles, da figura de Bernardo, das histórias que vivemos juntos no Corinthians e que conto em outra oportunidade. Prometo.
Só não sei porque diante de tantas possibilidades na vida, como trabalhar na empresa do avô, criar a sua própria, dedicar-se à engenharia, medicina, pesquisa científica, Marcelo resolveu ser empresário ou procurador de jogador de futebol.
Todos conhecem minha opinião a respeito. Esta profissão só existe por causa da famigerada Lei Pelé, que tudo confundiu e nada resolveu. E prejudicou mortalmente aos clubes.
De qualquer forma, o jovem Marcelo tem tudo para desempenhar com critério e correção a missão que escolheu profissionalmente para si.
Se é o que ele quer, que seja feliz!
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AOS MEUS LEITORES:
Estou escrevendo pouco, pelo fato de o segundo semestre ter sido super-pesado em matéria de trabalho em minha empresa. Clientes novos, programas novos, economia movimentada. Esta é uma satisfação que estou dando a vocês que cobram minhas colunas e que me são tão simpáticos.
Em 2008, escreverei bem mais. Para desespero de alguns. Para a alegria, de muitos.
Um ótimo ano, saúde, muita paz, muita compreensão com o próximo. E cuide de sua família. Apesar de toda a modernidade, a família é a coisa mais importante que possuímos nesta vida.
Forte abraço a todos.





































































































































