No Maracanã, jogadores do Botafogo reclamam salários e mostram efeito gerado pela "maldita" Lei Pelé

Clubes endividados por causa da Lei Pelé e por conta dos eros administrativos, querem perdão de dívida bilionária do governo federal

Clubes endividados por causa da Lei Pelé e por conta dos eros administrativos, querem perdão de dívida bilionária do governo federal

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Rio de Janeiro, RJ, 26 – Os jogadores do Botafogo entraram em campo no Maracanã neste domingo, para o clássico contra o Flamengo, na noite deste domingo, carregando uma faixa em que reclamam do atraso nos pagamento de seus vencimentos por parte da diretoria do clube. A faixa, comprida, carregada por todos os jogadores, foi mostrada para a torcida do Botafogo.

“Estamos aqui porque somos profissionais, e por vocês torcedores”, dizia a mensagem principal da faixa, numa clara crítica à diretoria, que não tem cumprido com seus compromissos com os jogadores do Botafogo. Antes da Copa, eles chegaram a não treinar em protesto pelo atraso de salários.

“Cinco meses de imagem. Três meses de carteira de trabalho. FGTS”, listava ainda a faixa, deixando claro a dívida da diretoria com os jogadores. Nos próximos dias, é aguardada a saída de Jorge Wagner, irritado com a falta de pagamento.

Jogadores recebem salários milionários, agora atrasados, e os clubes querem perdão das dívidas com o governo federal. Tudo por desmandos e pela Lei Pelé.

Jogadores recebem salários milionários, agora atrasados, e os clubes querem perdão das dívidas com o governo federal. Tudo por desmandos e pela Lei Pelé.

TUDO COMBINADO…
Na verdade, o protesto teve a conivência do próprio clube, que não é o único, mas compartilha com mais de 90% dos clubes brasileiros de dívidas, principalmente com o governo. A maior parte desta dívida foi acumulada pela falta de capacidade administrativa dos dirigentes, que por títulos deram “mundos e fundos” aos jogadores. Em outra parte pela maldita Lei Pelé, que enterrou em 1999, o trabalho de base da maioria de clubes profissionais do Brasil.

A lei transferiu, da noite para o dia, o direito dos clubes para os empresários. Abandonou os clubes, que por sua vez deixaram de lado o trabalho de base, de escolinha, que qualificava os jogadores no país. Quinze anos depois, aconteceu o resultado mais vergonhoso produzido pela Lei Pelé: a goleada da seleção brasileira, por 7 a 1, para a Alemanha, em pleno Maracanã.

Na época, em 1999, o governo brasileiro era comandado pelo PSDB, mas as dívidas dos clubes, perto de R$ 3 bilhões, deve ser conta pelo governo do PT – Partido dos Trabalhadores. Melhor do que isso, seria promover uma mudança radical na Lei Pelé.