Ninguém é contra a Copa no Brasil, dona Mônica!
Manifestações e gritaria geral é contra a gestão equivocada
Calma, dona Mônica! Deixa eu explicar. Eu sei que a senhora é totalmente contra a realização da Copa do Mundo no Brasil e está coberta de razões quando diz que toda essa dinheirama que está escapando pelos ralos poderia muito bem ser utilizada em obras sociais, educacionais ou na área de saúde, cultura e esportes de base.
E você não está sozinha no seu muito bem elaborado raciocínio. Tem gente nas ruas com palavras de ordem contra esse grande evento que o Brasil abriga entre os meses de junho e julho. Com um mínimo de bom senso não dá para tirar a razão de todo esse pessoal, que assiste ao roubo a céu aberto que se tornaram essas obras dos estádios e outras infraestruturas para a Copa.
É exatamente aí que mora o caroço desse angu.
Em outros países, a passagem da Copa do Mundo sempre trouxe enormes benefícios à população de um modo geral. Na África do Sul, após uma Copa do Mundo que beirou a modéstia mas agradou pelo clima dos torcedores e comprometimento de todo staff, a população ganhou novos hospitais, rodovias, aeroportos e praças esportivas. Por lá também ocorreram superfaturamentos e problemas nas obras. E nem tudo foi apurado ainda. Mas os benefícios foram muitos. E mais um dado: o turismo no país aumentou significativamente, abrindo novas frentes de trabalho. Somente do Brasil, a África do Sul recebe algo em torno de 60% de turistas a mais do que antes da Copa.

No Japão e na Alemanha as seleções se locomoviam de trem! Toda malha foi reajustada para atender ao transporte de seleções e torcedores. A organização dessas duas Copas do Mundo (2002 e 2006) transcorreram sem denúncias de desvios de dinheiro ou coisa parecida.
Vê-se que o imbróglio não é a copa em si. Mas a gestão ratazânica de algumas obras e de alguns setores da organização. Há pouco mais de quatro meses antes do evento, algumas arenas estão longe de serem entregues. E os atrasos nas obras só agradam às grandes empreiteiras, que conseguem mais grana para horas extras, funcionários extras e desperdícios extras. No Paraná, o Atlético quer R$ 51 milhões (!!!) a mais que o combinado para entregar a arena no prazo. Dinheiro público no lixo. Pior… no bolso de alguém.
É sempre muito bom esclarecer, para quem não sabe, que a Fifa exige, em sua carta de recomendações, que o país sede apresente um mínimo de 8 e um máximo de 10 arenas para sediar os jogos. Mas os organizadores brasileiros pressionaram para obter uma autorização de 12 sedes, duas a mais que máximo permitido. A Fifa, depois de muita discussão e pressão, acabou abrindo a exceção. Passou a bola para organização no Brasil. E corremos o risco de não entregar todas no prazo, mesmo com os valores das obras superando todo o limite do bom senso e da vergonha.
A passagem da Copa do Brasil poderia, deveria melhorar a malha de transporte, o sistema de saúde (com modernização de hospitais por exemplo), o investimento em esportes de base e melhoria no turismo, gerando mais empregos e mais renda no país. Mas parece ser pedir demais que os gestores ajam com competência e, acima de tudo, lisura dentro do processo. É muita mão grande para dividir o dinheiro que pagamos em nossos impostos.
Por isso, dona Mônica, eu modestamente penso que o problema não é a Copa em si. Ninguém seria contra um evento bem organizado que trouxesse comprovadamente benefícios à população. O problema é o sistema nocivo administrado por gente mal intencionada que vai transformar a oportunidade de melhorar as condições de nossa população em mais um fiasco verde-amarelo, provando, infelizmente, que onde há dinheiro demais e ética de menos, o resultado é pateticamente vergonhoso.
Então, dona Mônica, entenda que não discordo totalmente de seu ponto de vista. Mas como você é minha amada companheira, posso mudar de opinião e concordar plenamente com o que você quiser. É só pedir com jeitinho…





































































































































