Nilson Ribeiro: Sobre Ganso, patos e cisnes
Uma maneira diferente de mostrar por quê Ganso pode jogar na Seleção ao lado de Neymar
Tenho uma teoria. Já a testei em conversa de butequinho, regada a tremoços e cerveja morna no final da noite. Tomei paulada. Mas tudo bem. Teorias só podem ser confirmadas na prática científica. E esta minha, acho difícil de comprovar.
Tenho uma teoria. Já a testei em conversa de butequinho, regada a tremoços e cerveja morna no final da noite. Tomei paulada. Mas tudo bem. Teorias só podem ser confirmadas na prática científica. E esta minha, acho difícil de comprovar. Pelo menos neste momento. Diz respeito a Paulo Henrique Ganso, hoje jogador do São Paulo. Minha estranha teoria é que ele, em forma e sem lesões, é, já, jogador de Seleção Brasileira. E antes que vossa senhoria baixe seu cassetete na minha cabeça oca, vou tentar defender minha tese. Me dê um minuto de sua paciência, ilustre leitor.

Para isso preciso primeiro falar um pouco sobre esse tal “futebol moderno”, tão laureado entre os entendidos da coisa. Acho esse “futebol moderno”, com raríssimas exceções – e causas eventuais para elas – mais chato que jornalista bêbado no final da noite. Há um clamor pelo jogador “polifuncional”, capaz de executar várias funções no campo. Apoiar, marcar, chegar na área, desarmar o adversário.
Por favor, não pense! Corra, corra… No Brasil, o gênio desse tipo de jogo é o professor Tite. E o Corínthians, valha-me Deus, tem o futebol mais chato do planeta. Ainda que eficaz (se bem que, neste momento, nem isso!). Ficou fora de moda o jogador cerebral, organizador, que cobre o campo todo com sua visão privilegiada e que não precisa correr feito vaca louca pra todo lado pra mostrar serviço. O maestro. E aí me pego saudosista, lembrando de Ademir da Guia, o pensador da “Academia Alviverde” nos anos 70.
O “negro-aço” não jogava. Desfilava. Graça e elegância pelo gramado. Tinha como fiel escudeiro o parceiro Dudu. Esse sim operário, marcador implacável, dando segurança alí na meiuca, como a dizer “vai mestre, que aqui eu dou conta!”. E lá na frente, colocava na cara do gol os inteligentes César Maluco, Hector Silva ou Leivinha.
Outra referência, ainda nos anos 70, é a própria seleção canarinho. Mestre Gerson conduzindo um ataque de gênios: Jair, Pelé, Tostão e Rivelino – nenhum deles verdadeiramente centroavante de ofício, porém todos cirurgicamente mortais para a zaga adversária. Clodoaldo, gigante, firme, elegante e seguro logo atrás. E era bom de ver.

Mais recentemente posso me lembrar do Doutor Sócrates. Lento… Uma ova! Genial. Olhos na nuca a espreitar o mínimo deslize na marcação. Fatal. E ainda Zidane. Ainda é viva a imagem de nossa seleção de craques apenas olhando o francês arrebentar com nosso time na copa. E a pergunta que vossa senhoria me faz é: você está comparando Ganso a esses caras? Sim. Estou.
Ganso não é jogador moderno. Não sabe marcar. Nenhum desses aí atrás era marcador. Como eles, Ganso, no máximo sabe cobrir o espaço aqui e ali sem a bola. Quando tenta desarmar é faltoso, desajeitado. Cobram dele o que ele não deveria precisar fazer. Mas com a bola nos pés… Falta-lhe, então, companhia com a mesma velocidade de raciocínio.
No Santos havia a sagacidade de Neymar, e até Robinho por algum tempo. Jogadores diferenciados, intuitivos. No são Paulo… Quem mesmo? Luís Fabiano? Oswaldo? Aloísio? Talvez Jadson, inteligente, mas em fase ruim e disputando espaço com o próprio Ganso. Ou seja… Ganso, sem lesões e em boa forma, é um patinho feio pronto pra se transformar em cisne, assim que lhe seja dada companhia à altura.
Por isso se sairia bem na Seleção, ao lado de Neymar, Oscar, Lucas, Fred (esse nem tanto craque, mas também com raciocínio veloz). Mas jogando no meio de comuns, como agora, jamais vai render tudo que pode.
Agora podem descer as pauladas.





































































































































