Nilson Ribeiro: Nem sequer somos macacos... (uma banana para a ignorância!)

Mais uma vez o racismo, o preconceito, a ignorância, uma mácula que o ser humano carrega como uma pústula

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O episódio envolvendo Daniel Alves e uma banana, na rodada de final de semana do futebol espanhol, comprovam algumas coisas perversas.

Em primeiro lugar, mostra que preconceito e ignorância não é privilégio de países subdesenvolvidos. Infelizmente, também pode ser servido como prato do dia no primeiro mundo, em pleno paraíso europeu.

Comprova também que estamos longe de nos ver livres desse tipo de comportamento deplorável, porque, enquanto os pares próximos permitirem essas ações sem denunciá-las imediatamente para que o (i) responsável possa ser punido no rigor da lei, esses episódios tendem a continuar acontecendo sob nossas barbas.

Calar-se diante da covardia também é um ato de covardia.

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E também demonstra quão distante estamos até do comportamento instintivo de nossos queridos irmãos macacos, entre os quais o confronto pode existir em razão da luta pela sobrevivência e proteção do grupo. Mas jamais por um ato consciente e covarde fruto de um sentimento de superioridade racial. Isso, salvo engano, só acontece entre nós, os seres “inteligentes”. De maneira geral, macacos são maternais e protetores. Precisamos melhorar muito se pretendermos bradar o slogan “SOMOS TODOS MACACOS”.

Mas a pergunta que incomoda pode (e deve!) ir além.

Qual é o meu preconceito?

Tenho, lamentavelmente, conhecidos muito próximos que são assumidamente homofóbicos, por exemplo. E outros, amigos, que são assumidamente homossexuais. Prefiro, muito sinceramente, a companhia dos que chamo com orgulho de “amigos”. Não tolero cabeças e mentalidades tão obtusas e tacanhas diante de um mundo tão assombroso e misterioso.

Não consigo compreender nenhum argumento que faça distinção entre negros, brancos, arianos, amarelos, vermelhos… Esse tipo de pensamento já causou danos demais a nossos iguais. Ou nos esquecemos da matança dos índios, da escravidão dos negros, no Nazismo?

Não há, da mesma forma, espaço para discriminação de homens, mulheres, homossexuais, bissexuais, metrossexuais… Precisamos aprender urgentemente, e definitivamente, a ter respeito (pelo menos!) pelas opções, tendências ou naturezas de nossos pares.

E também temos (ainda, por incrível que possa parecer…) guerras santas demais. Achamos que temos a razão e a salvação porque nossa religião é ‘sem dúvida’ a do povo escolhido. Fazemos a guerra em nome de Deus. Para tentar mudar essa aberração, católicos, judeus, protestantes, evangélicos, islâmicos, budistas, advaitas, hinduístas, sufistas, espíritas, candomblecistas, padres, bispos, mestres zen, monges, gurus, pais de santos, pastores, rabinos, xamãs, e seja lá mais quem for que faça a ponte entre o mundano e o sagrado têm o dever de praticar a humildade e respeitar a fé alheia. Porque na raiz desse embate também mora o preconceito e a ignorância. Quer aceitemos ou não.

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Há preconceito e ignorância demais.

Nível social, emprego, forma física, cor de pele ou de cabelo, profissão, país de origem, religião, sexo… São essas coisas que definem o ser humano? Não.

Deveríamos fazer melhor uso de nossa capacidade de pensar, de raciocinar, de dar entendimento e acolhimento. Em última análise, de amar de forma incondicional e aceitar o outro como ele é, com sua natureza e escolhas. Antes que isso aconteça, antes que isso seja natural no fundo de nossa alma, só podemos nos envergonhar dessa situação incômoda de sequer podermos nos comparar aos nossos irmãos macacos.