Nilson Ribeiro: É preciso mais que só bom futebol para ser campeão

Enquanto o Ituano joga com a faca nos dentes, o Santos espera que a vitória caia do céu

O Santos deveria ter aprendido a lição na difícil semifinal contra o Penapolense. Quase ficou no meio do caminho. Oswaldo de Oliveira, muito lúcido, definiu ao final da partida: “Tivemos sorte”.

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É provável que o bom time do Santos reverta a situação e ganhe o Campeonato Paulista. Afinal, no papel, o Santo tem um elenco tecnicamente muito superior ao bem treinado time do Ituano. Ninguém vai se espantar, portanto, se no próximo domingo o Santos comemorar mais um título. Mas para isso vai ter que mostrar um postura completamente diferente daquela apresentada no primeiro jogo, quando foi justamente derrotado por 1 a 0 no Pacaembu.

O Santos deveria ter aprendido a lição na difícil semifinal contra o Penapolense. Quase ficou no meio do caminho. Oswaldo de Oliveira, muito lúcido, definiu ao final da partida: “Tivemos sorte”. E foi isso mesmo. Muita sorte. Duas substituições cirúrgicas que deram muito certo. Isso não acontece todo o dia. E se o Santos ficar esperando um novo milagre, vai acabar se perguntando no dia seguinte qual a placa do trator que passou por cima de sua centenária história.

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O ituano não é um time comum.

Não está onde está por um simples acaso. Classificou-se na chave do Corínthians; venceu o São Paulo no Pacaembu, para choradeira total dos Corintianos, que chegaram a falar que o time de Muricy entregou o jogo (o que, absolutamente, não foi verdade. O São Paulo foi batido pelo bom futebol do time de Itu). Depois, eliminou o Palmeiras no mesmo Pacaembu. E no domingo, surpreendeu o melhor time do Campeonato até então. E não tomou gol dos grandes. Tem a melhor defesa do campeonato.

No gol que garantiu a vitória, o Ituano ficou quase um minuto com a posse de bola. Trocou 21 passes antes de encontrar o caminho para o gol (um golaço!). Não tem uma postura retranqueira. Marca bem e joga bem quando está com a posse de bola. Não contou com a sorte (aquela que o Santos teve contra a Penapolense), mas sim com muita competência.

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Méritos do time que está jogando os 90 minutos com muita aplicação tática e dedicação. Méritos do treinador Doriva, que consegue extrair de cada jogador sua melhor qualidade. E Méritos do dirigente Juninho Paulista, que está transformando o Ituano numa referência para o futebol brasileiro.

Não basta ter o melhor time. É preciso fazer por merecer, querer e lutar pela conquista.

Não vai ser fácil para o Santos bater o Ituano.

Pode fazê-lo, sim, e todos nós sabemos muito bem disso. O Santos tem um futebol envolvente, com muitos bons jovens valores. Mas, se em campo, a molecada ficar esperando um milagre dos deuses do futebol…

Seja quem for o vencedor, fica uma grande lição, inclusive para o técnico de nossa Seleção Brasileira, que aposta na conquista canarinho na Copa. É preciso botar o coração na ponta da chuteira e comer a grama, cada centímetro dela, para ser um campeão.

O Ituano já provou que está vestido desse espírito de luta. Resta saber se o Santos, além do bom elenco, tem também essa gana dos vencedores, de superar os momentos difíceis e fazer das situações adversas uma motivação a mais.

E que vença quem tiver mais sangue nos olhos.