Nilson Ribeiro: Brasil, o país do handebol!

Meninas do Brasil conquistam o Mundial e mandam aviso aos navegantes: “dá para apoiar agora?”

Anotem esses nomes: Duda, Babi, Mayssa, Alexandra, Dani Piedade, Rana, Ana Paula, Fernanda. São algumas das meninas da nossa seleção feminina de handebol, que ontem conquistou o inédito Mundial, na Sérvia, vencendo as donas da casa por 22 a 20.

0002048142250 img

Anotem esses nomes: Duda, Babi, Mayssa, Alexandra, Dani Piedade, Rana, Ana Paula, Fernanda. São algumas das meninas da nossa seleção feminina de handebol, que ontem conquistou o inédito Campeonato Mundial, na Sérvia, vencendo as donas da casa por 22 a 20. Eu bem que tentei encontrar o nome de todas as jogadoras da nossa seleção, mas não encontrei nenhuma notícia que se desse o trabalho de listar todas elas.

0002048142254 img

Nosso técnico é o dinamarquês Morten Soubak. Além do título, trazem para a casa o troféu da melhor jogadora do campeonato, Eduarda Amorim a Duda, e da melhor goleira, Bárbara Arenhart, a Babi.

Não é pouco o que essas garotas fizeram. Em um esporte que conta com pouco apoio (para se dizer o mínimo) no Brasil, elas estão dando diversos exemplos que poderiam ser seguidos pelo nosso combalido e todo maltrapilho futebol. De fato, se formos sinceros e realista, vamos perceber que está na hora de olharmos com mais carinho para esses exemplos. Vamos a alguns deles.

Não se tem notícia de algum campeonato de handebol que tenha acabado no vergonhoso tapetão, com revoltantes viradas de mesa.

0002048142250 img

Não há caso de morte de torcedores dentro ou fora dos ginásios onde os jogos acontecem e não há torcidas criminalizadas registradas, onde ocultam-se marginais covardes. Aliás, não se sabe de nenhuma briga entre “torcedores”, nem espancamentos públicos transmitidos em cadeia nacional.

Não há registro de empates em zero a zero, em joguinhos fraquinhos e ruins de se ver. Os placares são sempre dilatados. A final do Mundial foi 22 a 20 para o Brasil. Torcedores puderam comemorar 44 gols num único jogo.

Não há notícia de atletas milionários no handebol. Nem fora do Brasil nem (muito menos!) dentro do país. O esporte sobrevive sem o apoio das grandes marcas, às duras penas, e mesmo assim faz bonito lá fora.

Nunca houve nenhuma escândalo do apito em algum campeonato de handebol no Brasil. Nem fora do país.

O jogos costumam ser emocionantes, com as equipes se revezando no ataque e na defesa. Ninguém escala três volantes numa equipe de handebol.

0002048142292 img

Times retranqueiros de handebol – se é que possam existir – não terminam o campeonato nacional com a segunda colocação, feito que o Grêmio, dono do futebol mais chato do planeta, conseguiu no Brasileirão deste ano.

Enfim. São vários motivos para que nós, torcedores inteligentes, reservamos mais atenção para esse belo esporte, emocionante e envolvente. Somos campeões do mundo e sequer conhecemos decentemente nossas jogadoras. Toda comissão técnica aproveitou a conquista para pedir mais apoio e atenção. Merecidamente. Já fazemos isso com o nosso vôlei. Nosso basquete tem grandes jogadores na NBA, o campeonato norte-americano, o melhor do mundo.

Temos grandes competidores no atletismo, no judô, na natação e outros esportes. Por que precisamos ficar babando ovo nesse nosso futebolzinho meia boca, incapaz de superar o Raja Casablanca, sonhando que temos a melhor seleção do mundo e acreditando no Felipão, quando diz que seremos campeões do mundo? Não precisamos esperar. Já somos orgulhosamente campeões. De handebol. E Feminino. Vivas!