Nenê Santana reconhece crise na Ponte Preta e avalia novo rebaixamento

O Auxiliar técnico foi a primeira pessoa do clube a se pronunciar depois da derrota para o Cuiabá por 2 a 0

“O rebaixamento não ocorreu no último jogo. O rebaixamento ocorreu desde o início do campeonato.", declarou

Nenê Santana é auxiliar na Ponte Preta - Foto: Marcos Ribolli / PontePress

Campinas, SP, 7 (AFI) – O rebaixamento da Ponte Preta para a Série C não pode ser colocado na conta de um único jogo. A queda foi consequência de uma campanha desastrosa construída ao longo de toda a Série B, em um ano no qual o clube também caiu no Campeonato Paulista, enfrentou grave crise financeira, atrasos salariais, paralisação do elenco e uma disputa política que terminou com a rejeição da SAF pelos associados.

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Depois da derrota por 2 a 0 para o Juventude, nesta terça-feira (7), em Indaiatuba, o auxiliar técnico Nenê Santana foi o primeiro representante da Ponte a falar publicamente após a confirmação da queda. E reconheceu que o desastre já vinha sendo desenhado desde as primeiras rodadas.

“O rebaixamento não ocorreu no último jogo. O rebaixamento ocorreu desde o início do campeonato. Sabíamos que passaríamos dificuldade desde o início e o resultado foi esse. A chegada do Gilson Kleina melhorou o ânimo no vestiário e a gente vê os jogadores mais motivados, mas infelizmente isso não tem sido suficiente.”

A derrota para o Juventude foi a 25ª da Ponte em 32 partidas na competição. Com apenas 13 pontos, o time segue na lanterna e já não tem mais possibilidade de deixar a zona de rebaixamento.

CRISE FORA DE CAMPO REFLETIU NO FUTEBOL

Para Nenê, a péssima campanha não pode ser analisada separadamente do cenário vivido pela Ponte fora das quatro linhas. O clube passou boa parte da temporada convivendo com problemas financeiros, incluindo atrasos de salários e outros compromissos, enquanto o elenco chegou a paralisar as atividades em protesto contra os pagamentos pendentes.

A crise chegou ao ponto de a Ponte utilizar jogadores das categorias de base em uma partida da Série B para evitar um W.O. Além disso, o clube enfrentou dificuldades para regularizar atletas e precisou de auxílio externo para solucionar pendências que resultaram em transfer bans.

O auxiliar também evitou comparar a atual realidade com os períodos de maior sucesso da Ponte, quando ele ainda era jogador.

“Eu não posso comparar a situação atual com a época em que eu joguei. Foram épocas de grandes conquistas, mas as dificuldades atuais, principalmente financeiras, afetaram todas as áreas do clube. Afetam o elenco, a condição do trabalho, em tudo. Todo mundo está se esforçando para melhorar as condições, mas isso não vai acontecer do dia para a noite. Estamos aqui porque acreditamos na volta por cima.”

A declaração expõe o tamanho do problema enfrentado pela Ponte. A crise financeira não ficou restrita aos departamentos administrativos e acabou atingindo diretamente o futebol, justamente o setor que terminou a temporada acumulando resultados negativos e dois rebaixamentos.

TORCIDA SE AFASTOU

Outro reflexo da temporada foi o afastamento do torcedor. Apenas 352 pessoas acompanharam a derrota para o Juventude no Estádio Ítalo Mário Limongi, em Indaiatuba.

A partida precisou ser disputada fora de Campinas porque o gramado do Moisés Lucarelli passa por uma reforma emergencial. A situação do campo foi mais um capítulo de um ano turbulento para o clube, que chegou a discutir investimentos estruturais dentro do projeto de SAF rejeitado pelos associados em setembro.

Na avaliação de Nenê, a baixa presença nas arquibancadas é consequência direta da sequência de fracassos acumulada pela Ponte em 2026.

“Eu acho que o público baixo é uma consequência do nosso ano. Fomos rebaixados no Paulista, começamos mal a Série B e o torcedor foi perdendo a paciência. Tudo tem limite. É difícil o torcedor sair de Campinas, vir para Indaiatuba em uma noite chuvosa, e a gente precisa entender isso. Quando as coisas melhorarem, a Ponte vai recuperar o seu torcedor. É por isso que estamos trabalhando.”

MAJESTOSO FORA DE USO

A transferência dos jogos para Indaiatuba também foi comentada pelo auxiliar. Segundo Nenê, atuar em Campinas seria a preferência da comissão técnica, mas a necessidade de recuperar o gramado do Majestoso tornou a mudança inevitável.

“Há um problema no gramado do Moisés Lucarelli e precisávamos arrumar isso. A nossa melhor opção seria jogar em Campinas, mas vir para Indaiatuba foi uma necessidade para solucionar o problema do gramado.”

A Ponte iniciou a recuperação emergencial do campo justamente durante o período sem partidas como mandante. A previsão é de uma intervenção mais ampla após o término da temporada, com melhorias na drenagem e implantação de um sistema de irrigação automatizada.

RETA FINAL E AGENDA

Sem mais objetivos na tabela, a Ponte agora tenta ao menos evitar que a campanha termine com números ainda mais negativos. Restam seis partidas para o fim da Série B, e a comissão técnica estabeleceu como meta somar o maior número possível de pontos.

“Nós estipulamos uma meta de tentar conquistar o máximo de pontos nessa reta final. Os jogadores estão confiantes de que isso é possível e vamos lutar para terminar de maneira digna. Esses jogadores estão aqui, com toda dificuldade do mundo, mas honram o clube.”

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A Ponte Preta volta a campo na segunda-feira, dia 12 de outubro, contra o Novorizontino, fora de casa, pela 33ª rodada da Série B.

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