Nem a mídia, nem Ronaldo sabem o que querem

Nem a mídia, nem Ronaldo sabem o que querem

Por força de minha atividade, leio diariamente três jornais. Também assino duas revistas semanais de informação, uma terceira de meu metier, que é propaganda e marketing. Isso tudo significa que sobra tempo apenas para um livro novo mensal e olhe lá. Acabei de ler Uma Vida Inventada, de Maitê Proença, que, aliás, morou em Taubaté por alguns anos. Também assisto televisão com frequência, ainda mais porque produzimos em nossa empresa dez programas semanais diferentes para TV e é preciso conferi-los no ar e ainda ver como anda a concorrência.

Não acompanho noticiário diariamente pela Internet, a não ser, é claro, uma visita básica ao Futebol Interior.

De qualquer maneira, pela frequência com que manuseio estes meios de comunicação, considero-me bem informado e tenho boa memória para saber quem escreveu o que e quando sobre determinado assunto.

Por isso mesmo, vejo uma incoerência no trabalho da mídia dita séria no caso de Ronaldo gorducho. Não vamos perder tempo com a periférica.

Todos estes jornais e revistas que leio sistematicamente possuem uma posição a respeito do homossexualismo: trata-se tão somente de uma opção do indivíduo, homem ou mulher. Em peso, os artigos e ensaios publicados nestes meios de comunicação nos ensinam: não quer absolutamente dizer que quem pratique o homossexualismo é mais ou menos honesto do que aqueles que não o fazem. Ou que tenha melhor ou pior carater de quem é hetero.

Trata-se apenas de “livre arbítrio”, de “dispor do prórprio corpo como melhor lhe aprouver”.

A minha geração que cresceu não recebendo dos meios de divulgação uma defesa tão enfática e clara do direito de a pessoa ser o que quisesse ser em matéria sexual, sempre viu o homossexualismo como prática, no mínimo, condenável e, porque não dizer, anormal. Quem falar o contrário estará sendo hipócrita.

A tal ponto que chegamos mesmo a nos identificar com aqueles que psiquiatras, psicólogos ou colunistas consideram retrógrados ou preconceituosos com relação ao tema.

Como o mundo modificou-se tremendamente de 30 anos para cá, os homens de minha geração também passaram, aos poucos, a reavaliar os seus julgamentos a respeito dos homossexuais. E, aceitá-los, como pessoas iguais a nós mesmos, com a evidente e, talvez única diferença da preferência sexual.

A mídia teve importância fundamental nesta nova postura. Afinal, sempre foram profissionais inteligentes e cultos que nos esclareceram a respeito com suas reportagens e matérias.

Por isso, não entendo o descarregamento do caminhão de melancia por esta mesma mídia em cima de Ronaldo quando ele é surprreendido com três travestis dentro de um motel.

E se ele estivesse mesmo fazendo programa com os travestis?

Só para efeito de hipótese: se Ronaldo tivesse praticado ato homossexual.

Seria errado? Não seria mais normal, conforme a mídia nestes anos todos disse que era?

Onde estão os colunistas gays ou simpatizantes, que todos os veículos importantes do país possuem, que não defendem Ronaldo neste momento de dificuldade do Fenômeno?

Ele manchou irremediavelmentre a sua imagem, como afirmou, por exemplo, a revista Veja?

Ora, homossexualismo não é só uma questão de opção sexual, tão válida como as outras? Já vi este conceito estampado na própria Veja inúmeras vezes.

Se a importante publicação da Editora Abril fosse colocar na capa todos os enrustidos famosos, creio que não haveria espaço durante meses para outros assuntos.

De tudo o que se falou do episódio, penso que só faltou esta cobrança: homossexualismo é ou não é problema de cada um?

E, se for, por que Ronaldo foi detonado?

Ou será que os defensores da pratica homossexual, diante do ocorrido, voltaram todos para o armário?

Sim, porque o que se vê é Ronaldo, em 100% dos meios de comunicação, sozinho e sem roupa com a mão no bolso.