Não façam cara de paisagem no caso W.Torre - Palmeiras - Allianz Parque

Assalto feito no instituto de pesquisas da Petrobrás no Rio, que envolve o dono da W.Torre, que construiu a mais bonita arena do país.

Até agora, nenhuma citação ao empreendimento feito na rua Turiaçu, mas a Lavajato é uma permanente interrogação.

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“Na lavajato, você puxa uma pena, puxa outra e depois vem uma galinha”, disse o ministro do STF, Teori Zavascki, que está com vários processos do maior escândalo de corrupção que estourou por este Brasil varonil afora. Uma das penas puxada pelos investigadores e que virou uma galinha gorda é o assalto feito no instituto de pesquisas da Petrobrás no Rio, que envolve o dono da W.Torre, que construiu a mais bonita arena do país.

Até agora, nenhuma citação ao empreendimento feito na rua Turiaçu, mas a Lavajato é uma permanente interrogação. Os caçadores de corruptos da República de Curitiba vão varrendo o entulho final dessa roubalheira. Pegaram o miolo da corrupção, agora estão na limpeza, isto é, pegaram os maiores tubarões e agora completam a faxina geral.

Palmeiras se agiganta dentro do Allianz Parque, bela construção da construtora W. Torre

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O construtor da Arena verde saiu de férias e na sequência das investigações será depois. Se a história ficar só na propina que teria recebido – 18 milhões de reais para ceder sua vaga no cartel da corrupção no contrato da Petrobrás, a investigação não chegará à arena.

Claro que não se faz nenhum juízo de valor ou de suspeita, especificamente, em relação ao empreendimento Arena-Palmeiras-W.Torre. Ocorre que investigação você sabe como começa e nem sempre como termina.

Até agora, o Palmeiras faz cara de paisagem e alguns conselheiros, quando questionados, dizem que o Palmeiras está limpo na história e não vai acontecer nada. Ótimo. Mas algumas perguntas podem ser feitas:

1 – O empreiteiro que construiu a Arena e o Palmeiras fizeram um contrato em sociedade. O clube deu-lhe uma área de 50 mil m², que deve valer uns 500 milhões, com cessão de área de superfície, por todo o tempo que durar a parceria.

2 – O empreiteiro fez contratos de financiamento bancário e realizou o lançamento de debentures – captação de dinheiro com juros e encargos – e deu como uma das garantias a própria escritura de cessão de área que o Palmeiras lhe cedeu por conta da parceria. Se acontecer alguma coisa, com procedimento judicial, se a dívida não for honrada, o Palmeiras não corre o risco de ser chamado no polo passivo de uma eventual cobrança? Não há nenhum risco para o clube?

Mustafá Contursi livrou Palmeiras de uma bronca grande

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3 – A própria empresa e o Palmeiras tem divergências em função da parceira, que está sendo arbitrada pela Fundação Getúlio Vargas. Das 12 questões postas na arbitragem da FGV, o Palmeiras perdeu três e, por interferência de Mustafá Contursi, o clube conseguiu reverter uma parte.

4 – A Lavajato é imprevisível e espera-se que os investigadores de Sergio Moro não encontrem mais nada que possa complicar a W.Torre e chegar à arena. A lavajato, quando descobre danos ao patrimônio público, bloqueia dinheiro e bens dos envolvidos. Para garantir os danos causados, se a W.Torre tiver culpa, a Arena poderia sofrer um bloqueio ou não.

5 – Até agora a luz amarela da cautela não acendeu no Parque Antártica e muita gente faz cara de paisagem. Como não se conhece o inteiro teor do contrato da parceria com o clube – aonde esta a chamada transparência tão falada, mas nem sempre praticada? – é bom ficar esperto. Por mais que digam o contrário o risco de complicações é grande. A Lavajato é imprevisível e a turma de Sergio Moro não perdoa.

E X T R A P A U T A

1 – A Justiça do Rio bloqueou 198 milhões de reais da reforma do Maracanã. O orçamento da obra era de 720 milhões e no fim a conta bateu em 1.200 bilhão. A tchurma de Sérgio Cabral molhou a mão ou não? Disseram que a comissão da propina era de 5% do valor final da obra. Só para constar, o Itaquerão foi orçado em 800 milhões e o custo bateu em 1.201 bilhão. Que diferença, não? Será que alguém saberia explicar?

2 – O Ministério Público mandou a Polícia ir atrás dos bandidos que andaram pelo nosso Interior comprando jogadores, dirigentes e técnicos que perderam resultados para os sites de apostas, objeto de comentários da imprensa. Assim mesmo, o cassino Brasil vem aí.

3 – A corrupção no futebol da Argentina vai a todo vapor. Dona Kirchner assumiu os contratos de televisão, repassou dinheiro aos clubes e outras lambanças. Só para lembrar, a Petrobrás, nos bons tempos, patrocinava a maioria dos times de lá. A corrupção não tem fronteiras. Recado final: peguem aqui todos os bandidos que compram resultados para sites de apostas.