Não basta torcer. Tem que participar.

Não basta torcer. Tem que participar.

Iniciamos o ano de 2008 com esperanças renovadas de dias melhores. Aprendemos muito nos últimos três anos, talvez até mais do que em muitos anos. Temos que aproveitar e começar a participar mais de tudo que diga
respeito à nossa vida profissional.

Vai começar o Paulistão 2008 que, sem sombra de dúvidas, promete muitas emoções pois, segundo a opinião dos críticos especializados, temos os melhores e mais “marrentos” treinadores do Brasil trabalhando na “Terra da Garoa”. Pelo lado da arbitragem, os árbitros estão treinando em três períodos com Instrutores Internacionais (Jorge Paulo de Oliveira Gomes, Márcio Rezende Freitas) e outros grandes Instrutores Nacionais (Roberto Perassi, Dionísio Roberto Domingos, Sílvia Regina de Oliveira e Márcio Verri Brandão), além de serem acompanhados de perto por uma atenta comissão encabeçada pelo Cel. Marcos Marinho.

Desejamos a todos muito sucesso nesta difícil missão que é trabalhar na arbitragem, mas temos a certeza de que o trabalho vencerá, ainda mais com treinamentos tão próximos aos que a Fifa exige. Aproveito este espaço para falar também um pouco do ranking, mas antes gostaria de lembrar que em todas as reuniões de que tive a oportunidade de participar convidamos os árbitros a enviarem suas sugestões para melhoria. Infelizmente, porém, tivemos pouca ou quase nenhuma participação. Agora, os que tiveram acesso dentro das normas estabelecidas comemoram; já outros, não.

Aos que não subiram (dentro do espírito democrático que impera na FPF, que envia a todos os relatórios com as notas obtidas no campo de jogo), fica a certeza de que sabem onde erraram nas avaliações teóricas e, claro, nos testes de aptidão física e na composição corporal. Assim, é possível ter uma clara idéia do que ocorreu e procurar melhorar para subir em 2009.

Convivi durante mais de 20 anos e, assim como tantos outros árbitros, sempre pensávamos como seria bom se soubéssemos em que posição estaríamos e o que precisaríamos melhorar para alcançar um espaço melhor na arbitragem. Claro está que o dom é algo que nem todos possuem, mas na média temos a possibilidade de alcançar um lugar ao sol.

Não está perfeita a atual forma de avaliação? Então vamos dar idéias, propor medidas que possam minimizar as possíveis distorções. Quando presidimos uma comissão para analisar o regulamento, durante dois dias nos debatemos e encontramos mecanismos de proteção aos que chegam às categorias A e B (Ouro e Prata), pois um árbitro bem ranqueado não poderia despencar de um ano para outro.

Esta proposta proporcionou segurança ao profissional do apito, mas sabemos que ainda faltam outros obstáculos a serem analisados. Se todos pensarem juntos, chegaremos próximos ao ideal.

Ainda dentro do assunto acredito que, além das normas, deve-se investir mais nos Analistas de Arbitragem, oferecendo-lhes cursos, avaliações e boa remuneração. São eles os principais responsáveis pela nota do campo de jogo, local em que o dom pode ser observado mais de perto. A nossa sugestão é que todos os jogos tenham avaliadores, como ocorreu por mais de 20 anos na FPF. Só que, ao contrário do que ocorria naqueles tempos, hoje eles têm peso na carreira dos árbitros e dos árbitros-assistentes.

Não adianta reclamar para o amigo do lado. Vale muito mais trazer sua opinião para os órgãos competentes, que também desejam acertar como vocês desejam fazê-lo no campo de jogo. Estamos todos no mesmo barco. Se afundar, afundamos juntos.

Fica aqui a nossa pequena participação, esperando que o ano que se inicia seja repleto de saúde, força e sabedoria para que possamos continuar trabalhando, com coragem e com muita inteligência. E também participando mais de tudo aquilo que diga respeito à nossa carreira profissional.