Na reprise, final de Guarani e São Paulo é vista com olhos da realidade

Na reprise, final de Guarani e São Paulo é vista com olhos da realidade

Na reprise, final de Guarani e São Paulo é vista com olhos da realidade

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Como a TV Gazeta é emissora com a cara da cidade de São Paulo, faltou a devida propagação para reprise da final do Campeonato Brasileiro de 1986, com exibição dos melhores momentos na noite do último domingo.

Boiadeiro, destaque do Guarani

Boiadeiro, destaque do Guarani

Naquela final, decidida apenas em fevereiro do ano subsequente, no Estádio Brinco de Ouro, o Guarani deixou escapar a conquista do bicampeonato da competição no penúltimo minuto da prorrogação.

Vencia por 3 a 2, mas permitiu que o São Paulo empatasse e assim provocasse prorrogação, etapa em que o time paulistano teve melhor aproveitamento e levantou o caneco.

Trinta e três anos depois, a gente consegue ver aquela final com olhos da realidade, diferentemente daquele clima criado à época.

ERROS DE ARAGÃO

Pênalti cometido pelo zagueiro são-paulino Vágner Basílio em João Paulo foi inconteste, que o árbitro José Assis Aragão deixou de marcar.

Todavia, o que nós não falamos à época é que o mesmo Aragão contemporizou, logo em seguida, em lance que seria de expulsão do zagueiro bugrino Valdir Carioca.

Após ter sido advertido com cartão amarelo em jogada violenta sobre Careca, o correto seria a expulsão quando cometeu falta por trás num são-paulino (não deu pra precisar se Pita ou Manu), e sequer foi advertido.

Foi jogo movimentadíssimo, porém de pouca técnica. Foram vistos incontáveis erros de passes de ambos os lados, num gramado do Brinco de Ouro em péssima condição. A bola quicava demasiadamente.

Apesar disso, observou-se que Marco Antonio Boiadeiro e Bernardo foram destaques dos lados de Guarani e São Paulo, respectivamente.

CARECA

Antes do gol decisivo do atacante Careca, o Guarani estava de posse de bola no ataque, através do ponteiro-esquerdo João Paulo, que optou por finalização descalibrada, quando tinha espaço para levá-la ao fundo de campo, e ali esperar o escoamento do tempo.

Na cobrança de tiro de meta da equipe são-paulina, o zagueiro Vágner Basílio alongou a bola ao ataque, ocasião em que o meia Pita ganhou disputa pelo alto do zagueiro Ricardo Rocha, resvalou de cabeça, com a sobra para Careca, livre pelo lado esquerdo.

Aí saiu chute forte de canhota, de sem-pulo, sem chances de defesa ao goleiro bugrino Sérgio Neri.

O gol entrou no rol de um dos mais bonitos da carreira do atleta, que festejou bastante com os companheiros, quebrando a sina de que jogador não comemora quando marca contra a sua ex-equipe.

A rigor, àquela altura Careca já estava desgastado fisicamente, tanto que no minuto seguinte, em bola espirrada na área adversária, sequer encontrou forças para finalização.

E quando foi designado para cobrança de pênalti, também desperdiçou.

Guarani cometeu erro crasso na escolha de jogadores para cobrança de pênalti. O primeiro escolhido foi o limitado lateral-direito Marco Antonio, que errou.

LOCUTOR TORCEU

Durante a transmissão, o narrador Wilson Freitas não conseguiu disfarçar o desejo de que o São Paulo saísse vencedor, a exemplo daquilo que ocorria com imprensa paulistana em defesa dos interesses de seus clubes.

Situação não era diferente no interior, quando, no imaginário de radialistas, clubes da cidade teriam sido prejudicados, sem que fossem marcados um ou dois pênaltis por jogo. Na prática, eram jogadas normais.

E o repórter da Gazeta, na ocasião, foi o hoje narrador Cléber Machado, da TV Globo.