Morre Marcelo Alencar, advogado que trabalhava de graça para a Ponte Preta

Morre Marcelo Alencar, advogado que trabalhava de graça para a Ponte Preta

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Morreu no domingo (21) o advogado aposentado Marcelo Alencar, 96 anos de idade, e, cumprindo a honrosa tarefa de historiador dos clubes de futebol de Campinas, registrei a história desse conceituado conselheiro nato da Ponte Preta no dia quatro de junho de 2016, com texto, foto e áudio veiculados na coluna Cadê Você no portal Futebol Interior.

Como nem todos dispunham das informações, acessaram o ‘doutor’ Google, localizaram meu material, e descaradamente não deram crédito. Digamos que é antiético, mas faz parte. A satisfação, à época, foi prestar justa homenagem em vida a quem merecia.

Vamos à reprodução daquele texto.

‘Se hoje a Ponte Preta gasta rios de dinheiro para serviços prestados por advogados, quer na área desportiva, quer na trabalhista, outrora não desembolsava um tostão sequer de honorários para Marcelo de Carvalho Alencar representar o clube nos tribunais desportivos da Federação Paulista de Futebol e CBF.

ESTATUTO

Aos 94 anos de idade completados em janeiro passado, Dr. Marcelo – como sempre foi identificado – está aí para relatar que o estatuto social do clube, nos anos 70, proibia que diretores de departamentos fossem remunerados.

“Eu era diretor jurídico e não me pergunte sobre datas porque não me lembro. Sei que nasci em 1922 em São Paulo, e me transferi para Campinas em 1948”, contou Dr. Marcelo, enquanto mastigada biscoito no café da tarde em sua residência, num condomínio de chácara em Campinas.

Aquele ‘corintianismo’ dos tempos de São Paulo ficaram para atrás. As cores do Timão só serviram de referência para que se identificasse com a Ponte Preta logo que chegou a Campinas.

“Eu não gostava do verde do Palmeiras, como iria me simpatizar pelo Guarani?

Dr. Marcelo sequer deixava pausa para resposta a interlocutores. Emendava uma frase atrás da outra, mostrando que o peso da idade não lhe tirou a lucidez. “Tinha mesmo é que me identificar com a Ponte Preta”.

CONSELHEIRO 542

E a identificação lhe rendeu o título de conselheiro nato de número 542 da Ponte Preta em 1974, atrás apenas de Walter Pascoal, Valdir Sartori e Osvijomar Seixas Queiroz, cuja titulação data de 1968.

“Ser advogado da Ponte Preta era uma atividade alegre. Fazia tudo prazerosamente e sem receber um tostão”, repetia Marcelo de Alencar, que interinamente assumiu a presidência da Ponte Preta após outra renúncia de Lauro Moraes em 1992, pouco antes de Marco Chedid assumir o mandado.

De lá pra cá não mais ocupou cargo eletivo ou nomeado na Ponte Preta, sem que isso impedisse de acompanhar as atividades do clube.

Como a idade não lhe afetou a saúde, mantém o hábito de leituras. Além de se informar diariamente sobre as coisas da Ponte Preta pelos jornais, jamais se distancia da conjuntura nacional. Para isso, são obrigatórias assinaturas das principais revistas semanais do país.

“O Marcelo toma apenas metformina e januvia, comprimidos para o diabetes”, relata Josefa Crisanto, esposa de Marcelo Alencar, que preventivamente agenda consulta com o cardiologista dele a cada seis meses.

“Toda vez que eu chego lá, o médico me diz que estou melhor de que ele”, brincou Dr. Marcelo, curioso para saber quando e onde será publicada a reportagem, e sempre enfatizando que ainda acompanha jogos de sua Ponte Preta pela televisão.

Futebol, por sinal, é um passatempo indispensável para esse advogado aposentado que já foi proprietário de um dos mais bem aparelhados escritórios no ramo em Campinas. Ele ‘devora’ até jogos internacionais na TV, desde que o horário não conflite com o repouso sagrado após o almoço.

DANILO VILAGELIN

Seu tempo também é preenchido através de longas conversas com amigos, ao telefone. Dos antigos pontepretanos, enche a boca para falar do médico Danilo Vilagelin [já falecido]. “Esse é um pontepretano doente. Pergunte qualquer coisa sobre Ponte Preta que ele responde”.

Outros elogios vão para os ex-presidentes Lauro Moraes e Peri Chaib, e principalmente ao saudoso ex-presidente do Conselho Deliberativo da Ponte Preta, Sérgio Rossi. “Esse era legalista. Gostava das coisas certas. Um exemplo de pessoa e de pontepretano”.