Momento Fenomenal do Futebol

Campinas, SP, 11 (AFI) – Amigos do Futebol Interior, por várias vezes comecei a escrever sobre Ronaldo mas preferi esperar um pouco mais. Muitos já falavam coisas que as vezes eu concordava, as vezes não e por isso aguardei minha vez. Mas agora como todo brasileiro quero falar um pouquinho dobre esse “Fenômeno”.

Tenho uma opinião sobre o Ronaldo que poderá ser contrária para muitos torcedores, mas alguns certamente já devem estar pesando o mesmo.

Quando ele foi contratado pelo Corinthians achei espetacular, uma jogada de marketing “Fenomenal” e claro achava também que seria mais uma recuperação de Ronaldo que poderia dar a volta por cima pela terceira vez após passar por graves problemas de contusões e cirurgias delicadíssimas.

Tempo passando…
O tempo foi passando, Ronaldo treinando e nada de estrear com a camisa do “Timão”. A paciência do torcedor estava se esgotando, e, eu que tinha o pensamento da volta por cima e sempre “discutia” com os amigos dizendo que Ronaldo ainda ganharia uma Copa do Mundo na África, comecei a ficar preocupado com o comportamento principalmente fora do campo do jogador três vezes eleito o Melhor do Mundo pela FIFA.

Recuperação lenta, baladas, Ronaldo ainda acima do peso, mas ainda eu sustentava essa opinião talvez até por teimosia, pela esperança, pela minha torcida, já que nosso país precisa sempre de bons exemplos e eu não queria de forma alguma dar o braço a torcer, até que chegou o dia do Fenômeno entrar em campo em Itumbiara.

A expectativa de vê-lo em campo, seu primeiro lance como seria? As entradas dos adversários, as faltas, sua habilidade seria a mesma? Será que ele chamaria a bola de você ou de senhora? Pois bem. Ronaldo entrou em campo, não fez o esperado gol, mas nos vinte e sete minutos que jogou deu para perceber que lhe faltava obviamente o rítimo de jogo, mas, que o “Fenômeno” estava cheio de vontade de acertar.

Vieram as criticas e eu não concordei como não concordo até hoje com alguns pensamentos, algumas opiniões maldosas inclusive faltando com respeito não só com o jogador, como também ao ser humano Ronaldo.

Domingo do dérbi
Chegou o domingo do “dérbi”, o clássico mais antigo do futebol paulista e brasileiro, o jogo de número 330 da história entre Palmeiras e Corinthians.

Fui para Presidente Prudente onde transmiti o jogo pela Rádio Capital AM ao lado a Equipe Esportiva 1.040, líder de audiência nas jornadas esportivas nas tardes de domingo conforme o Ibope divulgou recentemente. Era mais que uma transmissão de uma partida de futebol, talvez mais importante que uma final de campeonato, era um momento histórico para o futebol brasileiro e mundial.

A cidade toda parou para o “dérbi”, não se falava em outra coisa que não fosse o jogo e principalmente a possibilidade de Ronaldo fazer o seu primeiro gol no “Prudentão”. Logo pela manhã no domingo quando sai do hotel para dar uma volta pelo centro da cidade comprar meus jornais pude observar as bandeiras do times nos automóveis e o aspecto de felicidade nos semblantes das pessoas que pareciam estar ali vivendo um sonho. Era algo pontual, momento único e inesquecível e tudo que se via valia a pena registrar para sempre na memória.

Finalmente chegou o momento do jogo, a festa no estádio lotado, mais de quarenta e quatro mil torcedores pagantes. O calor estava demais, a temperatura beirando aos quarenta graus, sensação térmica de cinquenta, parecia que estava em um “forno”. Vieram as escalações e Ronaldo no banco de reservas. Os times em campo, o Corinthians deu a saída e a bola rolou feio no primeiro tempo. Ficaram devendo futebol.

As nuvens começaram a chegar encobrindo Presidente Prudente e a temperatura baixou um “grauzinho” ou dois talvez? Começou o segundo tempo e nada do “Fenômeno” em campo.

Os detalhes do jogo
Com três minutos de jogo o Palmeiras fez o primeiro gol com Diego Souza aproveitando-se de uma falha incrível do goleiro Felipe que foi sair para interceptar um lançamento, foi encoberto pela bola que sobrou para o palmeirense que acreditou na falha do goleiro, dominou a bola já sem ângulo do lado esquerdo do ataque, puxou a bola para trás e chutou de pé direito para fazer Palmeiras 1 a 0.

Com dezoito minutos o jogo para e o estádio inteiro aplaude a entrada de Ronaldo. Era a história de uma carreira bem sucedida de um jogador que não foi apelidado de “Fenômeno” pelos Italianos de graça, entrando em campo.

O craque entrou e participou bem mais no jogo em relação a sua primeira partida de Itumbiara. Pedalou, sofreu falta dura de Pierre, soltou uma bomba de pé direito da intermediária que explodiu no travessão palmeirense, deu um passe para André Santos que só não marcou o gol de cabeça graças a uma bela defesa do goleiro Bruno e tentava contagiar os demais jogadores com a sua alegria em jogar futebol. Ronaldo estava se soltando com a camisa corintiana e contagiava também os torcedores do “Timão”.

A reação e o momento
O jogo caminhava para o seu final, e o Palmeiras desperdiçava boas chances de contra-ataque para ampliar o placar, algumas chances desperdiçadas até por conta de boas defesas do goleiro corintiano Felipe, até que chega o grande momento do jogo, do campeonato, do futebol brasileiro nos últimos tempos.

Todos os ingredientes de uma receita que parecia estar pronta há tempos. Uma receita que foi preparada e escrita nas estrelas pelos “Deuses do Futebol” para este momento mágico.

Clássico mais antigo e de maior rivalidade, o grande “dérbi”, o Palmeiras conquistando mais uma vitória, o estádio lotado em Presidente Prudente e o torcedor corintiano saboreando já o gostinho amargo da derrota, mais uma para o arqui-rival Palmeiras, um escanteio pela direita para o Corinthians cobrar. Douglas (que não deu o passe para aquele que seria possivelmente o primeiro gol de Ronaldo em Itumbiara) vai para a cobrança.

A torcida corintiana em pé atrás do gol defendido pelo palmeirense Bruno que havia feito grandes defesas no segundo tempo. Ronaldo se posiciona atrás da defesa do “Verdão”, último minuto, a expectativa, o cruzamento buscando a segunda trave, o goleiro não consegue cortar o cruzamento que passa em cima da pequena área onde os jogadores da defesa marcam a bola, pareciam todos se encantar com aquela bola que saiu dos pés de Douglas, mas parecia ter sido enviada do céu, das estrelas junto da “receita” preparada pelos “Deuses do Futebol” para a cabeça de Ronaldo.

Gol do Corinthians, Gol de Ronaldo, Gol do Timão, Gol do Fenômeno, Gol Mágico, Gol do Retorno, Gol da Esperança, da Volta por Cima, Gol da Superação, Gol da Fé, Gol de quem não desiste nunca, e, demonstra através dele para a fiel torcida, para o torcedor brasileiro e ao torcedor do mundo inteiro que finalmente o “Fenômeno” voltou!

Abraços da Semana:

Nesta semana quero abraçar especialmente a todos o torcedores de futebol, corintianos ou não, mas que nunca deixaram de acreditar na Vida. Abraço a todos que já puderam aprender com grandes exemplos como Pelé, Senna, Guga, Eder Jofre, entre outros grandes ídolos do nosso esporte e que hoje tem no “Fenômeno Ronaldo” mais um exemplo de superação. Abraço a todos os torcedores do futebol, do esporte em geral e da própria Vida, que nunca desistem de buscar as suas vitórias pessoais, lutando e vencendo os obstáculos colocados a frente.

Grande Abraço a Você que tem sempre esse grande poder de se superar, de lutar, de cair mas de levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. Grande Abraço a Você que jamais deixou de ter Esperança e Fé na Vida!

Pare um pouquinho e pense quantos gols importantes você já marcou no jogo da Vida!

Grande Abraço, e até a próxima!