Milton Neves: Meus programas são eternos, enquanto durarem

São Paulo, SP, 31 (AFI) – Não sou nenhum “Zé Mané”, mas confesso a surpresa que senti nesses dias quanto ao barulho dos jornais e da internet envolvendo a mim e meus programas da Record. Senti-me “importante”. Gente, eram e são apenas dois programas esportivos, hoje tão apertadinhos e espremidinhos, e que falam só de futebol. Eles saíram e voltaram para o ar rapidamente e não quis e não quero saber os motivos. Até porque podem voltar à “geladeira” a qualquer momento, por que não?

E por que tanta repercussão? “Mais um pouco sairia na capa da Veja”, brinca Marcelo Rozenberg, editor do site www.miltonneves.com.br . Em Veja Online, de Lauro Jardim, saiu. Em todos os jornais também e aqui no Agora e na Folha então… Nos portais foi o tema mais lido por horas e horas. E, caramba, quanto carinho, milhares de e-mails, 95% deles tão amigos e solidários, e algumas dezenas de “bem feito”.

Tudo certo, faz parte do jogo. Mas houve também comemoração quanto “ao meu fim”. E comemoração de abutre juramentado, Conde Drácula de honras, patrulheiro azarado, perdedor permanente, invejoso obsessivo, eterno líder jornalístico de capivara forense, falso ético documentado e “jornalista” dotado de completa ausência de talento. “Soltou fogos”, fez piadinhas, escreveu, estimulou, comemorou, plantou e, mais uma vez, quebrou a cara e, retorquindo, lembro que acabou tomando legal invertida em destino indevido.

E não foi a primeira vez, coitado. Sempre recebe o bumerangue na moleira no mesmo dia em que publica seus textinhos covardes. Bem feito. E mais coitado ainda por pensar que dois programas de TV a menos ou a mais alterariam alguma coisa nessa altura em minha vida. Ora, depois de 40 anos na área, já disputei 500 Copas do Mundo da vida, como titular. Nada mal para quem sonhava em ser o quinto goleiro reserva do Bandeirante, de Muzambinho, o time semi-profissional que os saudosos Pedro Viola e Nilo Bortolotti montaram lá em minha terra, nos anos 60.

E se tivesse ficado e viesse a ficar na “geladeira”? Ora, e daí? E quem falou que “fracasso” tem efeito retroativo? Mesmo assim ainda me “sobrariam” vários espaços nobres que há tempos até deles posso abdicar. E lá, na TV, seguiria sendo remunerado por direito assegurado, no jornalismo e na publicidade, por anos e anos. Por fim, o pior da história.

Quando patrulheiro mórbido comemora o fechamento deste ou daquele espaço jornalístico fica tão cego de felicidade e tão precipitado e transtornado de ódio vingativo em função da “derrota” do desafeto que tanto o enfrenta e o enquadra, por tê-lo pilhado “picareteando”, que se esquece de algo que combato e que ele tanto estimula, como um verdadeiro vampiro: o desemprego! O desemprego de jornalistas, operadores, cinegrafistas e etc.

Esse é o cerne da questão! Não se trata de Milton Neves ter tido seus programas retirados ou mantidos no ar. Ora, qualquer apresentador, fora do ar, mesmo sentindo dolorosamente a bordoada em sua auto-estima, é o menos atingido em suas necessidades de sustentação da família.

Mas e a equipe? No caso, mais do que o apresentador, o fato importante são os cerca de 30 profissionais que respiraram aliviados, mantidos em seus sagrados empregos. Eles, unidos, têm me olhado com muito carinho. E é incrível como os olhos falam muito melhor do que um milhão de palavras.

Assim, que sirva de lição, lição de vida. Nunca deseje o mal para o próximo e nem comemore qualquer tipo de dissabor deste ou daquele, desafeto ou não, principalmente antes da hora. Afinal, o mundo gira, a Lusitana roda e o mal sempre perde. E reverte. Isso é certo, tanto quanto a certeza de que meus programas serão eternos na grade da Record. Eternos, enquanto durarem.