Milton Neves escreve mais uma vez para o Futebol Interior
Campinas, SP, 19 (AFI) – Depois de um belo texto na última segunda-feira, o jornalista Milton Neves resolveu dar ao internauta do Futebol Interior mais uma análise sua daqueles que tentam, mas não conseguem enfraquecer ninguém. O texto, publicado abaixo na íntegra, está também no site oficial dele, o www.miltonneves.com.br .
A minha Glenn Close
Por Milton Neves
“Ando cabreiro e surpreso..
Cabreiro porque em recente mudança de escritório – mesmo que no mesmo prédio – surrupiaram meu diploma de segundo grau de meu colégio de Muzambinho-MG.
Muita gente trabalhou na mudança, o espaço aumentou demais.
Não tenho pistas.
Mas nunca se deve desprezar impressões digitais recorrentemente criminosas.
A segunda via já chegou de Belo Horizonte-MG e esta publicação é para cumprimento legal.
E o curioso é que o ladrão levou o diploma e deixou os vidros e a moldura. Teve tempo.
Agora, surpreso estou porque descobri que tem um sujeito apaixonado por mim.
Vamos chamá-lo, digamos, de “Drácula”.
Sim, “apaixonado”, porque o cara é homem.
Há anos tornou isso claro, mas agora “saiu do armário”, deitou no divã e explicitou tudo. Mesmo que em local impróprio.
Assustador.
Recomenda-se psicólogo. Ou psiquiatra. Urgente!
Quem viu – até Ray Charles viu – sentiu a perfeição do DNA da paranóia do fracasso, de profundo e tradicional complexo funcional, de inveja inesgotável e de recorrente ódio revanchista.
Descobri dedos e mãos enormes eticamente imundos por aí e o recibo do inconformismo é passado todo dia.
E vai aumentando. Hierarquicamente é comandado por fracos ou coniventes.
Ô louco, o “Drácula” não vive sem mim. Só fala de mim, só pensa em mim, não me tira da cabeça.
Paranóia, complexos, ódios e inveja não têm cura sem profundo tratamento.
Não adiantou nem dedo na fuça por quatro minutos em território eticamente nobre.
Só que pelo visto tudo isso se transformou em paixão, uma paixão avassaladora, uma atração fatal.
É minha Glenn Close.
E olha que não sou nenhum Michael Douglas, bem longe disso.
De Guarani para Real Madrid.
Será que “Drácula” não teria um tempinho para o amor, para o sorriso,sexo, um bom vinho, filme, música, teatro, para uma Brahma gelada, – sua cerveja preferida que não sai de sua memória -, bola na rede, o bem, o normal e para o futebol?
Bem, futebol exige gente do ramo. E também não admite lobby: ninguém fica no time e no emprego um tempão sem talento.
Engana-se pouco tempo e o olho da rua sempre enxerga mais um, mais uma vez.
Nascer sem talento deve ser uma merda.
Mas, o “Drácula” não se enxerga?
Não, está obcecado, apaixonado, deve ter adorado penetradas levadas, em retorsão.
Ah, o “Drácula” então não poderia ser “Miltete”? Será que a vaga de “Miltete” no Terceiro Tempo da Band estaria em sua mira?
Acho que não, mas não aceito e devolvo “seu amor”. Que ele seja destinado aos filhos, tendo.
E se me encaminhar eventualmente filho e filha para melhoria profissional,recebo.
Ficaria orgulhoso, fazendo o bem.
Olha, “Drácula”, assim dispenso “seu amor”, mas prometo pedir ao bom goiano Leonardo – vizinho de minha casinha comprada com dinheiro suado e não originado de “fonte de sangue azul” e antiético-pequena mudança na letra de seu maior sucesso.
Dele e do saudoso Leandro.
Como em Muzambinho, vou voltar a fazer uma serenata debaixo de uma janela, agora para meu “novo amor”, o “Drácula”.
Pedirei perdão aos vizinhos e cantarei:
“Não pense em mim, não ligue para mim!”
Assim, esta pretensiosa história amorosa de um só parceiro terminaria exatamente como a saga de Salieri, aquele que nunca alcançou Mozart.
É que ele corria com os cotovelos, doloridos.
E mesmo “Drácula” tendo por mim atração fatal e reconhecida compulsão pelo sangue alheio pra que virar uma nova Glenn Close da vida real?”
Confira também O Escorpião também não desiste, outro texto de Milton Neves.





































































































































