Meus dezoito anos

Ai, que saudades que eu tenhodas manhãs da minha vida,

da minha juventude querida,que os anos não trazem mais.

diante de uma velha Remington
Que ritmo frenético, alucinante,
em que o trivial virava interessantee a aventura do dia a dia ditava o tom.

Que jornalismo corajoso, que talentos!as reportagens de um Pio Pinheiro,

a alegria de driblar os contratempos,de ficar feliz com pouco dinheiro.

Terra, Odair, Balbino, Narciso.Sempre um texto leve e conciso.

Castro Filho, Bataglia, Avalone, Arapuá.Uma lição de jornalismo cada manhã.

À noite, sentávamos com Celso Brandão,que contava suas histórias, inventava bordões

(depois repetidos por toda a redação)e ouvíamos como seminaristas ouvem sermões.

Ai, que saudade, que tempo!de cabeleireiras revoltas ao vento,

de canções sem lenço, sem documento,de passeatas, de greves e movimentos.

Que mundo! Onde tudo fazia sentido,onde a própria loucura era lúcida,

no qual até a crítica mais rústicatinha lógica e ataque definido.

Ai que saudades que eu tenho de disputas, de lutas, de meu empenho.

por batalhas que valiam meu pensar, meu dar o troco.Não o desprezo que diz: não vale a pena responder a um escroto.