Mercadão das propinas. É lá que enterraram o Itaquerão

Um pesadelo pela incompetência e irresponsabilidade de meia dúzia

Um pesadelo pela incompetência e irresponsabilidade de meia dúzia

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– “Minha vida, meu sonho, meu estádio e minha dívida impagável”.

Lembram-se desta linha, fio de vários textos que escrevemos neste espaço, alertando para o risco de uma aventura de trágicas consequências para a história do clube, sobretudo porque um projeto dessa expressão e grandeza não pode e nem deve, ser pilotado por nefelibatas, gestores fracassados – um deles soma rico curriculum de fracassos na iniciativa privada – bancos, fábricas, fundos de investimentos etc. – e planejadores de botequins de periferia.

Infelizmente aconteceu e sair dessa lambança não será fácil. Mas, reporto-me a uma declaração do Papa Francisco há algum tempo:

-“O Vaticano tem corrupção, mas eu durmo tranquilo”.

Ora, se o chefe da igreja católica reconhece existir corrupção no seu papado, imaginem no futebol aonde os desvios e roubanças são cada vez mais escandalosos.

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AÇÃO LEGAL
Naturalmente que ninguém tem o monopólio da denúncia, nem estamos aqui para exercer a promotoria pública e, aliás, nem é preciso fazer mais denúncia de corrupção. Ela é endêmica.

O Ministério Público, a quem os corruptos querem amordaçar e acabar com a Lava Jato, exerce sua função com o rigor que merece todo ladrão de galinha ou ladrão de dinheiro público ou de outras instituições cujos proprietários são o povo e nenhum vagabundo deve botar suas mãos sujas de lama.

Há corrupção no Itaquerão? Só o Ministério Público pode apurar e punir exemplarmente os ladravazes porque no projeto do estádio enterraram milhões e milhões. Um dinheiro proveniente do BNDES, do FGTS e PASEP, patrimônio de todos os trabalhadores.

Pior é que alguns nefelibatas do Parque São Jorge se envolveram com a República Odebretchiana na Corrupção. Ela substituiu a República Federativa do Brasil. Comprou, subornou e roubou à vontade. Será que ninguém viu nada? Não foi uma miopia corruptiva que envolveu a todos os participantes dessa triste história do Itaquerão?

Andres, Lula e Odebrecht juntos na construção da Arena Itaquera

Andres, Lula e Odebrecht juntos na construção da Arena Itaquera

OS BENEFICIÁRIOS
O Ministério Público já apontou Andrés Sanchez e alguns amigos seus, como beneficiários dessa sujeira que machuca quem tem caráter, honestidade e vergonha na cara.

E não adianta culpar governador, prefeito e outros judas de plantão, agora execrados por aqueles que meteram o Corinthians numa aventura e agora querem transferir responsabilidade. O pior disso tudo é que apesar de várias advertências, ninguém deu bola. Então agora que cada um assuma sua responsabilidade. Se provada a corrupção, cada um vai ter que assumir e expiar suas culpas no foro apropriado.

Mesmo diante de várias ponderações os personagens do Parque São Jorge enfiaram suas cabeças nas areias da conivência. São os avestruzes da omissão dessa crise que vai custar muito caro ao clube do povo.

QUEM ASSINOU OS CONTRATOS
Mario Gobbi e Raul Correia da Silva assinaram os contratos com a Caixa e BNDES. Só no fim, quando estourou a bomba da saída do Fundo de Arena é que se ficou sabendo que Mario Gobbi, Raul, Andrés Sanchez, Luis Paulo Rosenberg assinaram aditivos que mudaram o preço do Itaquerão: de 820 milhões para 985 milhões de reais.

Mário Gobbi assinou os contratos

Mário Gobbi assinou os contratos

Assim, tornaram-se signatários de uma operação escandalosa que só compromete a imagem do clube. Todos eles estavam mergulhados num silêncio de conivência, mesmo diante de 100 decibéis de alertas e pela falta de responsabilidade perante os corintianos.

Mais do que isso: o Corinthians está sendo nivelado aos escândalos de outras arenas. Queira Deus que isso fique num prejuízo menor, mas a mancha da irresponsabilidade não será limpa nem com o sol do ministro Louis Brandeiss, da Corte Suprema dos Estados Unidos, que profetizou ser a luz do sol o melhor detergente contra a sujeira da corrupção.

INSTITUIÇÃO SÉRIA
Afinal, o Corinthians está no rol de uma empreiteira que corrompeu a classe política no seu mercadão de propinas. Mas é preciso, nem se pode generalizar, pois o clube é uma instituição séria, digna e sua grandeza repousa na honestidade de sua nação. Quem se vendeu, quem se corrompeu, que preste contas à Justiça.

É hora de limpar tudo. É preciso um Moisés corintiano para dividir as águas da corrupção para que o Corinthians possa vencer esta fase, fazer a travessia e chegar ao Olimpo da verdade, da

seriedade e da honestidade.

Os ímprobos do Itaquerão merecem as cinzas de Jó ou o fogo do Apocalipse.