Menos cafezinho! Hernandes cobra diretoria do Guarani

Campinas, SP, 28 (AFI) – A crise do Guarani derrubou, nesta quinta-feira, o diretor de futebol, José Carlos Hernandes. Isolado pela diretoria, ele resolveu pegar o boné e ir para casa. Sem antes contar das agressões e ameaças que sofreu e também de denunciar o comodismo da diretoria, que deu as costas para o departamento de futebol.

Ouça a entrevista Coletiva, cedida pela Rádio Central de Campinas, parceira do Futebol Interior.

Hernandes entregou o cargo depois de ter sido ameaçado de morte e de alguns familiares também sofrerem outros tipos de constrangimentos – seu filho acabou agredido na segunda-feira. Ele deixou o clube, mas não esqueceu de criticar a falta de apoio de sua diretoria e de qualificar de “terroristas” alguns torcedores.

“Tudo tem limite. Meu amor pelo Guarani é grande, mas pela minha família é maior”, justificou Hernandes, que estava há dois anos no cargo e homem de confiança do presidente Leonel Martins de Oliveira. “Foram muitos motivos, mas alguns saíram fora do controle”, completou.hernandes 001 oriE criticou alguns membros da Torcida Organizada Fúria Independente “que são terroristas, fascistas e não torcedores”. Segundo o ex-diretor, este grupo teve seus benefícios cortados, como renda de loja, ingressos e passagens de graça. Há 20 dias, Hernandes já tinha sido agredido por um torcedor, que lhe desferiu um golpe com uma muleta antes de uma reunião do conselho deliberativo. Na época, houve registro de Boletim de Ocorrência.

Terroristas e Fascistas

E também reclamou da falta de apoio para montar o elenco que voltou à elite do futebol paulista. “Este time foi montado de improviso. Montamos um grupo de graça, até de boas condições, mas os resultados não vieram”, lamentou. E aproveitou para criticar os seus companheiros de diretoria.

Diretoria de cafezinho
“Esta diretoria nova que está aí tem que arregaçar as mangas e encarar os problemas de frente. Não adianta vir uma vez por semana e tomar cafezinho. É preciso priorizar o futebol, porque com os resultados negativos não se tem sossego para trabalhar em outras áreas do clube”.

Hernandes ainda aconselhou seus dirigentes a “bater de frente, porque ninguém tem rabo preso com ninguém. Aqui ninguém mais rouba, não tem mais empresário de jogador…”, afirmou. E concluiu: “A imprensa, o associado e a torcida não sabe nem 10% dos bastidores do futebol. E não vou falar nada para preservar a instituição Guarani”, concluiu.

Fúria se diz vítima
Segundo André, Deco, líder da Fúria Uniformizada, eles é que foram ameaçados várias vezes por Hernandes. E reafirmaram também que vinham criticando Hernandes e a diretoria pela atual situação crítica do time dentro do Paulistão.

“Acho que o presidente (Leonel Martins de Oliveira) tem que aparecer mais e falar mais. Isso conforta”, afirmou Deco. E concluiu:

“Nós também queremos o bem do Guarani. Queremos um Guarani ativo, não omisso”.