Marmelada! CPI de escândalos do futebol acaba em pizza
Brasília, DF, 08 (AFI) – Por apenas três assinaturas a menos do que o necessário, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que iria investigar parceria Corinthians/MSI e crimes de lavagem de dinheiro no futebol brasileiro, foi arquivada nesta quinta-feira, no Congresso Nacional, com a adesão de 168 parlamentares e 38 senadores. Eram necessárias 171 assinaturas da Câmara dos Deputados e 27 do Senado. Pressionados pela CBF e governadores de vários estados, 105 deputados retiraram, na última hora, suas assinaturas do documento, inviabilizando a instalação da CPMI. Minutos antes da sessão o deputado Silvio Torres (PSDB-SP), autor do requerimento, protocolou novas 34 assinaturas e 13, ao mesmo tempo, pediram a retirada. Em discurso no plenário, Torres disse não se considerar, de forma alguma, vencido na sua luta para instalação da CPI, por várias razões, destacando duas delas.
“A primeira, é que felizmente existem aí 160, 170 e 180 deputados e senadores dispostos a enfrentar qualquer tipo de chantagem, ameaça e pressão porque acreditam naquilo que fazem. Em segundo lugar, que essa luta ainda nem sequer começou. Ao futebol brasileiro, que quer se apresentar em 2014 como uma vitrine para o mundo, não vai bastar apresentar bons estádios, não vai bastar apresentar segurança, saúde, transporte coletivo; principalmente terá que apresentar um futebol diferente do que é hoje, organizado, sem corrupção, sem desvios, sem escândalos, com uma cultura de transparência, de responsabilização, de modernidade”, enfatizou o parlamentar tucano.Para ele, ficou constatado que o poder institucional foi utilizado para uma manipulação sem precedentes.
“Em tempo algum se viu, no Congresso Nacional, serem retiradas 140, 150, assinaturas de qualquer requerimento”, observou Torres, acrescentando: “Ninguém assinou o requerimento sem saber o que se tratava. Ninguém foi enganado. E essa pressão veio comandada da CBF sobre governadores, sobre senadores, sobre deputados; e veio de todos os lados. Foi quase impossível resistir a uma pressão tão grande.”Com a palavra, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse que a CPI não instalada, a derrota não é do “deputado Silvio Torres, mas sim do Congresso Nacional, do Parlamento, que se agacha, se amesquinha e se apequena. É um Parlamento achincalhado, muitas vezes, com justificadas razões, mas provoca o achincalhe maior por fazer jus a ele quando se rende às imposições espúrias, inaceitáveis e absolutamente descabidas, que, lamentavelmente, reduzem o Congresso Nacional, numa hora de tanta aflição, porque uma tragédia ética se abateu sobre nós nos últimos tempos, à mesquinharia”.
Os objetivos da CPI
Destacou que se convenceu então que não bastava o processo que corria no Ministério Público Federal e o trabalho da Polícia Federal, porque se tratava de um processo que corria em sigilo de Justiça e que só veio a público porque vazaram grampos telefônicos da Polícia Federal dois anos depois de as investigações terem sido iniciadas.
O deputado Silvio Torres disse que iniciou o processo de coleta de assinaturas para instalar uma CPI para investigar crimes cometidos contra o sistema financeiro nacional, depois de várias audiências públicas realizadas na Comissão de Turismo e Desporto da Câmara, com depoimento de pessoas diretamente envolvidas naquele que foi o “grande escândalo do futebol brasileiro que foi a parceria do MSI e Corinthians.”
“E o que apareceu para todos nós foi apenas a ponta do iceberg de um imenso esquema de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, evasão de divisas, formação de quadrilha. Tudo isso permeia e consolida a cultura da organização e a administração do futebol brasileiro na atualidade”, comentou o tucano.Afirmou ele ter tomado uma iniciativa que devia ter sido feita pela CBF, que é o órgão que comanda o futebol no Brasil, observando: “No entanto, dois anos depois de iniciadas essas investigações e depois de seis meses terem vindo a público esses crimes, nenhuma palavra da CBF até hoje. A única ação da CBF com relação a isso foi tentar torpedear, boicotar, sufocar uma CPI.”





































































































































