Márcio Bittencourt abre a caixa preta do Vila Nova e explica sua saída

Treinador detonou diretoria do Tigrão e afirmou que não permite interferência no trabalho

Márcio Bittencourt ainda explicou sobre a crise que enfrentou com a falta de pagamento de salários dos atletas e funcionários do clube e sobre a maneira que foi dispensado sem, sequer, receber o que tinha acertado com o clube

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Goiânia, GO, 12 (AFI) – Passam os anos e pouca coisa muda no futebol no que diz respeito a interferência dos dirigentes no trabalho dos técnicos de futebol. O técnico Márcio Bittencourt (foto), em entrevista exclusiva ao Portal Futebol Interior, fez questão de confirmar que deixou o comando do Vila Nova por interferência dos dirigentes na escalação da equipe.

“Quando fui contratado, conversamos muito sobre a importância da valorização dos jovens valores do Vila Nova. Todo trabalho vinha sendo feito para inserir esses novos atletas no contexto do futebol profissional, com a colocação desses jovens em momentos adequados das partidas que disputamos, seja nos jogos treino ou nas partidas validas pelo Brasileiro. Mas esse processo não pode ser adiantado porque isso pode acabar com a carreira de um garoto que ainda não esteja 100% pronto para enfrentar a dureza que é o Campeonato Brasileiro da Série C”, explicou ele.

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O técnico falou também sobre a mudança na administração e os avanços e retrocessos que presenciou no comando do clube goiano.

“Fui trazido pra Goiânia pelo Hugo que tem uma visão muito boa de como funciona o futebol profissional, mas ao que parece, os dirigentes que estavam no comando não tinham condições de buscar investimentos para manter um time da grandeza do Vila Nova e por isso deram espaço para uma nova gestão que já tinha passado pelo clube. No futebol não basta só o dinheiro, é preciso também o conhecimento e, ao afastarem o Hugo da direção de futebol, acabaram dando um tiro no próprio pé com a tentativa de implementar uma filosofia que na minha concepção de futebol é inaceitável! Onde já se viu um diretor de futebol impor ao técnico quem deve entrar jogando uma partida? Pois foi exatamente isso que aconteceu no Vila Nova”, garantiu o treinador ao Portal FI.

Márcio Bittencourt ainda explicou sobre a crise que enfrentou com a falta de pagamento de salários dos atletas e funcionários do clube e sobre a maneira que foi dispensado sem, sequer, receber o que tinha acertado com o clube.

“Passei momentos complicados lá dentro tentando não deixar a falta de pagamento dos funcionários e atletas influenciar no trabalho dentro de campo. Graças a Deus e a confiança que todos depositaram em mim, conseguimos crescer mesmo diante da situação que enfrentamos, até greve tivemos por lá! E essa falta de dinheiro, que pelo visto não mudou com a entrada dessa nova gestão, acabou de entrar deixando prejuízos pra todos, inclusive pra mim que não recebi sequer a multa prevista em meu contrato, tendo que aceitar somente o mês trabalhado pra não sair daqui com uma mão na frente e outra atrás!”

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O treinador terminou a entrevista agradecendo o carinho da torcida e de boa parte dos funcionários do clube que foi obrigado a deixar não por vontade própria, mas por não aceitar o que lhe estava sendo imposto pelos novos, ou velhos, administradores do futebol.

“Saio daqui com a certeza de que fiz a coisa certa porque do contrário estaria dando razão a interferência de dirigentes que existe na bola desde os tempos em que eu jogava e por aquilo pelo que lutei durante a Democracia Corintiana. E mais, saio com a certeza de que o torcedor do Vila Nova pensa como eu e não quer dirigente escalando time em busca de negociações financeiras, porque torcedor quer é título e é pra isso que eu trabalho. Sei que os funcionários e boa parte dos dirigentes também pensam como eu, mas têm que ficar calados para manter o emprego. Espero quem sabe um dia poder voltar, numa situação melhor para ajudar o Vila Nova a voltar a elite do futebol que é onde a história do clube mostra que ele deveria estar”, finalizou ele.